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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Eu estive aqui por Rodrigo Rocha



Ó... deixa eu falar! Não entendo muito de dança, ok? Entendo o que gosto e o que não gosto, e sei avaliar o que está posto em cena... Afinal, a força do meu trabalho me ensinou algumas coisas, certo? Então vamos lá!
Acabo de chegar do espetáculo Eu estive aqui da Porto Alegre Cia de Dança e cara... Poderia falar horas sobre o que vi e senti... Mas vou me deter aos fatos que mais me saltaram aos olhos:
Primeiro: Um espetáculo 100% monocromático e monocórdico. Explico, pois é simples. Todo ele concebido em preto e branco e com uma (ou várias) músicas que ficavam repetindo, repetindo, repetindo até trocar. Falando assim, é um espetáculo chato né? Não! Pelo contrário, um espetáculo colorido por coreografias limpas, bem executadas, emocionadas e emocionantes, que te dão uma vontade louca de sair repetindo os movimentos.
Segundo: Uma iluminação magnífica do Maurício Moura, que não é de hoje se sabe entender bastante de iluminação para dança, mas que a cenografia aprontou um desafio para ele no momento em que fechou a caixa cênica nas laterais. O pouco que sei de iluminação para dança e que aprendi com o próprio Maurício quando ele fez a luz de Exercício sobre a cegueira, espetáculo que fiz com Camilo de Lélis, é que iluminação para dança deve priorizar as laterais para dar volume aos corpos. Bem, com a caixa cênica fechada dos lados, é impossível, mas mesmo assim, a luz estava linda. Toda em branco e resistência, mas que valorizou e muito os bailarinos e as coreografias.
Terceiro: Movimentos precisos, simples e limpos e de um bom gosto primoroso que dão a sensação de serem banais. Portagens simples e silenciosas, limpas e bem executadas, corpos vivos em cena e a sensação nítida de que daqui a pouco um deles ia sair voando pelo palco e aterrisar na plateia.
Sempre digo ter pavor do tal de "pós-dramático" pois quando vou ao teatro quero ouvir histórias e não ter sensações, pois se é para ter sensações, vou a um espetáculo de dança... Bem, seguindo essa lógica criada por mim, tive várias sensações lindas assistindo Eu estive aqui. Outra lógica minha, é que o espetáculo é bom quando eu sinto vontade de estar em cena. Bom, seguindo essa outra lógica criada por mim, é um ótimo espetáculo que eu recomendo 100%. Deve ser assistido, até mais de uma vez se possível.
Bravo POA Cia. de Dança! Lindo trabalho.


* Rodrigo Rocha é ator e produtor teatral

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Eu estive aqui (RS)


Dias 21 e 22, às 22h
Teatro de Câmara Túlio Piva
 
Inspirada na observação da eterna e infrutífera tentativa humana de aprisionar o tempo, Eu estive aqui é a segunda obra da Trilogia Partituras Brasileiras, da Porto Alegre Cia de Dança. O espetáculo questiona a criação de identidades que delimitam o "sem fronteiras" e mascaram o fato de pertencermos a um organismo vivo, o planeta Terra. Aborda também o aprofundamento da busca humana, independente de local e tempo, e a vontade de perpetuar o momento que, quando representado, já não existe mais. A obra revela um caminho para a transcendência, a entrega com totalidade celebrada pela dança coletiva.
 

Ficha técnica
Direção: Tânia Baumann / Coreografia: Mark Sieczkarek / Direção Técnica e Operação de Som: André Birck / Iluminação: Maurício Moura / Elenco: Carolina Sulczinski, Cátia Ceccarelli, Genises Azevedo, Kyrie Isnardi, Luana Lacerda,  Manoella Brunelli, Marcelo Iunis, Safia, Thiago Rieth  / Trilha sonora: Mark Sieczkarek / Cenário e figurino: Mark Sieczkarek e Tânia Baumann / Confecção de figurino: Neusa e Cleusa Guidotti / Cabelo e maquiagem: Cassiano Pellenz / Produção: Porto Alegre Cia De Dança / Recomendação etária: livre / Duração: 55 minutos