Mostrando postagens com marcador Mostra Petrobras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mostra Petrobras. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Devolução industrial por Manuella P. Goulart

Devolução industrial*
Dirigido por Leo Sykes, Devolução industrial apresenta um espetáculo que mescla circo, clown, música e, é claro, teatro. Já sabendo desses artifícios, o público começa a se interessar para conferir o que resultará essa mistura cultural. Isso pôde ser comprovado pela longa fila que se formou na porta do Teatro Bruno Kiefer. Além disso, após a entrada ser liberada, havia pessoas que ainda queriam comprar ingressos. A expectativa era notável.
A primeira sensação que o espectador tem ao entrar no teatro é a de estar junto a alguma cerimônia ritualística. A atmosfera é de mistério, e esta é acentuada com um cheiro semelhante a incenso e um palco que chama bastante a atenção pela sua variedade de cores e formas. Nele se encontrava um ator vestido completamente de branco e com o rosto coberto por um acessório comprido feito de palha. Também se pôde notar uma grande roda atrás dele, um “lago” e o assento em que está sentado.
Após todos se acomodarem, o ator inicia o texto. Conta-se a história da criação do universo ilustrada por um jogo de luz e gestos entre os atores. Com isso, é possível identificar os personagens da trama: o Ser Místico e mais dois atores que chamam um ao outro de Senhor e Senhora Sapiens. O primeiro realiza variados truques de ilusionismo que entretêm o espectador. Já a “dupla Sapiens”, a partir do humor corporal, auxiliam no tom divertido da peça.
Inicialmente, é possível pensar que se assistirá a algo relacionado à Bíblia. Porém, não é bem isso o que acontece. Ao longo da peça é mostrada a evolução tecnológica humana. Com isso, os atores usam objetos que se transformam em máquinas magníficas que encantam o público. O primeiro deles é uma panela usada para, realmente, cozinhar uma sopa – que é servida, no fim do espetáculo, aos interessados em prová-la. Depois disso, a panela é mesclada com outros objetos até formar um trem à vapor. Nesse momento, há interação com o público – o que é muito frequente durante o espetáculo – em que convidam participantes para serem os passageiros dessa locomotiva.
É notável a beleza dos itens usados em cena e o olhar de surpresa do público para a variedade de objetos que eles podem se transformar. É importante também assinalar que essa maquinaria é feita a partir de utensílios recicláveis (garrafas plásticas), o que resulta numa moral ecológica ao espectador. Isso é reforçado com as músicas cantadas pelos atores. Eis um espetáculo que soube ser pedagógico sem ter elementos “piegas”.
Porém, é uma peça aconselhável para o público infantil. Pelo contrário, aquele que assistirá só se sentirá conectado por causa da dinamicidade do cenário e das máquinas. Aliás, acredito que os atores sejam mais agradáveis a partir da visão do público infantil, pois é usada uma linguagem constituída de piadas leves que dificilmente atrairão os adultos.
Assim, caso queira entreter os seus filhos ou apenas relaxar vendo um cenário dinâmico, essa é a melhor opção. Com certeza, os pequenos voltarão surpreendidos para casa, por causa da estética teatral, e com uma melhor visão ecológica.
* Manuella P. Goulart é estudante do Departamento de Arte Dramática da UFRGS

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sua Incelença, Ricardo III por Adriane Mottola

