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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A mulher que matou os peixes (França)


Dia 4, às 18h e às 20h
Teatro do SESC
 
Uma mulher adorável que sabia segurar o cigarro entre os dedos médio e anelar. Uma cronista como ninguém antes conseguiu ser. Longe da formatação padronizada da mídia e da pressão da atualidade, ela possui uma audição refinada e cívica das preocupações dos seus leitores. Inspirado nesta figura, o diretor Bruno Bayen apresenta Clarice Lispector, um dos maiores nomes da literatura brasileira do século XX. Essa mulher, "um destino geográfico", nas palavras do diretor, levou a história para além da elegância e empurrou a notícia ao conto surrealista, navegando as considerações de um motorista de táxi com recomendações práticas para seus filhos. A oralidade singular que a caracteriza incentivou o diretor a levar ao palco essa personagem, confiada à atriz Emmanuelle Lafon. O título peculiar A mulher que matou os peixes, é extraído de um conto infantil, no qual Lispector confessa ter esquecido de alimentar os peixes de seu filho.
 

Ficha técnica
Direção e adaptação: Bruno Bayen / Texto: Clarice Lispector / Elenco: Emmanuelle Lafon e Vladimir Kudryavtsev / Colaboração artística e iluminação: Philippe Ulysse / Figurino: Renata S. Bueno / Cenografia: Sabrina Montiel-Soto / Produção e divulgação: Amélie Philippe / Recomendação etária: Livre / Duração: 75 minutos

