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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Fã: Goran Bregovic & Weddings and Funerals Oschestra

 Foto: Creative

Este show pode mudar sua vida!

Em 2001, quando o Goran Bregovic veio pela primeira vez a Porto Alegre já fazia quase dois anos que eu estava na Europa tocando com minha banda punk chamada NO REST. Os Punks, na Europa, tem muito em comum com os ciganos, moram em ocupações que são transformadas em centros culturais e viajam muito em seus caminhões-casas. Foi em um destes locais que mais se parecia um cenário do filme Mad Max, em Biel, na Suíça, que uma amiga nos gravou um fita cassete com músicas do Bregovic. Digamos que foi amor a primeira escutada, a fita passou a ser a mais ouvida durante as nossas viagens e nos acompanhou pela Europa toda inclusive pelos Balcans. Do show de 2001, que eu não fui, só ouvi coisas maravilhosas e pensei se um dia teria eu a oportunidade de ver um show dele ao vivo... Nove anos se passaram e, no 17º POA em Cena, eis que Goran Bregovic está de volta. A notícia bombástica da confirmação do nome Goran no festival me encheu de alegria e, sem dúvida nenhuma, lá estava eu para comprar os ingressos para o show, dormindo na fila pra não perder este espetáculo.

Ontem, no teatro do Bourbon, Porto Alegre presenciou um dos melhores shows de todos os tempos. Foi lindo, emocionante! É uma sensação que não se pode medir com palavras e, sim, com sorrisos e lágrimas. A música de Goran Bregovic é altamente recomendada para o bem estar de qualquer pessoa. Um som que bate no peito e faz o corpo estremecer. Não houve quem ficasse parado. Não houve quem saiu de lá triste e, de um certo ponto do show pra frente, não houve mais cadeiras numeradas e sim uma alegria contagiante que partiu do palco e encheu o local. Só tenho a agradecer o POA em Cena por esta possibilidade de ver um show tão lindo como este.

Hoje estarei lá novamente. Não poderia deixar de ir. Quem ainda puder, mesmo se não tiver ingresso, vai pra "fila do sem". Insista! Apareça! Este show pode mudar sua vida!

Go East!

*



Bob Bahlis #2: Alkohol


Cena 1: Abriram-se as cortinas

Começou o Porto Alegre em Cena. Teatro lotado e plateia muito animada. O público foi ao delírio com o espetáculo musical "ALKOHOL", nesta última quarta-feira, no Bourbon Country. O talento musical de Goran Bregovic e sua “Weddings and Funerals Oschestra”, formada por uns 16 músicos, causou um efeito sobrenatural. Sabe aqueles supostos poderes mágicos da boa e velha música?

Escutei algumas garotas enfeitiçadas, suspirando pelo Goran, que usava um belo terno branco. Muita gente dançando no teatro. Alguns até soltavam gritos mais prolongados, uivavam. Defloramos a música; sedução sonora e artística.

A atriz Sandra Dani, o diretor de teatro Camilo de Lélis e o prefeito de Porto Alegre José Fortunatti, falaram especialmente para o Blog do Poa Em Cena.

Bob Bahlis: O que você achou do espetáculo?
Sandra Dani: Gostei muito da música, tocante, contagiante. Um rítmo cigano que também remete à música espanhola.

Camilo de Lélis: Gostei muito da pegada musical. Muito vital, física, uma música que parece sair das entranhas da terra. Eles são Ctónicos.

José Fortunatti: Achei fantástico, surpreendente. Um estilo musical extremamente envolvente, encantador, algo muito diferente.

*

Bob Bahlis:Quem tu convidarias, pra ver uma peça contigo?
Sandra Dani: Eu te convidaria, Bob Bahlis.

Camilo de Lélis: Esse pessoal da Sérvia e depois tomaríamos uma vodka.

José Fortunatti: Todas as camadas sociais.

Bob Bahlis:Quem tu não convidarias?
Sandra Dani: Políticos chatos.

Camilo de Lélis: Robert Wilson.
José Fortunatti:Aqueles que não gostam de cultura.
*

Bob Bahlis: Complete a frase: "O Porto Alegre em Cena é melhor que ..."

Sandra Dani: "... muitas coisas que acontecem pelo mundo. Estamos vivenciando uma celebração cultural, do belo teatro, raro de se ver na programação de um mesmo Festival.

Camilo de Lélis: "... qualquer outro Festival da América Latina."

José Fortunatti: "... tantas coisas..."

*

Bob Bahlis: Camilo e Sandra, duas peças que estão na agenda de vocês?

Sandra Dani: Só duas? Tobari, do Japão e os Uruguais.

Camilo de Lélis: Muitas peças. O Idiota , da Lituânia; e As Troianas- vozes da guerra, de São Paulo.

*

Bob Bahlis: Sandra Dani, tem alguma peça, texto, personagem, que sonhas fazer?