 Sua Incelença, Ricardo III*
Duas décadas depois de estontear o teatro brasileiro com o Romeu e Julieta do Grupo Galpão, que resgatava as origens populares de Shakespeare em montagem para a rua, o diretor Gabriel Vilela retorna ao bardo inglês em parceria com o grupo potiguar Clowns de Shakespeare. Diretor inventivo, Vilela cria pontes entre a cultura popular brasileira e o universo elisabetano e imprime em Sua Incelença, Ricardo III as suas marcas mais conhecidas: teatralidade barroca, apelos frequentes ao imaginário brasileiro, figurinos exuberantes e riqueza de detalhes.
O grupo Clowns de Shakespeare de Natal, com 17 anos de trajetória, desenvolve um trabalho de pesquisa teatral com foco na presença cênica do ator, musicalidade da cena e do corpo e no teatro popular. Numa escolha em que encenaria a sua primeira peça não cômica – o drama histórico Ricardo III - o grupo é desafiado por Vilela a trazer o vilão shakespeariano para o universo lúdico do picadeiro do circo, encenando Ricardo III ao ar livre, bem ao gosto do teatro elisabetano, numa montagem que une sarcasmo, humor e ironia.
Ao carnavalizar a ascensão e queda de Ricardo III, em sua trajetória de assassinatos e traições rumo à coroa da Inglaterra, a encenação de Vilela dilui o trágico e ganha em apelo popular (sem cair no popularesco). Para que as 4h da primeira leitura do texto pelo grupo se transformem na 1h15min que dura a montagem, a linguagem cênica complementa a dramaturgia enfatizando a narrativa visual ao “tempero” de uma trilha sonora que mescla as incelenças (cantigas típicas do Nordeste, geralmente ligadas a rituais fúnebres) com citações de bandas como Queen e Supertramp.
O diálogo entre as tramas da Inglaterra elisabetana e a realidade do sertão nordestino perpassa toda a obra: cenografia, figurino e sotaque caracterizam o Nordeste, Ricardo III é retratado como coronel sertanejo, personagens shakespearianos são transformados em cangaceiros e ciganas, numa miscelânea criativa que ainda reserva lugar para uma rainha-mãe cover do Fred Mercury, uma Lady Anne travestida que impede que o espectador acesse a cena através do romantismo e Daydream cantada por um coro de palhaços.
Sua Incelença, Ricardo III tem o mérito de tratar o clássico shakespeariano com liberdade e frescor, atingindo o espectador com tiro certeiro, inebriado pelos requintes da montagem. Shakespeare em estado puro!
* Adriane Mottola é encenadora

domingo, 18 de setembro de 2011

Pálido colosso por Rodrigo Ruiz

Pálido colosso*

Com esse trocadilho, situando-nos entre a letra do Hino Nacional e o programa infantil TV Colosso, a Cia. do Feijão (SP) já no título da peça prepara o espectador para os três eixos que estruturam a concepção do espetáculo. O primeiro, e o mais importante, a política brasileira, em especial seus últimos quarenta anos; o segundo, a influência da mídia nesse processo; e o terceiro o tom de deboche, que torna tudo quase fabular. Da mistura desses elementos surge um espetáculo autoral, marcado pelo posicionamento ideológico de seus criadores diante da história recente do nosso país.
O tom farsesco de algumas passagens mistura-se a narradores de cunho épico. A cenografia colabora para causar uma impressão de metateatro ao reconstituir no palco outra caixa cênica, com cortinas e cores que evocam o Teatro de Revista. Ainda que o conteúdo ideológico perpasse todas as escolhas, o modo como ele é suscitado se mostra um exercício fascinante aos espectadores. Tal qual a imprecisão de lembranças, que misturam os fatos fazendo aparecer conexões improváveis, a peça avança seguindo as décadas dos 1960 até ao início do que hoje chamamos a Era Lula.
A encenação se vale de diversas referencias, parodia-se canções, comerciais de tevê e, é claro, episódios de vida política brasileira. Por meio da paródia os absurdos, as incongruências da nossa sociedade ganham relevo e são postos em análise. Embora tudo seja contado com humor e em tom de ironia, suas implicações são trágicas para aqueles que viveram os acontecimentos relembrados. Nós, eleitores, somos tal qual a fada carente do espetáculo, sempre em busca do príncipe encantado, ou melhor, do "salvador da pátria". E como revela o espetáculo é nosso sentimento de impotência que alimenta a histórica manipulação da vontade popular.
Ainda que essa mistura de diversos gêneros unidos pelo humor e a acidez não ofereça respostas, pois esta é uma história que continua sendo contada, a encenação desperta em nós questionamentos, permitindo - como eles próprios nomeiam - antever "possibilidades" de mudanças.
Pálido colosso é a primeira parte de uma pesquisa sobre a utopia empreendida pelo grupo desde 2006. Surgido no ano seguinte, essa pesquisa gerou ainda os espetáculos Veleidades tropicais (2008) e Enxurro (2011).
* Rodrigo Ruiz é ator, diretor e produtor teatral.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Viúvas- performance sobre a ausência por Helena Mello

