sábado, 28 de abril de 2012

Inscrições de espetáculos locais para o 19º Porto Alegre em Cena

De 7 de maio a 4 de junho estarão abertas as inscrições para os grupos de teatro e dança de Porto Alegre para participarem da 19º edição do Em Cena. Os grupos deverão mandar para o endereço do festival - Travessa Paraíso 71, Bairro Santa Teresa, Cep: 90850-190 - o material completo do espetáculo com o DVD de toda a obra filmada.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Oficina com Serge Nicolaï - de 17 a 20 de abril

"Vamos tentar trabalhar juntos a base essencial que nós utilizamos no Théâtre du Soleil no trabalho de ator. Este será um trabalho de música.
O trabalho do ator passa por uma manutenção diária de suas ferramentas como o seu imaginário, sua audição, sua disponibilidade, sua versatilidade e seu corpo.
Há, por tanto, muitos caminhos diferentes. Nós tentaremos seguir o mesmo que levou o Théâtre du Soleil para criar o espetáculo Tambours sur la Digue: o ator marionete e seu manipulador.
Trabalhar sobre a marionete, obriga o ator a um grande rigor físico e mental até encontrar uma ‘’calma interior’’, absolutamente necessário para ser capaz de "ouvir as novidades que vêm de dentro" e "deixar vir" o estado."

Serge NICOLAÏ

Oficina com Serge Nicolaï - de 17 a 20 de abril, das 18h às 23h no Centro Cenotécnico

Apoio:
Aliança Francesa
Consulado Geral da França em São Paulo

Lista de selecionados para o PROJETO CONEXÃO EM CENA

Lista de selecionados: CONEXÃO EM CENA

Alice Maria Paiva Araújo Santos
Alexandre Dill
Lívia Perrone Pires
Pedro Nabuco
Evelyn Ligocki
Ana Luiza Bergmann
Jaime Ratinecas
Filippi Mazutti
Natali Caterina Karro
Fred Vittola
Roberta Alfaya
Caroline Martins
Manuela Albrecht
Elison Couto
Cícero Meincke Melo
Geórgia Reck
Bia Isabel Noy
Cristiane Bocchi
Bruno Krieger Martins
Raíssa Ferreira Panatieri



Lista de suplentes por ordem de chamada:

 1-Bruno Fernandes
2-Camila Martins Costa
3-Danuta Zagheto
4-Thaiane Estauber
5-Rafael Becker
6-Anna Júlia Feijó do Amaral
7-Paulo Roberto Farias
8-Deisy Meneghel
9-Paula Souza
10-Carlos Mateus da Silva Souza
11-Lucas Ferreira

domingo, 1 de abril de 2012

Conexão em Cena – formação, intercâmbio e montagem

O Porto Alegre em Cena - Festival Internacional de Artes Cênicas de Porto Alegre chega à sua 19ª edição com muita história pra contar. São centenas de espetáculos apresentados ao longo dos anos, sempre primando pela qualidade. Sua curadoria pinça as mais significativas obras e companhias do mundo inteiro, oferecendo ao público uma programação que inclui os maiores encenadores da atualidade, como Peter Brook, Ariane Mnouchkine e seu famoso Théâtre du Soleil, Eimuntas Nekrosius, Patrice Chereau, Bob Wilson, apenas para citar alguns. Capricha também nas produções brasileiras, argentinas e uruguaias, apresentando recortes do que há de melhor sendo produzido também na América do Sul.
Um festival desse porte e com tamanha importância, precisa estar em constante transformação, sempre pensando em novos projetos, propondo novos rumos e atividades que envolvam a classe artística e a população em geral. E foi nesse espírito que surgiu o Conexão em Cena – formação, intercâmbio e montagem, que consiste em reunir os quatro grandes grupos premiados com o Prêmio Braskem – neste caso os premiados da edição 2011 -, num projeto inédito: os grupos reunidos farão uma seleção de atores para uma montagem teatral, que terá ensaios a partir de abril, culminando com apresentações durante o festival. O texto será escrito pelo dramaturgo Diones Camargo, totalmente inspirado na vida e obra de Nelson Rodrigues e as apresentações serão no Centro Cenotécnico, um importante espaço para as artes cênicas do Estado. Teatro Sarcáustico, Companhia Santa Estação, Cia. Caixa do Elefante e Falos e Stercus formam este grande grupo de trabalho que, a partir de abril, se debruçará nesta primeira montagem do Conexão em Cena.
Oficinas internacionais serão oferecidas para o elenco selecionado. A primeira delas, com o ator Serge Nicolai, do Théâtre du Soleil - que virá a Porto Alegre especialmente convidado pelo Em Cena -, acontecerá no dia 17 de abril.
As novidades não param por aí: graças a uma parceria da Prefeitura de Porto Alegre, Governo do Estado e o Porto Alegre em Cena, o Centro Cenotécnico estará apto para abrigar o Conexão em Cena. Serão investidos recursos na estrutura do espaço, que será entregue para a comunidade a partir de então.

