Mostrando postagens com marcador A megera domada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador A megera domada. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Jorge Arias #2


 Martes, 21 de septiembre, 2010 - AÑO 11 - Nro.3753
http://www.larepublica.com.uy/cultura/424630-el-festival-internacional-de-teatro-de-porto-alegre-sigue-su-marcha

Rubros, Lonesome cowboy, A megera domada, Babau e Um navio no espaço

Continúa en diversos escenarios de la ciudad de Porto Alegre (Brasil), la décima séptima edición del ya tradicional Festival Internacional de Teatro que, año tras año, convoca a una multiplicidad de artistas provenientes de las más diversas partes del mundo y a multitudes de espectadores.

En esta segunda entrega reseñaremos varias obras, entre ellas Rubros: vestido - bandeira - batom (Minas Geraes) que es el complicado título de un encuentro entre dos amigas.

El arranque nos trajo una clara reminiscencia de El turista accidental de Anne Tyler, en el cine por Lawrence Kashdan (William Hurt y Geena Davis). Una de las amigas (Daniela Cabral) está profundamente deprimida porque ha perdido un niño, víctima accidental de un tiroteo en la puerta de la escuela a donde no acudió en hora. Corteja el suicidio, se siente culpable; su amiga (Ana Regis) trata de volverla al rojo vivo de la vida, de ayudarla a rearmar su casa y su no menos desvencijada existencia. La obra es una serie de conversaciones en el hogar que se derrumba; conversaciones que parece tener éxito terapéutico. La actriz Ana Regis obtuvo un premio por su interpretación.

Lonesome cowboy (Suiza) podría llamarse "Usted no ha visto todo en materia de ballet", porque a nada se parece. Cinco bailarines, con ropas convencionales, patinan, se deslizan, arrastran, saltan, se agreden, se revuelcan sobre un piso cubierto de una arena negra; o bien la obra contiene improvisación de altísimo nivel, lo que parece muy difícil, o bien simulan magistralmente los azares de luchas callejeras, lo que es más difícil todavía. Hay una brisa, un hálito fugaz que llega desde las Brokeback Mountains; y la destreza técnica de los bailarines se acerca a lo imposible y al fin nos sentimos admirados, sorprendidos y un poco exhaustos.

A megera domada (La fierecilla domada de Shakespeare) es un espectáculo callejero dado con la energía habitual en el activo e inteligente Jessé Oliveira -que el Uruguay premió por su Hamlet sincrético y del que comentamos recientemente O osso de Mor Lam- con máscaras, música y canciones, no ya con "Caixa preta" sino al frente de un grupo de Caxias do Sul. Como el día señalado llovía, Jessé hizo la obra dentro de la Usina do Gasómetro, con una limpieza de ejecución y un cuidado de los detalles como si siempre hubiera sido allí.

Babau fue una apoteosis de muñecos, esta vez en gran cantidad de personajes, en la tradición de los "mamelungueiros", manipulados aquí por un diestro equipo dirigido por Marcondes Gomes Lima. El "mameluco" es un mestizo de indio con blanco; invariablemente los bandidos son blancos, incluyendo el Diablo, el peligroso Babau, y los buenos son negros o indios; todos son un poco desvergonzados y otro poco ingenuos, siempre de una pieza y directos, siempre en la tradición de maridos engañados, mujeres lúbricas, soldados apocados, delincuentes simpáticos, golpes y porrazos.

Um navio no espaço o Ana Cristina César trata de la vida (1952- 1983), poesía de la poeta de Río de Janeiro Ana Cristina César. Con una afición especial por la literatura inglesa, César vivió años en Gran Bretaña, leyó y admiró a la poeta Sylvia Plath y, como ella, escribió un diario íntimo y se suicidó en plena juventud. Ana Cristina nos llega por Ana Kutner, que tiende a un tono exasperado y autoritario; la pieza es, más que otra cosa, un paseo un tanto impersonal por la literatura del mundo, con alusiones a Baudelaire, Mallarmé, Emily Dickinson, García Lorca y otros.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mauricio Guzinski: A megera domada


Infinitas possibilidades para domar uma megera

É impressionante a multiplicidade de leituras que o teatro de Shakespeare permite. Talvez por isso sua obra permaneça atual e a merecer sempre novas montagens. Com A megera domada, não poderia ser diferente; comédia vista há pouco tempo, em Porto Alegre, com a Cia. Rústica, dirigida por Patrícia Fagundes; e, agora, com o Grupo Ueba / Produtos Notáveis, sob a direção de Jessé Oliveira. Dois grupos gaúchos, dois olhares distintos e igualmente válidos para The taming of the shrew.