Vi, vivi Viúvas*
Quando tentei ver o espetáculo Viúvas no início deste ano estava acompanhada do meu namorado. O primeiro depois de muitos anos. Hoje, ainda tenho amigos que me perguntam pelo “falecido”, mas não me sinto Viúva. Até porque não éramos casados e ele não morreu. Mas, com certeza, não está tão bem quanto eu que agora consegui assistir ao espetáculo. Espetáculo? Não. É mais do que isso. É um acontecimento.
Com medo de perder novamente a oportunidade de assistir Viúvas, e com o sistema de ingressos não acusando minha compra, acabei com cinco ingressos. Convidei desta vez para ir comigo uma amiga que recém começou a ir ao teatro. Os outros, revendi para pessoas que ficaram extremamente gratas, antes mesmo de assistir.
A expectativa de ir para uma ilha naquele dia de vento já mexia comigo muitas horas antes. Apesar das tardes de calor, era hora de voltar as mantas, casacos e boinas. Pelo meu imaginário chegava a passar a possibilidade de eu me ver sendo obrigada a ficar a noite na ilha. Exagero da minha parte, mas era bom se precaver contra o frio e a fome.
Não tinha muitas informações sobre o espetáculo em si, mas sabia que pegaríamos um ônibus, depois um barco para chegar até o local. Lá, vi Laura Backes subindo para sua poltrona e fui atrás e, naquele pequeno trajeto, já começamos a partilhar opiniões sobre as amizades, sobre moda, sobre o nosso jeito de ser. Convívio.
Desde o início, recebemos instruções que demonstravam organização e controle e nos passavam segurança. A caminho da ilha porém, ao ver a água alta quase chegando a janela e vendo os coletes salva-vidas sobre as nossas cabeças a lembrança de catástrofes veio a minha mente. Este misto de tensão e curiosidade já me preparava para o que estava por vir. Lembrei meu pai (que já se foi) contando diversas vezes que fazia a travessia todos os dias para ir trabalhar em uma agência bancária do outro lado do rio.
Ainda no barco, um dos atores começa a falar sobre a importância da pátria. De onde ele veio? Ele já estava entre nós? “Lá, onde até mesmo os cachorros latem diferente”. Penso no meu sobrinho que está na Austrália e que defende que nos vejamos como seres universais.
A chegada na ilha é impactante. Não só pela beleza das pedras iluminadas, mas pelos atores, comandados por Paulo Flores, que apontam armas em nossa direção. Já não parecemos tão poucos. Tiro da minha sacola um bloco e uma caneta para registrar algumas impressões. Faço isso com certo medo de ser advertida. O clima do espetáculo que mal começou já está introjetado em mim.
Vamos sendo conduzidos pelos caminhos e pela história desta memória de uma época ainda tão recente. Em uma galeria de celas sem grades, Tânia Farias promove um dos momentos mais tocantes do espetáculo. Afirma, aos gritos e aos prantos, que não vai parar enquanto não juntar todos os pedaços do pai, todas as cinzas. E por entre o público, olhando nos olhos marejados de algumas pessoas presentes, questiona: onde está Mario, onde está João, onde está Roberto, onde está Fernando, onde está Paulo, onde está...A cada nome uma emoção cada vez mais contundente. Sua atuação é tão profunda que tenho vontade de abraçá-la. Ela toca em mim e me puxa para dentro da sua agonia. Nunca as palavras esperar e desesperança tiveram tanto nexo como ali.
Somos levados para outro espaço que na ilha vazia e fria se enche de música. Enquanto eles dançam, eu me pergunto (com olhos de pesquisadora), o porquê da festa. Reconheço o trecho da história que eles relatam ali, mas ainda estou sacudida pela força da tragédia, da perda, do desaparecimento daqueles que amamos. São os sorrisos, o pão, o vinho compartilhado e as danças que diminuem um pouco (não completamente) a minha angústia. É a personagem de Tânia que, mais uma vez, se aproxima e agora me conforta com seu sorriso e seu toque meigo. Passo a mão em sua cabeça e suspiro.
A cena mais forte é vista a distância, entre uma luz negra piscante, fogos e ruídos. Sinto um certo alívio por isso. Percebo que já não sei onde estou. Se já passei por ali. Neste “cenário” de pedras, verde e água, em uma noite de lua cheia e estrelas, eu fui transportada no tempo. Para um momento da história em que corpos nus, empilhados uns sobre os outros significavam o fim da tortura, mas não o fim da espera dessas Viúvas. Saio da ilha com a certeza de que acabo de assistir e de viver momentos que serão inesquecíveis e o grupo Oi nóiz aqui traveiz registra em mim para sempre uma história que precisa ser lembrada para que jamais se repita. A efemeridade daquelas vidas perdidas foram transformadas pelo grupo Terreira da Tribo em algo eterno.
* Helena Mello é jornalista