Inscrições e seleção:
· De 26 de março a 6 de abril.
· Enviar currículo e carta de intenção para o e-mail: conexaoemcena@gmail.com
· O resultado da seleção será divulgado no dia 11 de abril.

Pré-requisitos:
Podem se inscrever atores, bailarinos e músicos com alguma experiência em teatro.
  • Os selecionados deverão ter disponibilidade de participar do treinamento com os quatro grupos envolvidos, bem como das apresentações no festival Poa Em Cena 2012. Os ensaios ocorrerão no Centro Cenotécnico do Estado, sempre às terças, quintas e sextas, das 19h às 22h30, no período de 24 de abril a 9 de setembro.

Informações:
Poa em Cena
Trav. Paraíso, 71 - Bairro Santa Teresa
Porto Alegre-RS
CEP 90850-190 fone: (51) 32351120

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Carta aberta do Núcleo de Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil





UM PASSO À FRENTE‐
POR UMA POLÍTICA PÚBLICA PARA OS FESTIVAIS DE ARTES CÊNICAS

O Núcleo de Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil, desde 2003, vem atuando de forma compartilhada e cooperativa para a difusão das artes cênicas, mobilizando a cada ano um público de mais de meio milhão de espectadores. Composto hoje por oito dos principais festivais internacionais brasileiros, reunidos em Recife, por ocasião do 18º Janeiro de Grandes Espetáculos– Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco, vem a público propor um debate amplo e expressivo sobre a necessidade urgente da construção de uma política pública para os festivais realizados no país.
 Entendemos que esta política deve responder aos desafios colocados pelo avançado estágio de complexidade das artes cênicas brasileiras e ser capaz de criar um sistema orgânico, democrático e participativo, que viabilize a sustentabilidade dos festivais, independente de sua abrangência regional, nacional ou internacional.


Os festivais contribuem decisivamente para a difusão e circulação da produção de artes cênicas, promovem um abrangente trabalho de formação de público, fomentam o intercâmbio nacional e internacional, investem na qualificação artística, técnica e de gestão, contribuem para a difusão da imagem do Brasil no exterior, além de impulsionar mercados de trabalho e economias locais. Geram também uma interface com outros setores da economia e da sociedade, tais como turismo, educação, tecnologia, comunicação, ação social, entre outros.
Em 2011, os festivais do Núcleo apresentaram 81 espetáculos internacionais vindos dos cinco continentes; 289 espetáculos nacionais de todas as regiões do país; ocupando um total de 173 espaços, dentre teatros, centros culturais e palcos em praças e ruas das oito cidades onde foram realizados. Dos recursos públicos e privados investidos na realização destes festivais, cerca de setenta por cento, retornaram para a economia local. É importante reconhecer os avanços das ações e políticas desenvolvidas para a cultura nos últimos anos. Ampliou-se o acesso à produção dos bens culturais, apostando no desenvolvimento, na inclusão e na participação.
Por outro lado, os festivais de artes cênicas não foram objeto de um debate mais amplo e
de criação de programas e políticas específicas para este importante setor. Assim como para vários outros segmentos culturais, o ano de 2011, não foi bom para os festivais internacionais de artes cênicas. Para citar um exemplo, as recentes restrições da Lei de Diretrizes Orçamentárias impediram o repasse financeiro do Ministério da Cultura às associações de caráter privado sem fins lucrativos, e assim, os reduzidos recursos historicamente destinados pela FUNARTE a estes eventos não chegaram à maioria dos festivais. Os representantes dos oito festivais que compõem atualmente o Núcleo, que incluem regiões e realidades diversas, identificam que seguem existindo históricas dificuldades para o desenvolvimento dos festivais no país e uma imensa lacuna em relação a uma política pública consolidada, nas três esferas de governo. Uma política que vislumbre ações e metas de longo prazo, destinada ao fomento deste segmento que desempenha papel estruturante e fundamental nas artes cênicas. Por tudo isso, acreditamos que este é o momento da abertura de novos canais para reaproximação com as instâncias de poder e da sociedade, apostando, assim, em promissores caminhos para o desenvolvimento das artes cênicas de nosso país.
Nesse contexto o Núcleo de Festivais de Artes Cênicas do Brasil apresenta aqui suas diretrizes, estabelecendo como meta maior a contribuição na construção de uma política pública para os festivais.
1. A busca de um modelo de financiamento e gestão que se adeque às necessidades específicas dos festivais e aponte para uma estratégia de continuidade e consolidação;
2. Criação de canais de interlocução com ministérios diversos, além do Ministério da Cultura, buscando uma solução geral para os marcos regulatórios trabalhistas, fiscais e tributário;
3. Fomento à criação de encontros e redes relacionadas à produção de festivais de dança, circo e teatro;
4. Criação de um grupo de trabalho interministerial com o objetivo de tratar de questões transversais à realização de festivais;
5. Realização, pelo poder público, de estudos e pesquisas sobre os impactos artístico e econômico dos festivais;
6. Revisão da proibição do Governo Federal de realizar repasse de recursos diretamente a entidades da sociedade civil sem fins lucrativos;
7. Ampliação do diálogo com as três esferas de governo, iniciativa privada, meios de comunicação e sociedade em geral, reforçando a importância estratégica da realização dos festivais para o desenvolvimento artístico e econômico do Brasil.