sábado, 22 de setembro de 2012

Ballet National de Marseille por Mauricio Guzinski


04h40min. 10 de setembro de 2012­­­­­­. O computador me convoca a saltar do leito insone. Assistira, na véspera, ao Ballet National de Marseille, em sua segunda noite de apresentações no 19º Porto Alegre em Cena. Tenho que escrever sobre isso. Aliás, “tenho”(?!)... não! Sinto um desejo irrefreável de fazê-lo. Que jeito!
Corpo e mãos à obra!
Balê, Arte que eu desconheço, mas que me fascina desde menino. Sempre tive um desejo, também irrefreável, de dançar. Desejo, muito cedo, refreado. Portanto nunca dancei, nem estudei Dança (mas ainda desejo, aos 57! Agora, com a coragem maior de um “homem” sobrevivente à “flor” na próstata [não “na boca”] do título da peça pirandelliana). Arte que desconheço...em termos. Desconheço a nomenclatura, as regras, os conceitos, as técnicas corporais, as diferentes linhas, métodos, tendências. Mesmo assim, meu corpo, via de regra, se nega a admitir sua ignorância: se atira nas pistas de dança (claro, quando encontra um espaço apropriado, seguro, de liberdade ou de experimentação). Ali, me transformo num Travolta... Não, em um Baryshnikov! Um Nureyev! Um Nijinsky!  Até mesmo em uma Isadora Duncan! Aí, adoto piamente a máxima de Nietzsche: “Só acredito em um Deus que saiba dançar”. Creio mesmo é em Shiva Nataraja (nesse meu panteão em que também incluo Dionísio)!
Será que o problema da falta de público para a Dança (por extensão para o Teatro e as outras artes), deriva do fato de trazer maior prazer àqueles que a praticam; àqueles que acreditam, também, nesse deus nietzschiano e que se lançam às salas de ensaio (horas a fio de trabalho diário) para incorporar técnicas extremamente difíceis e que parecem ter a pretensão de que o reles corpo mortal possa se transforma ra tal ponto (às vezes, até se deformar)...para transfigurar-se, enfim, em matéria extracotidiana, extra-humana, divina?! Estariam bailarinos (e demais artistas) fadados a atingir, a tocar, com seu trabalho insano, só aquela parcela reduzida de seres humanos que, como eles, pratica ou estuda essas artes e que só por isso mesmo também consegue distinguir diferentes escolas (clássico, moderno, jazz, contemporâneo, pós-moderno, etecetera e tal)? Será que é isso que afasta, distancia o público da Dança (e das outras artes), cada vez mais, hoje em dia? Essa, aparentemente, intransponível barreira entre mortais e imortais, devotos e ateus? Considero-me entre os primeiros: bem mortal!... mas devoto!
Creio que para ter prazer em dançar basta entregar o corpo, mas para fruir a Dança é preciso entregar a alma (coisa difícil em nossos dias, ainda mais em dias da enorme e diversificada oferta do festival). Assim, lá estava eu na plateia do Teatro do Bourbon Country: ansioso para entregar-me à experiência, buscando abrir-me ao novo, ou mesmo...ao velho.Não havia nada que eu soubesse de antemão sobre o espetáculo, ou sobre a ficha técnica; nem mesmo o nome das coreografias ou o histórico dos coreógrafos: Tempo vicino de Lucinda Childs e Organizing demons de Emanuel Gat.
Parêntese: Esse era apenas um dos 22 espetáculos (o sexto) que eu, com minha costumeira gula, comprara ingressos, no primeiro dia de vendas, por volta do meio-dia, na Usina (outros 18 para minha partner; e tudo isso por pouco mais de setecentos reais, em meu cartão de crédito da Caixa, sem enfrentar qualquer fila. Eficiência e rapidez, surpreendentes). Difícil fazer minhas escolhas entre, mais ou menos, 70 espetáculos, para serem apreciados em 20 dias!!!!
A primeira coreografia começa. Um grupo de bailarinos, quase em círculo, no lado direito do palco, em roupas de trabalho, sobre o tradicional linóleo. O palco nu, sem qualquer outro elemento cenográfico. Acho que nem música havia, a princípio. Apenas uma geral branca que formava uma espécie de corredor iluminado, contornado por duas áreas escuras, paralelas ao proscênio. Iluminação que se manteve inalterada, sem qualquer movimento, durante toda a performance. Os bailarinos se deslocam, optando por permanecer ora na luz, ora na sombra. A música parece não pertencer à coreografia, nem ser “dançada” pelos bailarinos, dando a impressão de ter sido inserida após a criação das partituras corpóreas; surge e desaparece, volta e meia, integrando-se ou não aos passos (ora independentes, ora relacionados). Todas essas associações e dissociações principiam a construir e desconstruir climas, tensões, imagens, novas relações. Os performers mostram total domínio de seu instrumento, o corpo; têm precisão e presença. Apesar da tão falada dramaturgia da dança (e sei que há uma distância incrível entre esta e a teatral, que conheço melhor), não me parece, a princípio, que haja alguma preocupação da coreógrafa em transmitir qualquer conteúdo ao público, quer dizer, nenhuma preocupação que não seja a dramaturgia do corpo de seus “atores”. Formas abstratas, desenhadas no espaço. Ações individuais de cada performer (que parecem ter nascido da improvisação antes de serem fixadas) e a inter-relação dessas com a música, com o espaço, com a luz ou a sombra e (acima de tudo) com a nossa percepção, como público. O que acontecia no palco...ora atraía minha atenção, ora abria espaço para que eu voasse para dentro de mim mesmo (e até para fora do teatro). Independente de minha vontade, e da vontade deles (eu acho). Tudo isso criava climas tensos, até mesmo trágicos. Climas shakespearianos, macbethianos... em meu corpomente. Percebidos por mim como os meus próprios fantasmas (meu Macbeth, de 1989, e meus outros demônios ao longo de meus 57, por exemplo) se manifestando como sombras nas paredes da caverna de Platão. Coisas minhas, não deles. Eu acho...
Intervalo de 20 minutos. No fumódromo, uma pessoa desconhecida está encantada com o Teatro do Bourbon, pela primeira vez, frequentado por ela; entretanto, sem saber, ainda, se gostara, ou não, do que presenciara no palco. Logo, aparecem dois companheiros, do ofício teatral, que não apreciaram a primeira coreografia. A meu ver, porque estariam a procurar por uma história, um conteúdo, que o grupo não oferecera. Disse-lhes: “Penso que a Dança, nem sempre, quer dizer alguma coisa. É como pintura abstrata que não se deve procurar entender, pelo menos, não com a mente”. Conto-lhes minhas impressões. “Que viagem a tua!”, dizem eles. Pode ser. Mas eu queria muito ouvir as impressões de alguém da Dança. Vira tantos por ali, antes (Eduardo Severino, Eva Schul, Cibele Sastre...).
Segunda coreografia. Ao reverso da outra, que ao primeiro olhar dava a impressão de um ensaio geral (ainda na sala de trabalho, no espaço privado do grupo), esta é uma apresentação ao gosto do público, menos experimental, palatável (penso eu). O cenário também é simples: linóleo e rotunda brancos. Figurinos: vermelho e café. O grupo de performers, como o outro, tem absoluto controle de sua técnica (depois descobri por uma amiga bailarina: técnica clássica). São extremamente leves e ágeis, revezando-se, constantemente, num tipo de “entradas e saídas” que me lembram as coreografias de Rodrigo Pederneiras. Aqui e ali também percebo uma possível influência do nosso Grupo Corpo, de quem sou fã de carteirinha, desde a Missa do Orfanato; reconheço nos quadris dos franceses... ma marca de “brasilidade” que costumo chamar “malemolência” dos bailarinos do Corpo, na maior parte de seus trabalhos, desde Nazareth (na minha opinião, esta é uma obra prima da Dança Brasileira). Tempo vicino, bonito e muito bem executado, não mexeu comigo, mas agradou ao público que aplaudiu esta com muita maior entusiasmodo que a primeira. Ao final, a opinião deuma bailarina: Cibele Sastre. Ela, como eu, gostou mais da coreografia inicial. Como expert e conhecedora do trabalho dos coreógrafos, confidenciou-me que ainda tentava digerir o estranhamento que lhe causara a proposta de Lucinda Childs. Segundo Cibele, uma coreografia aos moldes do que esta renomada coreógrafa costumava fazer, décadas atrás, tipicamente, contemporânea, pós-clássica ou pós-moderna (agora, não consigo lembrar bem o termo empregado por ela, na saída do Bourbon) e que parecia não encaixar bem no corpo de baile de Marselha, de formação clássica, segundo ela. Sastre nem chegou a achar tão absurdas minhas colocações sobre as possíveis influências do Grupo Corpo (grande parte de pessoas da Dança não admira tanto o Grupo Corpo, como eu, que até já abri mão de um dos 22 espetáculos que havia comprado o ingresso, antes, para acompanhar a nova passagem deles e Pederneiras, por aqui, justo no meio da grade do Em Cena. Afinal, a vida é feita através de nossas opções, não é? Não poderia perdê-los de jeito algum!).
No dia seguinte, após assistir Caetana, no Teatro de Câmara, encontro Carlota Albuquerque e outros dois integrantes do Terpsí (Angela Spiazzi e Raul Voges). Comento brevemente com eles, na saída do espetáculo, minhas impressões sobre o Balê de Marselha. Carlota, para minha surpresa, concorda com minhas observações sobre as relações que fiz entre o trabalho apresentado nas duas noites anteriores (ela viu na estreia) e ainda completa: “a segunda coreografia lembra os trabalhos iniciais do Corpo, só que”, segundo ela, “estes (os bailarinos brasileiros) eram muito melhores...”. Ela também sentiu um outro estranhamento: “O grupo francês não traz nada de, realmente, seu, nem de sua terra. Nem mesmo o trabalho coreográfico. Lucinda é americana e Emanuel israelense”.
Em minha ignorância e pensando que o programa do festival trazia a ordem correta de apresentação das coreografias, havia escrito eu (até às 7h daquela madrugada, insone): “Apesar do título – Organizing demons – não vi nessa coreografia” (referindo-me, equivocadamente, a de Childs, que foi a segunda) “qualquer dos demônios que me haviam assaltado, antes, durante a primeira parte do espetáculo” (que era, na verdade, a de Gat). Por um lado, foi um equívoco providencial, pois, felizmente, eu vira demônios no palco, sem qualquer influência trazida pelo título da peça coreográfica. Graças aos deuses, Shiva e Dionísio, li a crítica escrita por Airton Tomazzoni (publicada na ZH de ontem), somente hoje, mas ainda a tempo de corrigir este comentário... sem acrescentar ao texto outros tantos sacrilégios próprios de um humilde, mas atrevido, neófito em Dança.
*Mauricio Guzinski é ator, diretor e professor de teatro