A tradução do título da peça, ao pé da letra: A doma da megera, evidencia “um processo de domesticação” (socialização, doma) que irá transformar a voluntariosa Catarina – intratável primogênita do rico Sr. Batista, irmã encalhada da cortejada Bianca – em “submissa” esposa do caça-dotes Petrúquio. Traduzir a peça como A megera domada, no Brasil, ou A fera amansada, em Portugal, é bem aceito “desde sempre”. Entretanto, ambas versões, antecipam “o resultado” da “doma da megera” como se ele fosse pacífico e certo, já no título. Todavia, para ter certeza sobre “quem doma” e “quem é domado”, nesta obra, é necessário ler com atenção até a última linha (e entrelinha) do autor.

Jessé Oliveira e o Grupo Ueba, para darem nova roupagem à Megera do Bardo e ao tema da dominação entre gêneros e papéis sociais, escolhem o recurso do “teatro dentro do teatro” que é utilizado por Shakespeare, não apenas nesta, mas em diversas de suas peças (Hamlet, Sonho de uma noite de verão, etc.). A equipe de criação decidiu eliminar o recurso tal qual aparecia no texto original – apenas uma moldura que introduzia o embate entre Petrúquio e Catarina – para transformá-lo em elemento unificador e condutor do espetáculo. Nesse viés, uma trupe de atores da Commedia Dell’Arte apresenta, em forma de teatro de rua, uma mescla do texto de Shakespeare ao de Goldoni, Arlequim, servidor de dois patrões. Desta forma, o metateatro, aqui, vem nos lembrar “o tempo todo” que o que nós estamos vendo é apenas uma peça, uma representação da vida. O recurso é evidenciado através da troca de personagens, máscaras e figurinos, aos olhos do público.

Enquanto construção dramatúrgica, as escolhas estão justificadas a contento, porém, ainda falta ao conjunto de atores um domínio maior do uso da máscara e da linguagem corporal codificada que caracteriza o gênero teatral pretendido. Necessita o grupo dar ao conjunto da obra a qualidade que só é alcançada em alguns momentos bem marcados, precisos e limpos; como aquele em que pretendentes e criados tentam escapar, em câmara lenta, da bengala do Sr. Batista, pai de Catarina e Bianca. Um belo e divertido instante.

O grupo e o diretor conseguem tornar uma provável dificuldade inicial (o fato de não possuírem uma segunda atriz, no elenco) na ótima solução de representar Bianca através de diversas bonecas: uma diminuta e inexpressiva Barbie, uma boneca de trapo que cresce até parecer boneca-objeto-erótico-inflável. A solução contribui para a discussão do tema.

A equipe reduz o belo (e polêmico) discurso final: Catarina fala pouco, mas intercala ao texto ações que contradizem suas palavras de submissão. Fica evidente que a domesticação de Catarina é consentida, faz parte do jogo íntimo do casal muito mais do que das regras de convívio social. A retirada das máscaras, depois das várias tentativas frustradas de um beijo entre Petrúquio e Catarina, faz comungar os olhares da direção, do grupo e do autor. Caem as máscaras, caem as convenções sociais: “A única coisa real... Amor!” (Citar a letra de Essa música não existe, de André Abujamra, é o que me ocorre para trazer o tema ainda mais para os dias de hoje!)

Afinal, os cortes e a livre adaptação foram necessários para transformar o texto em um espetáculo de rua com 55 minutos de duração. Através dessa nova possibilidade de olhar A megera domada, construída a frente de seu tempo por William Shakespeare, entre 1592 e 1594, chega outra vez ao público de nossos dias e vale a pena ser vista (e re-vista).

*

Ficha Técnica:
Autor: William Shakespeare
Dramaturgia: Jonas Piccoli
Diretor: Jessé Oliveira
Diretor Musical: Gutto Basso
Figurinista: Raquel Cappelletto
Assistente: Ciana Moraes
Elenco:
Aline Zilli – Megera e Hortêncio
Bruno Zilli - Grêmio
Cleverson Souza – Criados Grúmio e Biondelo
Fernando Gomes - Lucêncio
Jonas Piccoli – Petruchio e Hortêncio
Kevin Brezolin - Trânio
Rodrigo Guidini - Batista

Montagem realizada através do Prêmio Anual de Incentivo a Montagem Teatral de Caxias do Sul – 2008

* Mauricio Guzinski, ator, diretor e professor de teatro. Licenciado em Arte Dramática, Bacharel em Direção Teatral e Especialista em Teatro Contemporâneo, DAD/UFRGS. Professor da SMC, desde 1985, onde coordena o Concurso Nacional de Dramaturgia – Prêmio Carlos Carvalho e o Grupo Experimental de Teatro.