Recife, 29 de janeiro de 2012

Porto Alegre Em Cena (RS)
Festival Internacional de Teatro‐ Palco & Rua de Belo Horizonte (MG)
FIAC Bahia (BA)
Janeiro de Grandes Espetáculos (PE)
Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (SP)
Cena Contemporânea‐ Festival Internacional de Teatro de Brasília (DF)
Festival Internacional de Londrina (PR)
TEMPO_FESTIVAL das Artes (RJ)


domingo, 27 de novembro de 2011

Os náufragos da louca esperança: venda de ingressos


 Dia 28 de novembro, segunda-feira às 9h, abre a bilheteria para as apresentações do espetáculo Les Naufragés du Fol Espoir, mais recente produção do grandioso grupo francês Théâtre du Soleil, dirigido por Ariane Mnouchkine. As apresentações acontecerão no Parque Eduardo Gomes na cidade de Canoas, de 6 a 11 de dezembro, às 20h.

Apresentações do espetáculo:
De 6 a 11 de dezembro, 20h - Parque Eduardo Gomes – Canoas
Av. Guilherme Schell, 3.600
Via Trensurb – Estação Fátima
Estacionamento no local

Os ingressos custam R$ 100,00 e serão respeitados todos os descontos oferecidos pelo 18º Porto Alegre em Cena.

Pontos de venda nas lojas My Ticket:
Rua dos Andradas, 1425 - loja 69 - Centro - Porto Alegre
Rua Padre Chagas, 327 – loja 06 - Moinhos de Vento - Porto Alegre
Canoas Shopping - Av. Guilherme Schell, 6750 - Centro - Canoas
Serviço de venda pela internet: www.ingressorapido.com.br

Limite de 04 ingressos por pessoa - 24h, a partir das 9h do dia 28 de novembro
Call Center: 4003-1212

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Viva Nora Bastos!

A pedido do Coordenador-geral do Porto Alegre em Cena, Luciano Alabarse, revelo um dos "mistérios" mais divertidos do 18º Porto Alegre em Cena: a tufônica Nora Bastos, autora de uma das postagens mais visitadas de toda a história deste blog
(http://poaemcena.blogspot.com/2011/10/pterodatilos-por-nora-bastos.html), é o pseudônimo (ou seria melhor dizer heterônimo?) do dramaturgo gaúcho Diones Camargo (que ilustra a imagem acima; importante dizer: Diones é o moço sem chifres, o de chifres você pode tentar adivinhar também a identidade secreta).
A Nora Bastos fez tanto sucesso com sua língua viperina, que certamente terá espaço garantido neste blog para futuras opiniões. Parabéns Diones, pelo bom humor e pela maneira inusitada de defender a liberdade de criação artística, que é exaltada por muitos apenas da boca para fora.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pterodátilos por Matheus Melchionna Diello