domingo, 9 de setembro de 2012

Ballet National de Marseille por Angela Spiazzi

Ah! Porto Alegre Em Cena, viva! Estabelecido no calendário da cidade, da classe artística e do público que adora arte.
Quem curte, programa-se para entrar nesse clima. Clima de Festival Internacional de Artes Cênicas. Que significa isso? Para muitos é a oportunidade de ver e estar perto do trabalho daqueles aos quais admira ou idealiza. E para outros a chance de assistir o que comove ou estarrece o público e a crítica, local, nacional e internacional. Nestes dias a cidade movimenta-se de um jeito muito especial. Até nós parecemos turistas dentro da nossa própria casa. Há euforia, um cheiro diferente no ar. E a certeza de momentos inesquecíveis. Tal como ter o privilégio de assistir ao Ballet National de Marseille.
A companhia fundada em 1972 por Roland Petit vem a Porto Alegre com um programa duplo, proporcionando ao público uma aula de técnica e versatilidade.
Primeiro, o jovem coreógrafo Emanuel Gat com sua montagem: Organizing Demons que coloca cinco bailarinos em cena, sem cenário, em um único e imóvel corredor de luz.
Os corpos o perpassam, entram e saem deste trilho de luz, velando momentaneamente a movimentação, que é intensa e precisa. Passam pelo ar e pelo chão como se não houvesse a menor distinção entre os níveis. Corpos dispostos e atentos.
Diagonais traçadas com precisão geométrica e sem o menor esforço, transformando o vasto palco em uma caixinha, assim... pequenina. E como se já não bastassem os desafios...a música. Densa, ora com acordes dissonantes, ora soando como o tic-tac de um relógio. Tornava-se quase tangível.
Incansáveis!
Estamos em um tempo onde já se dialogou, desconstruiu e se reinventou praticamente tudo. Difícil criar sem esbarrar nos velhos clichês. Para uma coreografia concebida em 2012, Gat não consegue escapar. Mas este jovem sabe o que faz, tem maestria em sua métrica. Sabe como articular os corpos e conduz a cena sem desleixo. Não corre riscos, o que me surpreende, pois se espera, do novo, ao menos uma pitada de ousadia. Mas podem estar certos, ainda ouviremos muitos elogios e reverências a este emergente e talentoso coreógrafo.
Para encerrar o programa, a experiente Lucinda Childs, com seu Tempo Vicino. Nesta, a estrutura da música de John Adams é o que rege a movimentação de quatro casais. A precisão dos movimentos de linhas clássica e o Neoclássico desenham a relação entre tempo e espaço. O figurino em vermelho contrasta com a caixa toda branca. Métrica apurada e sincronismo impecável, os bailarinos entram e saem de cena, como em um jogo: ora este, ora aquele e agora estes aqui. A atmosfera é leve e serena. Suave como um flutuar.
Belos!
A Companhia, hoje com 40 anos, tem uma história a contar, busca jovens talentos e não deixa aqueles que a tornaram um dos expoentes da dança contemporânea europeia para trás. Lucinda Childs é uma delas. Coreógrafa e performer desde 1963, traz em seu currículo nomes como Bob Wilson e Phillip Glass. Tem prêmios e distinções de notável relevância em sua bela trajetória. Infelizmente nã oencontrei a data de criação da coreografia. Mas observa-se nela a dança ainda codificada e construída conforme o dito por seus grandes mestres clássicos. Tudo certo, limpo e claro. Com um cândido sorriso no rosto.
É de se louvar uma Companhia que resista tão bem ao tempo, que tenha em seu cast dentro e fora da cena jovens ávidos de dança. Carregados de vida e com sede de experiência. Isso é que faz o grupo mover. Comover. Vida longa aos que lutam e não envelhecem. 
Mais um espetáculo.
Mais uma noite de dança no Porto Alegre Em Cena.
E que venham outras e outras e mais outras.
Muito obrigada!

