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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cida Moreira- A dama indigna por Marina Mendo

Cida Moreira, encontro com UMA Dama Indigna*
Segue UM depoimento sobre UM encontro com UMA Dama. Fascínio e espanto a cada vez que a ouço, escrevo assim, sem muitos pudores (coisas que aprendi com ela!).
Este espanto aconteceu pela primeira vez em dois mil e pouco, eu tinha vinte e também poucos anos, e fui a um show seu num domingo à tarde no Theatro São Pedro. Cida Moreira cantaria Tom Waits. Na ocasião eu nunca tinha ouvido Tom Waits e desde então não consegui mais desvincular um do outro. Não consegui mais parar de ouvi-los, descobri-los e de recorrer a eles quando faminta.
A música de Cida Moreira é uma expressão selvagem, muito de tudo aquilo que em nós não pode ser domesticado está ali se agitando sonoramente e neste movimento nos captura em uma experiência musical poderosa, emocionante, da qual não se sai ileso.
Exposta na rica promiscuidade das referências que compõe o repertório de A dama indigna, espetáculo apresentado durante o 18º Porto Alegre em Cena, Cida retira-nos da tagarelice do cotidiano pelos traços inconfundíveis de sua expressão: a singularidade com que se apropria de cada música transformando a matéria sonora em uma extensão de si, um fluxo espetacular que conecta suas mãos, voz, corpo, piano, teatro, nós.
Cida constroi e desconstroi harmonias para seu piano e voz, envolvendo cada música na fumaça de seu cabaret. Assim, são por ela abocanhados artistas que tangenciaram as dimensões arte-vida através de comportamentos performáticos transgressores e criações sensíveis aos blocos de forças que atravessaram (e esburacaram) politica, social e criticamente seus tempos: Jards Macalé ( Hotel das estrelas do primeiro LP do antropofágico músico-poeta 1972 ), David Bowie (Soul love), Caetano Veloso ( Mãe e O ciúme), Du Bose Heyward e George Gershwin em Summertime (minha música preferida, um clássico, atualizando sua eternidade, e também título do primeiro espetáculo e LP de Cida em 1981). Em tempos de espetacularização da morte dos famosos, Cida sai pela tangente exaltando a força musical de Back to black (Amy Winehouse), Gonzaguinha (Palavras), Chico Buarque (Uma canção desnaturada), Youkali-Tango (Roger Fernay e Kurt Weill) e como não poderia faltar Tom Waits ( Lullaby/ Tango ‘Till they’re sore), entre outras maravilhas. O CD A dama indigna produzido por Cida Moreira e Thiago Marques Luiz foi lançado pelo selo Joia Moderna.
Todas as componentes do espetáculo (repertório, desenhos de luz, cenário e figurino) conversam naturalmente sem medir muito as palavras! A direção cênica de Humberto Vieira nos transforma em público de um cabaret, testemunhas dos ímpetos de uma persona teatral (assim definida pela artista) corporificada em ações precisas, atravessadas pela expressão de um conflito íntimo (origem do drama). Em diferentes momentos percebemos a construção de alguma coisa (um charuto se acendendo, uma taça cheia, uma rosa vermelha, o lirismo que introduz algumas canções) que daqui a pouco será decomposta, desfigurada, arremessada em diferentes direções e neste movimento nos atingirá. A direção cria uma zona de convivência orgânica entre música/performance, não presenciamos ali a música em primeiro plano, e um comportamento performático em segundo plano, os planos se atravessam, A dama indigna é híbrida e liberta do início ao fim.
O espetáculo foi iluminado por Cláudia de Bem, em uma impecável criação de estados visuais para cada música. Uma conversa sensível entre cor, luz, sombra e som, construindo um espaço íntimo para a relação entre Cida, sua música e o público. Uma maravilha desta artista da luz (reforçando palavras da própria Cida ao se referir a iluminadora).
Em A dama indigna, está segundo ela mesma, ”o exercício sem pudores de sua dignidade na arte”, onde somos conduzidos pelo seu arquivo vivo de histórias, memórias, referências, reverências, saudades e homenagens. Temos assim, diante dos olhos, um palco povoado de presenças, heranças de uma trajetória marcada pela convivência poética com tantos outros artistas a quem ela generosamente evoca, agradece e pede aplausos.
Escrever sobre Cida Moreira sem me rasgar não é possível, estive diante de uma Dama, que produziu estados que me transportaram, fica aqui certamente um vazio entre a palavra e o acontecimento, um encontro com indefiníveis forças da natureza, um encontro com UMA Dama.
* Marina Mendo é atriz