Nicky Silver?*

No dia 18 de setembro, estava marcada a sessão que eu iria assistir de Pterodátilos. A peça, dirigida por Felipe Hirsch, era uma das principais atrações do 18º POA Em Cena, todo mundo estava ansiosíssimo para assistir a montagem do diretor para o texto de Nicky Silver, dramaturgo contemporâneo americano. E pode-se dizer que o que menos se viu na encenação foi o texto original, mesmo que o texto adaptado pelo diretor seja a melhor coisa da peça.
Não que eu esteja desmerecendo o fabulo cenário de Daniela Thomas, muito menos a luz muito bem feita por Beto Bruel – dos quais já falo –, mas enquanto assistia à peça, as palavras que eram ditas me vinham com um peso, uma acidez incomodativa. A peça retrata a história de uma família que entra em crise após o filho voltar para casa depois de anos longe, revelando que está com AIDS. Nessa família, existe uma mãe alcoólatra, um pai distante, uma irmã louca e o seu noivo, que também é a empregada. As relações se mostram distorcidas, os diálogos são ágeis e por muitas vezes cheio de ironia e humor negro, onde mora o erro da montagem. O diretor optou por transformar o texto em uma comédia fácil, abusando das expressões “engraçadas”, e também em uma peça onde um ator teria mais destaque que os outros: Marco Nanini.
Ele fazia dois personagens – o pai e a irmã – e por causa disso, vários momentos de interação desses personagens foram cortados, o que também enfraqueceu o texto. E por fazer um personagem feminino, só de entrar em cena, já garantia a gargalhada do público, que estava extremamente risonho no dia - era até um pouco constrangedor que em momentos mais pesados houvesse risadas em diversos pontos da platéia. Talvez por causa disso, o outro personagem que Nanini fazia sempre que entrava parecia apagado, sem vida. Faltava alguma coisa ali.
Os outros atores estavam bem, principalmente Marina Lima, que cada vez mais se destaca como uma das melhores atrizes de sua geração. A sutileza com que ela constrói a mãe que não se preocupa com seus filhos, alcoólatra e extremamente viciada nas aparências é impressionante. Os que menos se destacavam era o noivo, que não aparecia muito, e ironicamente, o filho, que no texto seria o protagonista. Ele cumpre a sua função muito bem, mas parecia que faltava algum entrosamento das suas ações com o resto, principalmente na hora de tirar o chão do cenário. A metáfora do título do texto – pterodátilo, um dinossauro extinto, e a família – perde-se completamente, pois os ossos que estão escondidos debaixo das folhas secas da plataforma não são mostrados completamente e parecem apenas decoração.
Essa plataforma, junto com os sofás em cima da mesma, eram o cenário. Ela tinha uma função interessante: se inclinar durante toda a peça, desequilibrando os atores. Como efeito estético, é muito bonito ver isso em cena, o problema é que logo na sua primeira inclinação, ela começava paralela ao solo, já tinha alcançado toda a sua possibilidade de inclinação, ou seja, não iria mais trazer surpresa ao público. E mesmo a sua inclinação era pouca, ainda trazendo comodidade ao atores caminhando em cena, que se fosse para realmente mexer com as estruturas dessa família, seria preferível a inclinação ir aumentando aos poucos até um grau onde seria realmente impossível de caminhar.
Tanto a plataforma, quanto os sofás, também o piso e a parede atrás de tudo isso, tem um tom metalizado, industrial. Os figurinos também seguem essa linha sóbria, cheio de preto, branco e cinza – as únicas cores são a saia roxa da filha e o figurino do filho, todo marrom. A luz, que tem uma montagem interessante, de troca de focos, é essencialmente branca, trazendo mais desse clima para o espectador. Tudo converge para um mesmo símbolo, o que pode ser interessante, depende de quem está assistindo. A única exceção é quando a filha, já morta, volta para falar com o público e aí se utiliza o refletor sem o difusor, deixando a sua luz amarelada em cima da mesma, trazendo então mesmo a sensação que estamos a falar com o passado, pois acostumado com a luz branca, essa luz amarela modifica a percepção e tudo parece enevoado.
No fim da peça, há um monólogo do filho, enquanto sua mãe bebe e o noivo é mostrado morto, com uma luz fluorescente piscante e nesse clima sombrio, acaba por ser introduzida a mensagem da peça, um pouco tardiamente. Nesse momento, o teatro é silêncio, nada se escuta a não ser o ator e o barulho do ar-condicionado - parece que finalmente é percebida a natureza ácida do texto.
Infelizmente, Felipe Hirsch parece ter errado a mão ao transformar a peça em nada mais que entretenimento barato, sem mostrar essa família realmente se destruindo, tudo conseqüência dos seus cortes no texto e inserção de outros textos do mesmo dramaturgo, mas mesmo com tudo isso, o que mais chama em sua montagem é o texto e as suas tiradas satíricas de humor negro.
* Matheus Melchionna Diello é estudante do Departamento de Arte Dramática da UFRGS