*Angela Spiazzi é assistente de direção e bailarina da Cia Terpsí-Teatro de Dança

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Ballet National de Marseille (França)

Dias 08 e 09, às 21h, Teatro do Bourbon Country
Pela primeira vez entre nós, o Ballet National de Marseille, um dos grupos mais importantes da dança contemporânea europeia, preparou uma apresentação com duas coreografias muito especiais: a primeira, Tempo Vicino, é inspirada na obra de John Adams e assinada pela coreógrafa Lucinda Childs. O papel de cada dançarino é determinado pela estrutura da música, onde a precisão dos movimentos cria uma relação singular entre os dançarinos e o espaço. No primeiro movimento, oito bailarinos exploram todas as possibilidades ao contracenarem. No segundo movimento, a atmosfera é contida e os dançarinos se movem pelo espaço sem um senso comum. No terceiro e último movimento, há um novo ponto de partida, um novo jogo coreográfico. Uma grande oportunidade para os amantes da dança contemporânea conhecerem o trabalho de Lucinda Childs, cujas parcerias com Bob Wilson e Philip Glass lhe alçaram a categoria de celebridade mundial. Uma coreógrafa respeitada pela ousadia de sua linguagem e suas propostas coreográficas. Imperdível. O segundo espetáculo, Organizing Demons é assinado pelo coreógrafo Emanuel Gat, renovador, calmo e estimulante, num estilo conhecido tanto sensual quanto ousado. O trabalho busca demonstrar, através da dança, a tentativa incansável de organizar o movimento através do tempo e espaço, somente para concluir que a arte é incapaz de realizar essa proposta.
Ficha técnica:
Direção artística: Frédéric Flamand / Bailarinas: Catarina Christl, Malgorzata Czajowska, Noémie Ettlin, Nonoka Kato, Kety Louis-Elizabeth, Mylène Martel, Béatrice Mille e Valeria Vellei / Bailarinos: David Cahier, Vito Giotta, Angel Martinez Hernandez e Nahiamana Vandenbussche / Maitre de Ballet: Thierry Hauswald / Direção técnica: Rémi D’Apolito / Direção de palco: Frédéric Duru e Philippe Grosperrin / Figurino: Aurélie Lyon / Direção de comunicação e Gerência: Pierre Thys / Responsável pela turnê: Sophie Bequart-Guis / Duração: 70min / Intervalo: 20min / Recomendação etária: Livre

domingo, 27 de novembro de 2011

Os náufragos da louca esperança: venda de ingressos


 Dia 28 de novembro, segunda-feira às 9h, abre a bilheteria para as apresentações do espetáculo Les Naufragés du Fol Espoir, mais recente produção do grandioso grupo francês Théâtre du Soleil, dirigido por Ariane Mnouchkine. As apresentações acontecerão no Parque Eduardo Gomes na cidade de Canoas, de 6 a 11 de dezembro, às 20h.

Apresentações do espetáculo:
De 6 a 11 de dezembro, 20h - Parque Eduardo Gomes – Canoas
Av. Guilherme Schell, 3.600
Via Trensurb – Estação Fátima
Estacionamento no local

Os ingressos custam R$ 100,00 e serão respeitados todos os descontos oferecidos pelo 18º Porto Alegre em Cena.

Pontos de venda nas lojas My Ticket:
Rua dos Andradas, 1425 - loja 69 - Centro - Porto Alegre
Rua Padre Chagas, 327 – loja 06 - Moinhos de Vento - Porto Alegre
Canoas Shopping - Av. Guilherme Schell, 6750 - Centro - Canoas
Serviço de venda pela internet: www.ingressorapido.com.br

Limite de 04 ingressos por pessoa - 24h, a partir das 9h do dia 28 de novembro
Call Center: 4003-1212

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Uma flauta mágica por Manoela Wilhelms Wolff

