Mostrando postagens com marcador Dr Jekyll e Mr Hyde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dr Jekyll e Mr Hyde. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Iuri Wander #1: Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Foto: Creative/PMPA

Não digno

Grandes expectativas para a adaptação dos brasileiros radicados na Espanha Roberto Cordovani e Eisenhover Moreno. Clássico da cultura ango-saxônica escrito pelo britânico Robert Louis Stevenson.

O preâmbulo lacônico mantém as expectativas da empolada sinopse com ar sombrio e música clichê de suspense. Assim que os atores entram em cena, o espetáculo declina. A cada troca de cena, a música toma conta do palco tomada por blackouts constantes. Quatorze intervenções de vídeo são usadas para auxiliar na troca dos quarenta e quatro figurinos e dezoito perucas. Trinta e seis inserções musicais ajudam a não enfastiar o público. O escárnio de algumas pessoas faz com que deixem suas poltronas durante o espetáculo.

As trezentas e vinte trocas de luz não correspondem ao esperado, com penumbras em quase todas as cenas e focos circulares dão ares de conclusão de oficina de montagem, não digno de um grande festival como este em que se apresenta.

*
Iuri Wander é comerciante.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Marcelo Adams #1: Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Impressões digitais

Uma das coisas mais constrangedoras a que assisti no teatro. Só assim para sintetizar a série de equívocos que se constitui esse espetáculo, cuja ficha técnica é dominada pelos brasileiros radicados na Espanha Roberto Cordovani (ator, tradutor, adaptador, diretor e figurinista - sim, tudo isso no mesmo espetáculo) e Eisenhower Moreno (ator, tradutor, adaptador, diretor, iluminador e responsável pela trilha sonora - sim, tudo isso no mesmíssimo espetáculo).

Não sei por onde começar: em primeiro lugar, devo dizer que o Luciano Alabarse, meu amigo pessoal e diretor com quem trabalho há anos, NÃO PODE ter assistido a essa bomba, porque não traria um espetáculo desse nível, da Espanha para cá. Deve ser algum tipo de parceria com alguém, etc. Porque não se justifica, em nenhuma hipótese, proporcionar esses momentos de horror ao público gaúcho. Li por aí que o Cordovani tem uma carreira importante na Europa (?), mas certamente as coisas mudaram muito, porque ele parece desconhecer rudimentos básicos de encenação.

A trilha sonora, chupada de filmes de suspense os mais variados (reconheci vários, mas posso citar, pelo menos, a maravilhosa trilha criada para De olhos bem fechados, de Stanley Kubrick), entra exaustivamente, sempre em altíssimo volume, tentando ganhar no grito e criar um "climão" de mistério, que em absolutamente nenhum momento se traduz em cena. As marcações, dignas de teatro amador, são compostas por vai-e-vens e giros aleatórios, que muitas vezes se findam fora dos focos de luz que povoam a iluminação da peça. Outra coisa: a transformação de médico para monstro beira o ridículo, caricaturizado e over. Pasmem: há momentos de moralismo, quando um dos atores desce para a plateia e discursa para os espectadores (não sei o tema, porque não consegui prestar atenção). Não há nenhum entedimento sobre o que significa o tempo, em teatro. Cordovani, em um esforço visível e angustiante para dizer o texto, recheia suas falas com pausas e hesitações intermináveis, que não servem para nada. Nem Beckett ousaria tanto nesse quesito. Minha tese é a seguinte: os dois atores, que interpretam várias personagens e trocam de figurino N vezes, devem ter decorado o texto em espanhol, onde a peça foi montada, e provavelmente a traduzem, simultaneamente, para o português, quando abrem a boca. Ou isso, ou o Cordovani não decorou bem o texto, o que não quero acreditar.

A estrutura da peça é tão óbvia que chega a doer: a) cena entre dois atores; b) um dos atores sai um pouquinho antes, para ganhar um tempinho extra e se trocar para a próxima cena, em que interpretará outra personagem; c) o ator que ficou em cena diz uma ou duas frases em "enchelinguicês" e sai; d) com o palco vazio, a trilha sonora, altíssima, de filmes de suspense, inunda a cena, ao mesmo tempo em que nuvens de fumaça são lançadas para dentro do palco e vê-se uma projeção em vídeo, supostamente vitoriana, envolvendo cavalos correndo atrelados a carrugaens e mulheres correndo por vielas escuras; e) um ou os dois atores voltam e retorna-se à letra a).