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Devolução industrial por Iuri Wander

Devolução industrial*
Sábado à tarde, 10 de setembro, tive o prazer de assistir um espetáculo lírico. Devolução Industrial conta o surgimento e a evolução das espécies de uma forma muito criativa e encantadora. Desde o “big bang” até a construção da máquina a vapor. E no meio de tudo isso, uma sopa é preparada durante o espetáculo e servida no final. Como? Com as descobertas da evolução!
Com poucas palavras e sem uma história linear, o que o público vê é a utilização de recursos simples de uma forma criativa. Figurinos de muito bom gosto. Os três personagens em perfeita sintonia. Um ser “místico” começa narrando a criação do planeta e durante suas aparições na peça produz alguns “milagres” (engraçadíssimos) como suspender um cálice no ar, fazer cair uma cascata do céu e transformar água em vinho. O “Homem Sapiens” e a “Mulher Sapiens” entram em cena para a grande evolução da espécie, aprendem a plantar, colher, inventam a roda, constroem edifícios, brigam por objetos, trabalham juntos...como uma civilização. Instrumentos de sopro feitos com canos e garrafas plásticas, uma locomotiva construída com cubos de ferro encaixados a um triciclo, um moinho funcional faz um instrumento feito de garrafas pet produzir sons para uma melodia, entre outras coisas criativas do espetáculo. O cenário é bem dinâmico, tudo que esta no palco tem mais de uma função, inclusive o vapor da panela de pressão que faz a sopa durante os 50min de espetáculos, ele serve pra mover um mecanismo feito com um aro de bicicleta e colheres dando movimento à locomotiva cheia de apitos feitos de tubos de PVC.
Teatro, engenharia, circo, música, ilusionismo...tudo dentro de uma panela gigante de poesia. As crianças se deliciam e os adultos mais ainda. Um grande espetáculo!
* Iuri Wander é produtor cultural

domingo, 11 de setembro de 2011

Devolução industrial por Luís Carlos Pretto

Devolução industrial*
Uma surpresa atrás da outra, assim eu definiria as quase duas horas que me consumiram entre a expectativa, a apresentação e o encerramento do espetáculo.

Eram 16 horas de um domingo maravilhoso e o teatro estava cheio, que bom! Para eles, para o festival e para nós! A peça aborda a evolução da raça humana e seus progressos industriais e suas descobertas que se tornam também as nossas durante o espetáculo.

Deus (?) está lá presente com seu sopro divino nos mostrando como tudo começou: dos seres unicelulares até sermos apresentados ao “Homo Sapiens” e à “Mulher Sapiens” que também se apresentam e se descobrem. Partindo dali para um um universo de situações onde os personagens: Cantam, plantam, colhem, descobrem, brincam, cozinham e utilizam as máquinas inventadas/descobertas das formas mais interessantes possíveis.

Circo Teatro Udi Grudi –O nome desse Grupo com 28 anos de trajetória que veio de Brasília (DF): O Teatro já havia nos sido mostrado na entrada: Cenografia, luz, figurinos, adereços cênicos, três competentes atores, tudo na medida. O Circo nos foi passado em pequenas e grandes doses de Clown, malabares, mágica (ilusionismo) como preciosas ferramentas no auxílio da narrativa, tornando o espetáculo lúdico e encantador também aos olhos das crianças.

Fazia muito tempo que eu não via a cenografia de uma peça ser tão bem feita/executada/(re)utilizada, tudo sendo “descoberto”, transformado diante de nossos olhos: água, fogo, terra e ar!

Entre muitas coisas que esse "BIG BEN" nos mostra está: Um trenzinho que dá vontade de voltar a ser criança , um banco que transforma-se em disputa, em dificuldade, em edifício. Um instrumento simples que torna-se musical pela “engenharia”, e o instrumento próprio do ser: A voz! Em frases, grunhidos, imitações e cantares.

No final, os cinco sentidos da plateia sendo explorados (e porque não o sexto?): Visão (cenografia/figurinos) , tato (toque dos atores no público/interação), audição (vozes afinadas e instrumentos deliciosos de ouvir) Olfato ( o cheiro bom da sopa sendo preparada) e o paladar ( a sopa foi servida, bom apetite!).

É a terceira vez que eles vêm para Porto Alegre, um prato bom, a gente sempre quer repetir, não é mesmo?