“A” flauta mágica*

Uma flauta mágica, espetáculo trazido a Porto Alegre pelo encenador e diretor Peter Brook, baseado na ópera homônima de Mozart, e livremente adaptado por Brook, juntamente com Marie-Hélène Estienne e Franck Krawczyk, com certeza além de trazer uma flauta em cena, trouxe também muita magia.
A história da ópera - no libreto original com cerca de três horas de duração, no de Brook, com uma hora e meia - é uma história de amor. Tamino, um jovem príncipe, se apaixona por Pamina, a filha da Rainha da Noite, que está, no momento, mantida em cárcere por Sarastro. Tamino conhece na floresta Papageno, um atrapalhado caçador de pássaros que vai auxiliar Tamino a salvar Pamina de Sarastro. Nesse momento é que entram os dois atores (espíritos da floresta) de Peter Brook que entregam aos dois uma flauta e um triângulo, que são objetos que os protegerão durante sua jornada. Diferentemente do roteiro original, Uma flauta mágica de Brook, é cantada e dialogada. A narrativa é feita especialmente nos diálogos, enquanto as mais célebres árias da ópera foram mantidas. No elenco, que possui dois grupos completos que se apresentam alternadamente, existem sete cantores líricos e dois atores. Aqui em Porto Alegre, um grupo de cantores/atores se apresentou na quarta e na sexta-feira, e o outro na quinta-feira.
Com os atores de pés descalços, a atmosfera é onírica e intimista. As luzes da plateia ficaram o tempo todo levemente acesas e o cenário já estava à mostra quando entrava-se na sala de espetáculos do Bourbon Country. Alguns bambus no palco, com uma iluminação azul ao fundo, mas com foco amarelo nos bambus permaneceu assim por quase todo o espetáculo, exceto nos momento do ritual de iniciação de Tamino e Papageno. Além dos bambus, que durante o espetáculo eram manejados pelos atores e transformados tanto em castelo, como túneis, como prisão e floresta, utilizava-se, na cena com Papageno e Papagena, um caixote com rodinhas (aparentemente de transporte aéreo), um manto vermelho, uma garrafa de vinho e um jantar. Como acessórios, visualizamos a flauta mágica e o triângulo mágico. Afora isso, eram só os cantores/atores.
A respeito dos cantores/atores também deve ser feito um comentário. Com certeza, a parte musical estava excelente, principalmente pela vanguarda de Brook: ao invés de uma orquestra completa, apenas um pianista, que em alguns espetáculos era o próprio Franck Krawczyk e em outros Matan Porat. Os sete cantores, fizeram muito mais do que é o papel de um cantor lírico: eles mostraram organicidade e energia, retiraram o ar conhecido da ópera (de algo muito mais realista e “pomposo”) para algo simples. Além disso, renderam (principalmente os Papagenos) momentos de risadas enfáticas. As músicas eram cantadas em alemão e os diálogos em francês, e, conforme pessoas que sabem francês e alemão, percebia-se o sotaque em ambos, apesar disso não ser o suficiente para atrapalhar o entendimento (além de legendas, para aqueles que não compreendem nenhuma das duas línguas). Os dois personagens que eram feitos propriamente por atores (os espíritos da floresta), com certeza representavam o antropológico de Brook: movimentos precisos e energéticos, um deles nada fala, comunicando-se apenas visualmente, enquanto o outro até mesmo arrisca palavras em português. Seus figurinos e penteados excêntricos, com certeza atraem o foco dos olhares.
Mas além dessas questões bastante práticas de como funcionou o espetáculo, é necessário acrescentar que foi com grande espera que Peter Brook voltou ao Brasil. Não foi somente em Porto Alegre que os ingressos se esgotaram rapidamente, mas São Paulo e Rio de Janeiro tiveram sessões extras. E não somente em âmbito nacional, América do Norte e Europa também aclamaram o espetáculo. Mas o que será que chamou mais atenção dos espectadores, o nome de Peter Brook, o de Mozart, ou a busca por uma ópera mais leve?
Aqui, muitas pessoas na saída do teatro disseram que o que Brook e sua equipe produziram não foi uma ópera. Em contraposição a isso, faço minhas as palavras de André Toso, que criticou o espetáculo para a Revista Bravo!:
“De uma maneira geral, no entanto, a aproximação entre a ópera e o teatro de vanguarda é um casamento apropriado. Afinal, a ópera foi inventada na Florença do século 17 justamente para ser a primeira forma de arte multimídia. A ideia era misturar talentos de várias áreas artísticas e deixá-los criar livremente (...) Nesse sentido, os encenadores – especialmente os mais criativos – são extremamente bem-vindos ao mundo da ópera, uma forma de arte que já nasceu de vanguarda.” (Bravo! Setembro, 2011)
Acredito que avaliamos provavelmente mal a ópera de Brook, porque temos pouquíssimo contato com o gênero no nosso país. Não sabemos direito nem bem como ele é originalmente, imagine óperas vanguardistas. Mas, para pessoas que se deixam envolver no espetáculo e o admiram sem conceitos pré-estabelecidos o encantamento é o mesmo, porque a mensagem é comunicada. Peter Brook, em uma de suas falas a respeito do espetáculo por ele dirigido, ressalta ainda mais o que acontece longe do Brasil, mas que na Europa e Estados Unidos está em “voga”:
“nos últimos trinta anos, vi muitas encenações de A flauta mágica. E pude constatar que a primeira dificuldade para o encenador e o cenógrafo é o conjunto de imagens que considero demasiado imponente: no caso de Carmen, é um pouco como se a imagem que se projeta e que se espera tivesse um peso excessivo em relação ao restante. A ideia é chegar a que os cantores – jovens cantores – avancem de modo natural, vivo, amável, no desenrolar da intriga sem se impor projeções, construções, vídeos ou cenários giratórios…”.
Não se leva mais tanto em consideração (seja no teatro, seja na ópera – ou seria a mesma coisa?) a imponência de um cenário, de um figurino, ou de uma figura “estrela” do elenco: se leva o todo, o que o todo comunica. Tanto que, pouco nos importa o nome dos atores de Uma flauta mágica, apesar de que o nome de Brook chame público. Mas este é um fardo unicamente dele que cometeu a terrível falha de ser inovador na arte da encenação.
Uma flauta mágica, para mim, é A flauta mágica. Foi minha primeira ópera e meu primeiro espetáculo de Peter Brook. Mas acima de tudo, me deu uma nova visão, me trouxe coisas que eu não conhecia, perspectivas sobre um gênero que até então só via em livros. O espetáculo Uma flauta mágica foi com certeza simples, mas não simplista.
* Manoela Wilhelms Wolff é estudante no Departamento de Arte Dramática da UFRGS