Sandra Dani: Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906/1989), escrita originalmente em francês e publicada em 1952.

Bob Bahlis: Como é a sensação de ser homenageada neste Porto Alegre em cena?

Sandra Dani: Pura felicidade. Em 2012, completo quarenta anos de teatro. Essa homenagem mostra que meu trabalho está chegando às pessoas.

*

Amanhã tem mais...

Desculpe qualquer erro.

Sabe aquela velha dislexia que tenho, né?

Bob Bahlis


*Bob Balis (40 anos) é diretor de teatro e dramaturgo. Dirigiu os espetáculos "Stand Up Drama", "Dez(quase)Amores" , "Filhote de cruz credo", "Tem Quintana na Casa", "Homens", entre outros. Em novembro, estreia a comédia adulta Morgue (texto e direção). Em 2011, pretende montar a peça "O dia mais quente do ano" (texto e direção). É professor de teatro da escola Cômica Cultural.

Rodrigo Monteiro #1: Alkohol

Foto: Andrew Sykes

Casamento

Há um diretor de teatro polonês chamado Tadeusz Kantor (1915-1990) que ficou muito conhecido por suas experimentações teatrais entre anos 40 e 70. Algumas vezes em cena simplesmente sentado assistindo aos seus atores ou ele mesmo interpretando algum personagem, uma das questões que chamam a atenção do ponto de vista da narrativa é seu tema. Kantor, além de ter ficado conhecido pelas performances e happenings, apresenta ao mundo ele mesmo, suas memórias, seu interesse pela cultura judaica (sendo católico), seus exorcismos. Há muito o que se dizer sobre ele, mas, no segundo dia do 17º Porto Alegre em Cena, me vem a imagem desse senhor sentado no palco, de costas para o público, ouvido sua própria história pelos movimentos do seus atores e oferecendo isso tudo ao seu público, atrás de si. Em cena, Goran Bregovic conta a sua história.

“Alkohol” pode, sim, ser visto como um show musical em que músicas de diferentes culturas (cigana, búlgara, eslava, latina!,...) se encontram. Mas, se o leitor do show reconhecer que essa é a vida do seu maestro e de seu intérprete mais importante, a forma de ouvir se modifica. “Weddings and Funerals Orchestra” é uma reunião de grupos musicais representativos desses sons, dessas culturas, desses lugares que, para nós, é distante. Não importa a cultura, todos os humanos vivem a realidade de funerais e a realidade de casamentos. E esse eixo gira em diversas velocidades, em diferentes mãos, mas gira. O espetáculo de abertura do Porto Alegre em Cena de 2010 expressa, como talvez poucos em sua história de aberturas, a realidade composta de diferentes realidades.

Nunca tinha ouvido falar em Goran Bregovic até a produção da revista de programação. Em volta de mim, algumas pessoas também não. Mais adiante, fãs incondicionais do iuguslavo que cantarolavam as letras das músicas e já conheciam não apenas o último CD como outros anteriores e suas participações no cinema. Entre nós, algum outro grupo de espectadores que tinha ouvido um música aqui outra ali sem muita paixão, mas com uma admiração que o fez vir ao show. Pessoas diferentes, repertórios diferentes, o mesmo giro.

A oração do Kyrie Eleison, duas vezes repetida, traz a referência do cristianismo bizantino, a missa cantada medieval e ortodoxa que exige do orante uma postura bastante mais contemplativa e bem menos carismática. É uma oração de Ato Penitencial em que pedimos perdão pelos pecados diante do sacrifício de Cristo. A oração do Sanctus, no mesmo culto, é um ato de louvor diante da transformação de carne e sangue em pão e vinho na eucaristia. O corpo que se renova, morre, mas continua presente.

Em oposição, a música, a dança, a alegria de diversas culturas que celebram a união, a conquista, o amor. “Até que a morte os separe!” encontra, nesse espetáculo, o seu início e o seu fim, enquanto nós celebramos o seu meio. Um meio que vai e vem, que gira da alegria para tristeza, das palmas à oração, do levantar e dançar ao recolher-se na poltrona. Do palco, o que vemos é uma união sincera: assim como o deve ser na vida e na morte.

No meio de uma oração quase fúnebre sem sê-la, uma atriz manda beijinho para seu colega músico do outro lado do palco. Os rapazes debocham, os violinistas cansam, os cantores se concentram à guisa da disciplicência que mostra ser aquilo tudo, antes de qualquer coisa, uma festa. Alen Ademovic seduz quem quer que seja protagonizando, em destaque, a gentileza de Bregovic em que dividir seu brilho com o músico mais novo. A Goran, tal como a Kantor, cabe o papel do professor que vê seus alunos mortos como em Dead Class. Talvez a diferença entre os dois artistas, e entre dos dois espetáculos, seja o fato de que as lembranças de Kantor morrem enquanto as de Bregovic se casam.