Uma flauta mágica por Manoela Wilhelms Wolff

“A” flauta mágica*

Uma flauta mágica, espetáculo trazido a Porto Alegre pelo encenador e diretor Peter Brook, baseado na ópera homônima de Mozart, e livremente adaptado por Brook, juntamente com Marie-Hélène Estienne e Franck Krawczyk, com certeza além de trazer uma flauta em cena, trouxe também muita magia.
A história da ópera - no libreto original com cerca de três horas de duração, no de Brook, com uma hora e meia - é uma história de amor. Tamino, um jovem príncipe, se apaixona por Pamina, a filha da Rainha da Noite, que está, no momento, mantida em cárcere por Sarastro. Tamino conhece na floresta Papageno, um atrapalhado caçador de pássaros que vai auxiliar Tamino a salvar Pamina de Sarastro. Nesse momento é que entram os dois atores (espíritos da floresta) de Peter Brook que entregam aos dois uma flauta e um triângulo, que são objetos que os protegerão durante sua jornada. Diferentemente do roteiro original, Uma flauta mágica de Brook, é cantada e dialogada. A narrativa é feita especialmente nos diálogos, enquanto as mais célebres árias da ópera foram mantidas. No elenco, que possui dois grupos completos que se apresentam alternadamente, existem sete cantores líricos e dois atores. Aqui em Porto Alegre, um grupo de cantores/atores se apresentou na quarta e na sexta-feira, e o outro na quinta-feira.
Com os atores de pés descalços, a atmosfera é onírica e intimista. As luzes da plateia ficaram o tempo todo levemente acesas e o cenário já estava à mostra quando entrava-se na sala de espetáculos do Bourbon Country. Alguns bambus no palco, com uma iluminação azul ao fundo, mas com foco amarelo nos bambus permaneceu assim por quase todo o espetáculo, exceto nos momento do ritual de iniciação de Tamino e Papageno. Além dos bambus, que durante o espetáculo eram manejados pelos atores e transformados tanto em castelo, como túneis, como prisão e floresta, utilizava-se, na cena com Papageno e Papagena, um caixote com rodinhas (aparentemente de transporte aéreo), um manto vermelho, uma garrafa de vinho e um jantar. Como acessórios, visualizamos a flauta mágica e o triângulo mágico. Afora isso, eram só os cantores/atores.
A respeito dos cantores/atores também deve ser feito um comentário. Com certeza, a parte musical estava excelente, principalmente pela vanguarda de Brook: ao invés de uma orquestra completa, apenas um pianista, que em alguns espetáculos era o próprio Franck Krawczyk e em outros Matan Porat. Os sete cantores, fizeram muito mais do que é o papel de um cantor lírico: eles mostraram organicidade e energia, retiraram o ar conhecido da ópera (de algo muito mais realista e “pomposo”) para algo simples. Além disso, renderam (principalmente os Papagenos) momentos de risadas enfáticas. As músicas eram cantadas em alemão e os diálogos em francês, e, conforme pessoas que sabem francês e alemão, percebia-se o sotaque em ambos, apesar disso não ser o suficiente para atrapalhar o entendimento (além de legendas, para aqueles que não compreendem nenhuma das duas línguas). Os dois personagens que eram feitos propriamente por atores (os espíritos da floresta), com certeza representavam o antropológico de Brook: movimentos precisos e energéticos, um deles nada fala, comunicando-se apenas visualmente, enquanto o outro até mesmo arrisca palavras em português. Seus figurinos e penteados excêntricos, com certeza atraem o foco dos olhares.