domingo, 7 de agosto de 2011

Medeia

Medeia – França / Burkina Faso
Dias 24 e 25, às 20h – Teatro Renascença

Em 2001, durante uma viagem pela África, o diretor Jean-Louis Martinelli se impressionou vivamente com a evidente dimensão trágica do continente africano. Esse impacto o levou a montar um texto de Max Rouquette, inspirado na Medeia de Eurípedes, originalmente escrita em um dialeto do sul da França, como um espelho perfeito para o “barnabara”, idioma falado na zona rural de Burkina Faso. No mágico solo africano, a superstição e o sagrado estão inseparavelmente entrelaçados com a realidade da vida cotidiana: as tentativas de enfraquecer a democracia, a brutalidade das guerras étnicas, a fragilidade das fronteiras, que ecoam à perfeição na célebre tragédia, onde Medeia, em um acampamento para refugiados, espera o retorno de Jasão. Um dos atrativos da montagem é a trilha sonora, composta por ritmos e canções tribais, numa rara oportunidade do público gaúcho de conferir uma encenação gestada com atores e elementos africanos.

Texto: Eurípedes / Adaptação: Max Rouquete / Direção: Jean-Louis Martineli / Elenco: Odile Sankara, Bakary Konate, Mariam Kone, Moussa Sano u, Hamadou Sawadogo / Coro: Ténin Dembele, Adiaratou Diaba te, Haoua Diawara, Assetou Demba, Karidia Konate, Fatimata Kouya te / Mãe: Blandine Yaméogo / Músico: Baba Kouya té / Música: Ray Lema / Duração: 1h40min / Classificação: 16 anos

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A flauta mágica

A flauta mágica – França
Dias 21, 22 e 23, às 21h – Teatro do Bourbon Country

A Flauta Mágica (Une flûte enchantée) é a encenação de Peter Brook para a célebre ópera de Mozart. De uma eficácia cênica comovente, o espetáculo explicita o método de encenação de Brook, um dos maiores encenadores da história do teatro, buscando a simplicidade absoluta de efeitos, reduzindo a duração do espetáculo de quatro horas para uma hora e meia sem que se percam nenhum dos aspectos fundamentais da obra. Aos 86 anos, 40 deles à frente do mítico teatro parisiense Les Bouffes du Nord, Peter Brook, escolheu este espetáculo para anunciar seu afastamento dos encargos administrativos que o ligavam à sala famosa. Juntamente com seus colaboradores habituais, Marie-Hélène Estienne e o diretor musical Franck Krawczyk, Brook subverte cada uma das convenções da ópera, em montagem que ganhou o Prêmio Molière, de Melhor Espetáculo Musical da França, em 2010. Minimalista, com Krawczyk sozinho ao piano, a encenação é uma versão de câmara da ópera mozartiana, desnudando o palco e contando com pouquíssimos recursos cênicos, deixando seu jovem elenco cantar olho no olho com a plateia, cujo resultado é de total magia e encantamento. Um espetáculo obrigatório para os amantes da ópera e do teatro contemporâneo, com dois elencos que se alternam durante as apresentações.

Da obra de Wolfgang Amadeus Mozart / Livremente adaptado por: Peter Brook, Franck Krawczyk e Marie-Hélène Estienne / Direção: Peter Brook / Elenco musical: Abdou Ouologuem, Adrian Strooper, Aylin Sezer, Betsabée Haas, Dima Bawab, Julia Bullock, Jean-Christophe Born, Leila Benhamza, Malia Bendi-Merad, Patrick Bolleire, Roger Padullès, Romain Pascal, Thomas Dolié , Vicent Pavesi, Virgile Frannais e William Nadylam / Piano: Franck Krawczyk e Vicent Leterme / Iluminação: Philippe Vialatte / Figurinos: Hélène Patarot com assistência de Oria Puppo / Diretor de palco: Arthur Franc / Camareira: Alice François / Gerente da turnê: Agnès Courtay / Produção executiva: Marko Rankov / Duração: 1h35min / Classificação: 14 anos

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sissy!

Sissy! faz parte do projeto de doutorado prático de Nando Messias na Central School of Speech and Drama, University of London. Em sua pesquisa, Messias investiga, através da teoria Queer, conceitos de formação corporal de gênero, violência física, abuso verbal e ocupação de espaço urbano. Sissy! procura desenvolver estas idéias em prática no espaço do palco. O foco principal do espetáculo está centrado no conceito de ‘sissiografia’ do corpo, criado por Messias em seu doutorado. Em outras palavras, Sissy! descreve o processo de escrita do conceito ‘sissy’ (o que equivaleria literalmente em português à expressões de abuso como ‘bicha’ ou ‘veado’) no corpo do performer. A escolha do nome ‘sissy’ como título da performance é, portanto, em si, uma tentativa de engajamento com o processo crítico que Foucault denomina ‘reverse discourse’ (discurso invertido).