P.S.: Não sabia que nós Gaúchos (pelo menos o público desse dia) era tão relutante em participar e interagir com os artistas, eles tiveram que insistir um bocado para que um adulto e duas crianças fossem ao palco participar.
* Luís Carlos Pretto é ator e diretor teatral

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sua Incelença, Ricardo III – RN

Sua Incelença, Ricardo III – RN
Dias 23, 24 e 25, 18h30min – Recanto Europeu - Parque Farroupilha

A peça se passa no final da Guerra das Rosas, conflito sucessório pelo trono da Inglaterra ocorrido entre 1455 e 1485. No início, Eduardo IV é rei, mas seu irmão Ricardo, Duque de Gloucester, planeja usurpar o trono, nem que tenha que provocar intrigas, matar aliados, amigos e parentes e mentir o que for preciso para atingir seu objetivo. Essa encenação marca o encontro do grupo potiguar Clowns de Shakespeare com o encenador mineiro Gabriel Villela, um dos principais diretores teatrais do país, colocando em fricção a fábula britânica com o universo da cultura popular nordestina. Partindo do célebre texto de Shakespeare, o espetáculo ganha a rua através do universo lúdico do picadeiro do circo, dos palhaços mambembes, das carroças ciganas, criando um diálogo inusitado entre o sertão e a Inglaterra elisabetana. A pesquisa musical do espetáculo parte das “incelenças”, gênero musical tipicamente nordestino, usualmente atrelado aos costumes fúnebres da região, condição adequada à história de Ricardo e sua trajetória de assassinatos e traições, agregando à trilha o rock clássico inglês, o que conecta a Inglaterra ao Nordeste brasileiro.

Texto: William Shakespeare/ Adaptação: Fernando Yamamoto / Direção: Gabriel Villela / Elenco: Camille Carvalho, César Ferrario, Dudu Galvão, Joel Monteiro, Marco França, Paula Queiroz, Renata Kaiser e Titina Medeiros / Figurino: Gabriel Villela / Iluminação: Ronaldo Costa / Trilha sonora: Marco França, Babaya e Ernani Maletta / Direção de palco: Anderson Lira / Cenário: Ronaldo Costa / Aderecista: Shicó do Mamulengo / Direção de movimento: Kika Freire/ Engenheiro de som: Eduardo Pinheiro / Produção executiva: Rafael Telles/ Duração: 1h15min / Classificação: Livre.

Pálido colosso

Pálido colosso – SP
Dias 12 e 13, às 20h - SESC

Inspirado em acontecimentos recentes da história política do país e experiências pessoais de seus criadores, o espetáculo propõe uma reflexão sobre as escolhas feitas por cada um de nós no correr dessa história. Numa espécie de “cabaré degenerado”, quadros de diversos gêneros abordam fatos da ditadura até os dias de hoje, enquanto memórias pessoais de cada um dos integrantes da companhia pontuam e entremeiam o espetáculo. A Companhia do Feijão é uma companhia teatral estável, estabelecida em São Paulo desde 1998, que tem como mote central a pesquisa de linguagens cênicas baseadas no trabalho do ator/narrador e em processos de criação em equipe, abordando temas relativos à realidade brasileira a partir de obras literárias e documentos históricos do período. Uma dos mais prestigiados grupos teatrais do país, a Cia. do Feijão chega para abrilhantar a 18ª edição do Porto Alegre em Cena.

Textos: Companhia do Feijão / Direção, dramaturgia e iluminação: Pedro Pires e Zernesto Pessoa / Elenco: Fernanda Haucke, Fernanda Rapisarda, Flávio Pires, Guto Togniazzolo, Pedro Pires e Vera Lamy / Direção musical: Dagoberto Feliz e Flávio Pires / Cenário: Petronio Nascimento e Pedro Pires / Figurinos: Carol Badra e Guto Toniazzolo / Cenotécnica e contrarregragem: Bira Nogueira / Operação de som: Paulo Reis / Operação de luz: Zernesto Pessoa / Duração: 1h30min /Classificação: 12 anos