Mas além dessas questões bastante práticas de como funcionou o espetáculo, é necessário acrescentar que foi com grande espera que Peter Brook voltou ao Brasil. Não foi somente em Porto Alegre que os ingressos se esgotaram rapidamente, mas São Paulo e Rio de Janeiro tiveram sessões extras. E não somente em âmbito nacional, América do Norte e Europa também aclamaram o espetáculo. Mas o que será que chamou mais atenção dos espectadores, o nome de Peter Brook, o de Mozart, ou a busca por uma ópera mais leve?
Aqui, muitas pessoas na saída do teatro disseram que o que Brook e sua equipe produziram não foi uma ópera. Em contraposição a isso, faço minhas as palavras de André Toso, que criticou o espetáculo para a Revista Bravo!:
“De uma maneira geral, no entanto, a aproximação entre a ópera e o teatro de vanguarda é um casamento apropriado. Afinal, a ópera foi inventada na Florença do século 17 justamente para ser a primeira forma de arte multimídia. A ideia era misturar talentos de várias áreas artísticas e deixá-los criar livremente (...) Nesse sentido, os encenadores – especialmente os mais criativos – são extremamente bem-vindos ao mundo da ópera, uma forma de arte que já nasceu de vanguarda.” (Bravo! Setembro, 2011)
Acredito que avaliamos provavelmente mal a ópera de Brook, porque temos pouquíssimo contato com o gênero no nosso país. Não sabemos direito nem bem como ele é originalmente, imagine óperas vanguardistas. Mas, para pessoas que se deixam envolver no espetáculo e o admiram sem conceitos pré-estabelecidos o encantamento é o mesmo, porque a mensagem é comunicada. Peter Brook, em uma de suas falas a respeito do espetáculo por ele dirigido, ressalta ainda mais o que acontece longe do Brasil, mas que na Europa e Estados Unidos está em “voga”:
“nos últimos trinta anos, vi muitas encenações de A flauta mágica. E pude constatar que a primeira dificuldade para o encenador e o cenógrafo é o conjunto de imagens que considero demasiado imponente: no caso de Carmen, é um pouco como se a imagem que se projeta e que se espera tivesse um peso excessivo em relação ao restante. A ideia é chegar a que os cantores – jovens cantores – avancem de modo natural, vivo, amável, no desenrolar da intriga sem se impor projeções, construções, vídeos ou cenários giratórios…”.
Não se leva mais tanto em consideração (seja no teatro, seja na ópera – ou seria a mesma coisa?) a imponência de um cenário, de um figurino, ou de uma figura “estrela” do elenco: se leva o todo, o que o todo comunica. Tanto que, pouco nos importa o nome dos atores de Uma flauta mágica, apesar de que o nome de Brook chame público. Mas este é um fardo unicamente dele que cometeu a terrível falha de ser inovador na arte da encenação.
Uma flauta mágica, para mim, é A flauta mágica. Foi minha primeira ópera e meu primeiro espetáculo de Peter Brook. Mas acima de tudo, me deu uma nova visão, me trouxe coisas que eu não conhecia, perspectivas sobre um gênero que até então só via em livros. O espetáculo Uma flauta mágica foi com certeza simples, mas não simplista.
* Manoela Wilhelms Wolff é estudante no Departamento de Arte Dramática da UFRGS