O processo dramatúrgico de Sissy! se desenvolve a partir de uma série de estratégias cênicas. Entre estas, se encontra o paralelo comparativo que se estabelece entre os corpos dos dois performers em cena. Com o auxílio de figurinos, Biño Sauitzvy, que também assina a direção, representa o lado masculino: o boxeador. Seu corpo é atlético, forte e musculoso. O contraste com a figura do boxeador se estabelece, desde o início, com o uso de elementos comumente percebidos como sendo pertencentes ao vestuário feminino. Estes figurinos são também usados aqui de uma maneira hiperbólica, pois a versão feminina que Nando Messias apresenta no palco não é somente feminina, mas ‘ultra-feminina.’

Também simbólico dentro do discurso desenvolvido durante a performance é a cor rosa. Sissy! Focaliza porém no uso hiperbólico da cor rosa desde o uso da maquiagem (blush cor-de-rosa) no início, até o vestido de fru-fru cor-de-rosa que aparece no final da performance, dentro de uma caixa de presente, também cor-de-rosa, enrolada em uma fita de cetim cor-de-rosa.

Sobre a concepção do espetáculo, diz Sauitzvy:

“A busca de uma estética própria, que nasça da criação pessoal de cada membro de um grupo, sai do caminho da construção do teatro e da dança tradicionais. Nós não par­timos de um texto dramático pré-estabelecido. Nós somos ao mesmo tempo atores, dançarinos e dramaturgos. Nós somos os construtores de uma dramaturgia corporal performática. Os criadores de uma performance que é, ao mesmo tempo, ação e escritura cênica. Nós escrevemos no espaço com nosso corpo, nossa voz. Nós viemos de dife­rentes horizontes e nos reunimos para criar. A dramaturgia aqui é a performance, a ação das sensações, das histórias pessoais, de diferentes modos de existên­cia, da observação da vida externa como um reflexo da vida interna. É o indivíduo fragmentado que nos interessa. Um ser cujo pensamento é ilógico, não narrativo-cientifico, um homem desprovido de um raciocínio “causa e conseqüência”. É o indivíduo que é entre o teatro, a dança, o gesto inaca­bado, o movimento, a imagem, a performance, a musica. Nós buscamos um homem performático, contaminado, híbrido.”


*

FICHA TÉCNICA

Diretor do Espetáculo: Biño Sauitzvy

Elenco: Biño Sauitzvy e Nando Messias

Iluminador: Claudia de Bem

Figurinos: Biño Sauitzvy e Nando Messias

Produção: Claudia de Bem e Collectif des Yeux

Duração do espetáculo: 60 min




Classificação: 16 anos

2x3+1=7 ou l'impossibilite de nommer les choses


Terceira parte da série de performances de dança/teatro, “2x3+1=7" parte da mise-en-scène do performer. É o encontro de dois mundos individuais é o objeto de investigação, cujo processo se apresenta no 17º Porto Alegre em Cena. Os mundos, ou mônadas (um universo particular, individual, único, e que contém em si características contidas igualmente em outras externas a si) têm suas escrituras assinadas coreograficamente por Biño Sauitzvy e por Luciana Dariano. Uma escritura que toca a pele, como púrpura nas bochechas de uma criança. Memórias furtivas, um passeio pelo campo sensorial.

A dramaturgia está no campo do possível. Primeiramente, há o encontro como um conceito para a construção de uma performance autobiográfica. Depois, o encontro de duas individualidades, duas mônadas numa só situação. Uma dança num teatro vazio. Roupas que colam no corpo: ela, um vestido xadrês e sapatos que remetem à infância. Ele, botas de operário, camiseta de física, calças com suspensório. Um tango incessante e vertiginoso que nunca deixa de oscilar entre a vida e a morte.

Esta pesquisa é a continuação do processo iniciado na construção das performances solo de dança/teatro “La Divina” e H to H”. A partir da busca da criação individual, alimentada pelas influências de outros artistas e de outros processos de formação (prático/artístico/pessoal), o desejo manifestado pelos artistas foi o de criar uma rota progressiva, que se torna a obra em si. Uma obra que está nas idas e vindas do que existe no imaginário pessoal, no que é encontrado na “realidade pronta”. Esse work in process fala do fragmento como forma independente (peça, pedaço, que pode ser parte de outro sistema e, portanto, ser e existir de outra forma).

Então, nada de espetacular (mas, ao mesmo tempo, tudo), nem a sombra da sedução: eles (o homem e a mulher) extenuam-se no palco. Ao espectador fica o sentimento de que algo é arrancado da fonte e transporta: a energia vital de Biño Sauitzvy e Luciana Dariano.

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FICHA TÉCNICA:

Diretor do Espetáculo: Biño Sauitzvy

Elenco: Biño Sauitzvy e Luciana Dariano

Iluminador: Claudia de Bem

Figurinos: Collectif des Yeux

Produção: Claudia de Bem e Collectif des Yeux

Duração do espetáculo: 55 min

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Goran Bregovic & Weddings and Funerals Oschestra

Nascido em Saravejo, hoje na Iugoslávia, Goran Bregovic é conhecido pelos mais velhos como alguém que pode ser, pelo seu talento e seu currículo, comparado a compositores como Ennio Morricone (compositor dos filmes de Sergio Leone) e Nino Rota (compositor dos filmes de Federico Fellini). Esses também podem lembrar de sua banda de rock, “White Botton”, que fez muito sucesso nos anos 70. Os mais jovens, no entanto, podem se lembrar dele por sua assinatura nas canções do filme Borat, dirigido por Sasha Baron Cohen, além de suas premiadas participações em vários filmes do sérvio Emir Kusturica (O tempo dos ciganos, Arizona Dream, Underground – Mentiras de Guerra, entre outros).