Se casam com as nossas, que não esqueceremos a energia vibrante de “Alkohol”.


*

Ficha Técnica:

Compositor e Diretor: Goran Bregovic

Weddings and Funerals Oschestra:

Banda de metais ciganos: Alen Ademovic (tambor, vocal), Bokan Stankovic (trumpete 1), Dalibor Lukic (trumpete 2), Stojan Dimov (saxophone, clarinet), Milos Mihajlovic (trombone 2) e Aleksandar Rajkovic (trombone 3, glockenspiel).

Vozes Búlgaras: Ludmila Radkova-Trajkova e Daniela Radkova-Aleksandrova.

Sexteto de vozes masculinas: Dejan Pesic (1º tenor), Nenad Cica (2º tenor), Igor Arizanovic (2º tenor), Vladimir Rumenic (barítono), Dusan Ljubinkovic (baixo) e Sinisa Dutina (baixa).

Quarteto de cordas: String quartet: Ivana Matejic (1º violin), Bojana Jovanovic (2º violino), Sasa Mirkovic (alto) e Tatjana Jovanovic (violoncelo).

Engenheiro de som: Dusan Vasi

Duração: 2h30min sem intervalo

* Rodrigo Monteiro: Licenciado em Letras - Português/Inglês pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.Bacharel em Comunicação Social - Habilitação Realização Audiovisual pela mesma universidade. E mestrando em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Jurado do Troféu Açorianos de Teatro 2010 e, também, do Troféu Braskem 2010, é autor do blog www.teatropoa.blogspot.com de Crítica Teatral de Porto Alegre

terça-feira, 6 de julho de 2010

Abertura


Petrobras, Braskem e NET apresentam
17º Porto Alegre em Cena


O Porto Alegre em Cena chega a sua 17ª edição com a excelência que faz dele um dos maiores festivais de teatro do mundo.  Alguns dos mais incríveis encenadores e artistas estarão reunidos na cidade em setembro: Bob Wilson, com sua montagem de “Happy Days”, de Samuel Beckett; o lituano Eimuntas Nekrosius apresentando, de Dostoievski, o célebre romance “O Idiota”; Ute Lemper cantando um repertório escolhido a dedo, em que figuram desde os clássicos do cabaret alemão até Nick Cave; Goran Bregovic e sua incrível orquestra num repertório báltico desbravador; “Antígonas”, uma montagem argentina estrelada pela grande Ingrid Pelicori; a cantora portuguesa Maria João e o pianista Mário Laginha, juntos, no lançamento de “Chocolate”; Enrique Diaz com a premiada “In on It”; os gaúchos Paulo José, e a sensível encenação de “Um navio no espaço ou Ana Cristina César”, e Gilberto Gavronski, com “Dona Otília e outras histórias”, de Vera Karam; Adriana Calcanhotto e Marcelo Jeneci, com “Partimpim Dois” e “Feito para acabar”; citando alguns exemplos internacionalmente conhecidos. O festival, que acontece entre 8 e 27 de setembro,  reúne ainda o melhor da produção local em um conjunto de dez espetáculos que concorrem ao já tradicional Prêmio Braskem Em Cena. A cerimônia de entrega dos prêmios deste ano traz a participação de um dos grandes espetáculos gaúchos na temporada 2009: “Cabarecht”, de Humberto Vieira.

Realizado pela Prefeitura de Porto Alegre, com a parceria das empresas Petrobras, Braskem e NET, que apresentam o festival, mais a Caixa, a Multiplan - BarraShoppingSul e a Cia Zaffari, que completam o time de patrocinadores, o Em Cena ganhou grandes proporções e muita credibilidade ao longo das dezesseis edições anteriores, tornando-se um dos principais eventos do gênero no Brasil. Projeta-se mundo afora graças à qualidade e à diversidade de sua programação. Japão, França, Lituânia, Portugal, Espanha, Suíça, Alemanha, Itália, Venezuela, Argentina e Uruguai são países que se fazem presente nos palcos gaúchos nesta edição. Amazonas, Ceará, Pernambuco, Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná são os estados brasileiros representados com espetáculos este ano.    

Mais uma vez, o Projeto de Descentralização levará espetáculos a todas as regiões periféricas da cidade, como uma iniciativa consolidada na grade do festival, levando arte e cultura para essas comunidades. As atividades formativas também enriquecem e dão organicidade ao festival. São oficinas abertas ao público interessado, gratuitas, com renomados atores, diretores, professores, figurinistas, cenógrafos, iluminadores, enfim, todo o universo de pessoas ligadas às artes cênicas. O Ponto de encontro do festival, nesta edição, prioriza o encontro de artistas potencializando atividades e troca de idéias. O local escolhido para esta agradável atividade foi o recém aberto Café Bertoldo, da Casa de Teatro de Porto Alegre.