sábado, 22 de outubro de 2011

A vida como ela é por Eriam Schoenardie

A vida como ela não é*

Devo admitir que, ao me incorporar à plateia do espetáculo A vida como ela é, já tinha algumas perspectivas quanto ao estilo de representação escolhido pelo diretor Luiz Arthur Nunes para a peça que estava por vir. Para transformar em ação dramática cinco contos escritos por Nelson Rodrigues para uma coluna de jornal homônima na década de 1950, são empregadas técnicas do teatro épico desenvolvido por Brecht que visam o distanciamento do espectador perante as situações narradas. Nesse sentido, a obtenção da não-identificação do público se dá com êxito, exemplificada pelas risadas nervosas dos espectadores até em momentos de carga dramática mais densa. Ao optar por esse estilo de trabalho, o diretor acerta com a sua vontade de usar de diferentes meios cênicos para contar histórias, porém acaba por se perder em meio a excessos e superficialidades.
Basicamente, parecem questionáveis algumas escolhas da montagem. O primeiro conto mostrado, por exemplo, enfraquece o começo do espetáculo ao recorrer a quadros vivos compostos por dois atores, que ilustram fielmente a história relatada pelos demais. A novidade da proposta se esgota rapidamente, dando lugar a uma monotonia intimamente ligada ao caráter estático que circunda não só os referidos quadros, mas também a montagem como um todo. Por isso, vibramos ao ver uma maior movimentação corporal, como é o caso do “coro” de quatro personagens do terceiro conto, brincando com o uso de leques (desgastado, mas que funciona) e com uma dinâmica estrutural acelerada que encaminha o conto para um desenlace belamente contrastante ao da atmosfera instituída. É, sem dúvida, uma encenação que priva por uma marcação exata dos atores, característica que às vezes parece suprimir o trabalho destes e que instaura a questão: “Aquilo não poderia ter sido explorado mais a fundo?”.
O segundo conto se desenrola não menos estático, porém esteticamente mais interessante. A manipulação de atores que tem a sua face substituída por uma máscara de feições neutras é, sem dúvida, a escolha de maior beleza de toda a peça. Os usuários destes adereços se entregam nas mãos de outros colegas de elenco, para serem manobrados como se fossem marionetes de carne e osso, seja na questão dos movimentos ou até mesmo das falas (o quarto conto também se aproveita dessa ferramenta de ventriloquia, diferenciando-se ao excluir as máscaras e agora dar voz aos bonecos vivos).
Os elementos visuais, na sua maioria, são vibrantes e extravagantes. O figurino remete à época dos contos, com característicos vestidos de bolinhas em diferentes cores para cada uma das atrizes e ternos impecáveis para os homens. O cenário se resume a estruturas com design de páginas de jornal, reforçando a origem dos textos, que ao final de cada conto se iluminam e revelam uma imagem que ressalta a construída em palco. Essa última característica é desnecessária e ameaça inclusive ofuscar as imagens criadas ao final de cada quadro, já bastante significativas e por vezes muito bonitas (como é o caso dos contos dois e três).
A luz de palco é uma constante de iluminação geral para meia luz de troca de contos, sendo explorada sem muita elaboração cênica, exceto pela ajuda na criação de efeitos em algumas imagens finais. Em contrapartida, a sonoplastia tem um papel muito mais presente, sendo um recurso por vezes invocado desnecessariamente. O repertório vai de músicas populares de reconstituição histórica brasileira até músicas clássicas que sublinham a suposta tensão do enredo. Esse misto dá um clima brega a toda a trilha que, se assumida como proposta, poderia ser interessante e condizente com a forma de interpretação exagerada. Porém, esse ideal de encenação parece não se impor e o que se sucede é uma série de intervenções musicais que chegam a beirar um melodrama que se envergonha de ser melodramático.
A adaptação do texto, também feita por Luiz Arthur Nunes, acerta ao preservar grande parte da estrutura narrativa original, dando aos atores a figura de narrador em terceira pessoa ao mesmo tempo em que outros se encarregam dos diálogos. Em suas tramas, Nelson Rodrigues retratava as patologias psicológicas do subúrbio carioca usando de um caráter de depravação sexual e morbidez criminal que rodeou toda sua obra, mas que aqui é apresentado de forma muito atenuada. Assim, a encenação acaba por tomar uma válida posição de comicidade sobre tais temáticas, uma vez que o distanciamento proposto pela montagem se associa à uma análise feita por um espectador “distante” daquela época posta em palco. A exposição do texto revela outro aspecto positivo que vem como uma redenção para a falta de ações físicas mais complexas: a oralidade do elenco, que se caracteriza por uma ótima gesticulação e projeção vocal, a última talvez beneficiada pela acústica do espaço teatral.
Ao fechar das cortinas, o resultado de tudo que se vê é claro narrativamente, porém confuso teatralmente. A impressão que paira é de que as diferentes estéticas de representação dramática exploradas se tornam avulsas quanto à encenação vista em sua totalidade, uma vez que não estão amarradas entre si. Fica a dúvida, por fim, se a clássica regra do “menos é mais” não se aplicaria aqui com perfeição, optando somente pelos melhores mecanismos que preservassem a proposta geral, que em minha opinião se apoia na união de elementos de determinada época para discernir psicologismos atemporais. Infelizmente, tais signos históricos se sobressaem perante o argumento que visa a análise do “interior negro” humano, afastando demais o espectador da encenação e dando a irônica impressão de que o que contemplamos é o ser humano como ele não é, a vida como ela não é.
* Eriam Schoenardie é estudante do Departamento de Arte Dramática da UFRGS