Aqueles que, mais velhos ou mais jovens, não são do tipo que guardam os nomes dos compositores das músicas de seus filmes preferidos, podem encontrar nas palavras do próprio artista um convite para assisti-lo no 17º Porto Alegre em Cena:

“Música é a primeira linguagem humana e uma das mais difíceis de ser controlada socialmente pelos códigos culturais porque preexiste a existência da sociedade e da cultura. Esta é a linguagem em que eu me comunico com o público em (e de) todos os lugares.”

Lugar: a sociedade em que vivemos. Quando Goran Bregovic & Weddings and Funerals Oschestra se comunicam, existindo, assim, no mundo no espaço e também no tempo, eles tocam e cantam músicas de um lugar. Músicas dos Balcãs (Grécia, Turquia, Bósnia, Macedônia, Montenegro, Trácia, Kosovo, Sérvia, Croácia, Romênia, Eslovênia, Albânia e a Bulgária), países, lugares distantes do Brasil se só pensarmos em lugar como uma cor geográfica. O Leste Europeu, no entanto, vai parecer aqui do lado se pensarmos na música de Bregovic como ela tem sido proclamada pelo mundo afora: intensa, vigorosa, apaixonada, exótica, fascinante! Um ritmo que contagia quem ouve e se deixa levar pela sensação. Ritmos ciganos e sons búlgaros tradicionais, trilhas sonoras alucinadas, criativamente compostas com metais e vibratos. A miscigenação na música.

O show que abre o 17º Porto Alegre em Cena é ao vivo, isto é, Goran Bregovic e sua orquestra estarão em Porto Alegre falando de perto para perto de algo que, sob muitos aspectos, nunca esteve longe. Sobre um lugar pequeno, talvez no Mar Adriático, que nos lembra a paz de um lar com cercas brancas e muita alegria. Uma cozinha quente com frigideiras de cobre penduradas, paredes caiadas, e noivas com flores na cabeça. Família, relações próximas. Festa.

O espetáculo se chama “Alkohol” e trará músicas do último CD de Bregovic, lançado em 2008. O disco traz treze faixas, quatro delas já aparecidas em outros álbuns do compositor, mas com novas roupagens. Novos arranjos para canções de antes que anunciam que as novas também, um dia, poderão receber outras cores. Bregovic é filho de pai croata e mãe sérvia. Além disso, é casado com uma bósnia muçulmana. O colorido de suas relações afetivas também está na forma como a lista de canções (uma produção francesa!) foi montada para a apresentação no 17º Porto Alegre em Cena, Além de “Alcohol”, Bregovic e sua orquestra interpretarão canções de outros de seus trabalhos, entre eles, canções compostas para o teatro.

O músico esteve recentemente muito envolvido com produções teatrais que motivam a sua participação em um festival internacional de teatro como o que construímos. Entre outras produções, por exemplo, em 2001, na Alemanha, Bregovic compôs as músicas de “A Divina Comédia: Inferno, o livro da alma”, baseado em Dante Alighieri, dirigido por Tomaz Pandur. Em 2004, na Itália, dirigiu “Karmen de Bregovic com Final Feliz”, baseado na ópera de Bizet.

Fazendo casar músicas de tantos países diferentes num mesmo espetáculo, grupos tão distintos numa mesma orquestra, corais e instrumentos diversos, o lugar de Bregovic recebe os mais velhos e os mais jovens. Os que gostam de cinema e os que gostam de teatro. Também aqueles que gostam de rock e de músicas folclóricas, de ópera e de instrumental, de violinos e de percussões. Acolhe quem gosta de música, quem se comunica, mas, sobretudo, quem ocupa o seu lugar nele.



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Ficha Técnica:
 

Compositor e Diretor: Goran Bregovic

Weddings and Funerals Oschestra:

Banda de metais ciganos: Alen Ademovic (tambor, vocal), Bokan Stankovic (trumpete 1), Dalibor Lukic (trumpete 2), Stojan Dimov (saxophone, clarinet), Milos Mihajlovic (trombone 2) e Aleksandar Rajkovic (trombone 3, glockenspiel).

Vozes Búlgaras: Ludmila Radkova-Trajkova e Daniela Radkova-Aleksandrova.

Sexteto de vozes masculinas: Dejan Pesic (1º tenor), Nenad Cica (2º tenor), Igor Arizanovic (2º tenor), Vladimir Rumenic (barítono), Dusan Ljubinkovic (baixo) e Sinisa Dutina (baixa).

Quarteto de cordas: String quartet: Ivana Matejic (1º violin), Bojana Jovanovic (2º violino), Sasa Mirkovic (alto) e Tatjana Jovanovic (violoncelo).

Engenheiro de som: Dusan Vasi


Duração: 2h30min sem intervalo