domingo, 7 de agosto de 2011

Devolução industrial

Devolução industrial – DF
Dias 11 e 12, às 16h – Bruno Kiefer

O novo espetáculo do circo-teatro Udi Grudi é um rastreamento histórico da evolução do mundo, da raça humana e de suas invenções. Esta celebração da criatividade humana e das forças da natureza se realiza através da música melódica, máquinas malucas, metáforas místicas e muito humor, sem o qual a nossa raça pouco teria evoluído. Com 28 anos de trajetória, a companhia Udi Grudi, fundada em Brasília, já percorreu mais de 15 países e diversos estados do Brasil, tornando-se conhecida pela pesquisa musical e originalidade de sua dramaturgia. O grupo mescla linguagens do circo, do teatro e da música, sempre costurados pelo humor. Devolução Industrial é um espetáculo feito para encantar o público dos oito aos oitenta anos, trazendo até o Rio Grande do Sul um pouco do inventivo teatro criado fora do eixo Rio/São Paulo, em oportunidade única para o público local.

Dramaturgia e direção: Leo Sykes / Elenco: Marcelo Beré, Luciano Porto, Joana Abreu / Instrumentos musicais: Márcio Vieira / Iluminação: Guilherme Bonfanti e Marcelo Augusto / Cenografia e máquinas: Luciano Porto / Arranjos musicais: Valéria Lehmann / Duração: 50 min / Classificação: Livre

sábado, 6 de agosto de 2011

A chegada de Lampião no inferno

A chegada de Lampião no inferno - RJ
Dias 13, 14 e 15, às 20h – Teatro Renascença

Em comemoração aos seus dez anos, em 2009, a Cia. PeQuod mergulhou de cabeça na cultura brasileira – para criar um espetáculo em que funde com radicalidade, tradição e modernidade. Livremente inspirada no cordel do mesmo nome, mas também citando o universo dantesco da Divina Comédia, a peça é dividida em dois momentos distintos: o primeiro sem palavras e todo feito com bonecos, e o segundo – que trata da ida do Capitão Virgulino às profundezas do inferno -, combinando de maneira surpreendente atores, bonecos e objetos. A trilha sonora de André Abujamra, executada ao vivo pelos atores da companhia, dão um toque especial ao resultado da encenação, indicada a duas categorias do Prêmio Shell de Teatro (luz e cenário), o que garante o minucioso acabamento do espetáculo.

Texto: Miguel Vellinho e Mario Piragibe / Direção: Miguel Vellinho / Elenco: André Gracindo, Gustavo Barros, Liliane Xavier, Márcio Nascimento e Raquel Botafogo / Figurino: Daniele Geammal/ Iluminação: Renato Machado / Trilha sonora: André Abujamra / Cenário: Carlos Alberto Nunes / Operação de luz: Giba de Oliveira / Operação de som: Miguel Vellinho / Produção: Erick Ferraz / Duração: 1h10min / Classificação: 16 anos

Viúvas – Perfomance sobre a ausência

Viúvas – Perfomance sobre a ausência - RS
Dias 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19, às 18h – Ilha das Pedras Brancas

A montagem da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz propõe uma viagem à memória da ditadura militar. A performance acontece nas ruínas do antigo presídio de presos políticos na ilha das Pedras Brancas, conhecida como Ilha do Presídio, no Rio Guaíba. Para chegar lá, o público é transportado de barco. O espetáculo faz parte da pesquisa teatral que o Ói Nóis vem realizando sobre o imaginário latino-americano e sua história recente. Partindo do texto Viúvas, de Ariel Dorfman e Tony Kushner, a Tribo dá continuidade à sua investigação da cena ritual, dentro da vertente do Teatro de Vivência que caracteriza a história do grupo. Viúvas mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país, numa montagem onde atores e espectadores partilham de uma experiência comum e que tenha a intensidade de um acontecimento capaz de produzir novas formas de percepção.

Texto: Criação coletiva livremente inspirado no texto de Ariel Dorfmann / Direção: Direção Coletiva Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz / Elenco: Tânia Farias, Paulo Flores, Marta Haas, Clélio Cardoso, Paula Carvalho, Renan Leandro, Roberto Corbo, Sandra Steil, Edgar Alves, Eugênio Barbosa, Alex Pantera, Jorge Gil, Alessandro Muller, Letícia Virtuoso, Aline Ferraz, Karina Sieben, Geison Burgedurf, Paola Mallmann, Cleber Vinícius, André de Jesus, Mayura Mattos, Leila Carvalho e Daiane Marçal / Figurino: Criação Coletiva / Trilha sonora: Johann Alex de Souza e grupo / Iluminação: Charles Brito / Duração: 1h + 1h20min (deslocamento) / Classificação: 16 anos