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cida Moreira faz participação especial no show de Carlos Villalba

A cantora Cida Moreira fará uma participação especial no show do músico argentino Carlos Villalba, dias 17 e 18 de setembro, às 20 horas, no Teatro Renascença. Quem quiser conferir essa participação de luxo de uma das maiores cantoras do Brasil, não pode perder tempo: ainda há ingressos à venda. 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cassiano Fraga: Oficina de Técnica vocal para atores e cantores com Cida Moreira


Foto: Edson Kumasaka













Cantando com Cida Moreira

Entre os dias 23/09 e 26/09, tive o prazer de participar da Oficina de técnica vocal para atores e cantores junto de aproximadamente 30 artistas, entre músicos e atores (profissionais e amadores), oferecida pelo 17º Porto Alegre em Cena e ministrada pela musicista, atriz e blábláblá Cida Moreira no Foyer do Theatro São Pedro.

Apesar do pouquíssimo tempo para fazermos um trabalho vocal personalizado e aprofundado, ainda assim pudemos conferir o diferencial no trabalho vocal oferecido por Cida Moreira. Nesta oficina, Cida direcionou seus esforços em auxiliar os artistas na busca de suas personalidades vocais.

Através de diversos exercícios, muitos desses já conhecidos do grupo, buscamos encontrar diferentes ressonâncias e possibilidades de projeção, porém sem fadigar a musculatura, visto que os atuais estudos mostram, além da obsolência, os malefícios de tal esforço.

Nos dois primeiros encontros, tivemos contato com diversos tipos de exercícios, trabalhando desde respiração e resistência (e como desenvolvê-la através de um treinamento continuado), à vocalizes individuais e em grupo (indo de escalas aleatórias e cromáticas com fonemas articulados à bocca chiusa, entre outros) focando no acerto rítmico e de afinação.

Nos dois últimos encontros, otimizamos os aquecimentos e partimos para o trabalho vocal prático: solos. Cida, que além de oficineira, também participou do Festival com outros dois trabalhos (Elefantilt e Cabarecht), trabalhou na oficina uma canção do dramaturgo alemão Bertold Brecht intitulada Moritat (parte da trilha sonora de Elefantilt). Com uma estrutura melódica estremamente simples, composta por versos idênticos, Cida propôs tal canção com o intuito de trabalhar a espontaneidade dos cantores e pretensos, assim como a capacidade de improvisação musical, visto que, como ela mesma, ironicamente, explica: "...Moritat é uma história a ser contada! Vocês não podem cantar essa música reta, quadradinha, ou vocês vão matar o público de tédio.(risos) Devem interpretá-la!". Ressaltando, dessa forma, a busca pela personalidade musical de cada um.

Com Cida Moreira, vimos que cantar não é somente afinar, e sim, contar e encantar!


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Cassiano Fraga, 27 anos, se formou através de diversas oficinas e cursos de teatro e música, destacando o Circuito Broadway realizado em 2008 na cidade de São Paulo e a Oficina de Interpretação e Direção junto do grupo Teatro en el Blanco (Chile), oferecida pelo Porto Alegre em Cena em 2009. No mesmo ano, atuou no repertório infantil da Cia Teatro Novo. Paralelamente, fundou o Grupo do Play, com o espetáculo adulto Fora do ar. Atualmente integra o elenco do espetáculo Viagem ao mundo da eletricidade, parte do programa de eficiência energética da Rio Grande Energia, intitulado - Caravana RGE.