Ponto positivo: provavelmente eles não são picaretas, como muitos que conhecemos por aí, que produzem caça níqueis sem nenhum outro interesse que não o monetário. Aqui, ao adaptar o romance vitoriano de Robert Louis Stevenson, não exatamente um tema fácil e popular, o que se viu foi a incapacidade artística. Ou seja, eles são apenas ruins, não mal intencionados.


*

Marcelo Adams é ator, diretor teatral e dramaturgo. Graduado em Teatro- Interpretação Teatral e em Direção Teatral, pela UFRGS. Mestre em Letras pela PUCRS. Fundador da Cia. de Teatro ao Quadrado, sediada em Porto Alegre. Participou de dezenas de espetáculos como ator e diretor. Destacam-se Goela abaixo, O homem e a mancha (Prêmio Açorianos de Melhor Ator em 2006), Burgueses pequenos, Édipo, O médico à força (Prêmio Açorianos de Melhor Ator em 2008), Bodas de sangue e Mães & Sogras. Estreará no próximo dia 15 de outubro, no Teatro de Arena de Porto Alegre, o espetáculo A lição, de Eugène Ionesco, nova produção da Cia. de Teatro ao Quadrado. Autor do blog http://marceloadams.blogspot.com/

terça-feira, 1 de junho de 2010

Dr. Jekyll e Mr. Hyde

A história escrita pela primeira vez em 1886, pelo escritor britânico Robert Louis Stevenson (1850-1894), ganha nova abordagem pela dupla de brasileiros radicados em na Europa Roberto Cordovani e Eisenhover Moreno. Únicos em cena, eles interpretam doze personagens e trocam de roupa quarenta e quatro vezes numa encenação com trezentas e vinte mudanças de luz, quarenta movimentos de cenário, trinta e seis inserções musicais, quartorze cenas exibidas em vídeo e dezoito perucas usadas ao longo da história. Tudo isso para construir o universo vitoriano de suspense e sombra que hoje é um clássico da cultura anglo-saxônica. 

Londres, 1800. Gabriel Utterson é o advogado que investiga a suspeitosa relação de amizade entre seu velho amigo, o respeitável Dr. Henry Jekyll, e o estranho rapaz desconhecido, o Sr. Edward Hyde, após os empregados mais chegados notarem uma mudança significativa no comportamento do médico, cada vez mais isolado em seu laboratório. Segundo o advogado, a forma benevolente com que o médico trata seu amigo forasteiro merece atenção. Há, na cidade, o contexto do aparecimento de uma pessoa com atitudes bizarras que vêm assombrando os moradores com sua brutalidade. O assassinato do respeitável Sr. Danvers Carew, um ilustre membro do parlamento britânico, transforma a investigação num caso de polícia. O avançar da história, já conhecido por todos, se dá numa luta pessoal do médico contra si mesmo. Hoje, a história uma vez criada por Stevenson, nos faz pensar nos embates internos que podem acontecer entre nós e nossos profiles virtuais, nós e as muitas esferas discursivas de que participamos. Dentro do ser humano, há muitos seres humanos e isso é o que motiva o leitor de hoje, da novela e do espetáculo teatral, a continuar se interessando pela obra.

Roberto Cordovani é um dos mais conceituados artistas na Europa. Entre os prêmios que já recebeu, estão o Prêmio Compostela de Teatro, Festival de Outono de Madrid, Festival de Edimburgo e o de Melhor Ator em Londres. Morando na Galícia, norte da Espanha, dirige o Teatro Arte Livre na cidade de Vigo. O grupo já esteve em Porto Alegre com o musical Lola.


*

Ficha Técnica:

De: Robert Louis Stevenson

Tradução, Adaptação, Direção e Elenco: Eisenhower Moreno e Roberto Cordovani

Figurinos: Roberto Cordovani
Desenho de Luz e Som: Eisenhower Moreno
Efeitos Especiais: Ricardo Spencer
Técnica: Leandro Costa e Bruno Portela
Realização: Encena Produccións Artisticas S.L
Duração: 1h20min
Classificação etária: 12 anos