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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Jorge Arias #1
Viernes, 17 de septiembre, 2010 - AÑO 11 - Nro.3749
http://www.larepublica.com.uy/cultura/424132-festival-teatral-de-porto-alegre
Alkohol, Tobari, Hamelin, Dias felices y Video portraits
El lanzamiento del décimo séptimo Festival Internacional de Teatro de Porto Alegre fue con un almuerzo en el restaurant Boris, con el que se agasajó a las autoridades municipales y a la prensa. La apertura artística en el teatro del Shopping Bourbon estuvo a cargo de Goran Bregovic.
El título de la presentación de Goran Bregovic con su Orquesta de casamientos y funerales, Alkohol (Serbia) fue subrayado por el vaso con un líquido dorado. Posiblemente el "mago rubio" que invocaba Juan Carlos Abellá, que sostuvo en la diestra Bregovic, un hombre que es un show aparte.
Aparece ya comenzado el espectáculo (duración: dos horas y media), vestido con un luminoso traje blanco; luce un adorno plateado que cuelga como una condecoración. Su orquesta (diecisiete músicos) causó en los jóvenes entusiasmo y batir de palmas: hubo parejas que se besaban, casi todos saltaban, alzábanse los brazos. Oímos elogiar la bullanguera banda de metales, el grave sexteto vocal, las cuerdas gitanas, las cantantes búlgaras que miraban a los espectadores de las primeras filas; pero a partir de los primeros quince minutos tuvimos la sensación de estar empaquetados en el mismo ritmo, música de circo o de feria, banda militar. Algunas reminiscencias del cante jondo, a cargo del Alen Ademovic, también baterista, nos hicieron soñar; pero fue un instante.
Tobari (Japón) danza Bu Toh, no tiene ninguna relación con lo que llamamos "ballet", pero la única definición adecuada en nuestro idioma es "danza". Vemos nueve bailarines, vestidos o pintados de un blanco que sugiere el mármol de estatuas en movimiento, sobre una escenografía mínima, de pura luz; en parte una cinta blanca que separa la escena del fondo del escenario, una cambiante noche estrellada. La acción es de un movimiento muy lento, no menos difícil que las "pirouettes" o "double tours". Los sentimientos que suscita "Tobari" son entre religiosos y estéticos, como si para el Japón fuere imposible la idea de un arte puro, de un "arte por el arte". Hay un sentido de unción en todo el espectáculo: no es un rito, ni una ceremonia, pero tampoco es entretenimiento o pasatiempo. Cuando salimos sabemos que vimos algo que no podemos definir, que admiramos, que nos sorprende sin querer sorprendernos, que nos deja una honda sensación de respeto y aprecio.
Hamelin (Río de Janeiro) de Juan Mayorga, de quien se exhibe en Montevideo El camino del cielo, plantea, a través de una investigación judicial el tema de la pedofilia: como en La duda de J. P. Shanley, casi justifica la afición. El final (no hay un desenlace) es un signo de interrogación, que cuestiona a los cuestionadores. La puesta en escena complica un trama clara y distinta narrándola al mismo tiempo que la tenemos ante nuestros ojos: no hay una pausa en el diálogo que no sea acotada por algún narrador honorario que dice "silencio", como si no advirtiéramos que alguien calló. La relación de la pedofilia con el flautista de Hamelin, tan importante que llega al título de la pieza, nos fue inexplicable: en particular no entendimos la similitud de los niños con los ratones. Entendemos que no razonan, pero esto es un fenómeno universal.
Dias felices, (Estados Unidos-Italia) con dirección de Robert Wilson (Waco, Texas, 1941), que ya dirigió en el festival del 2009 Cuarteto de Heiner Müller. Los refinados efectos de luz gratos al director están bajo control y adecuados al espíritu de Beckett. Winnie, por Adriana Asti (1933), primera esposa de Bernardo Bertolucci, está en la cima de un siniestro montículo negro recortado bajo un cielo de luz cruda que forma una aureola sobre la actriz. Puede preferirse la versión de Peter Brook, pero esta puesta en escena, sin mengua del virtuosismo del director, es impecable.
Vídeo portraits, de Robert Wilson en el Santander Cultural, es una exposición, desarrollada en dos plantas, de retratos filmados, con sonido y movimientos. Los modelos son casi siempre célebres (Johnny Depp, Brad Pitt, Isabelle Huppert, Jeanne Moreau, Gao Xingjian, entre otros). Los retratos, fijos en la pared, tienen movimiento dentro de sus marcos. Al cabo de unos instantes de contemplación, los modelos pestañean, parpadean, a veces le llueve encima a un Brad Pitt en calzoncillos, que agrede con una pistola de agua; a veces les recorren el cráneo letras como hormigas (Gao Xingjian). Hay una perfección, un poco impersonal y otro poco distante; y no pudimos avaluar qué parte de la perfección se debe a apoyos técnicos y qué parte proviene de la inventiva del autor.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Simone Rasslan: Goran Bregovic
Foto: Creative
Goran Bregovic - Celebração!
Vinte uma horas. Aplausos pedindo o começo do show. O público ansioso pra receber o iuguslavo Goran Bregovic em Porto Alegre. Ele, que já não é um desconhecido desses pagos (já esteve aqui noutra
edição do Em Cena), organizou uma festa pros gaúchos! Vejam como foi:
Entra no palco um quarteto de cordas afinadíssimo, composto por três mulheres e um homem. Todos com suas partituras executando música contemporânea. Tudo muito lindo e perfeito…Opa! Sai da plateia o naipe
de metais, duelando com as cordas. Elas, com tratamento erudito e os metais trazendo a “rua” com seus vibratos próximos ao da voz cigana. Assim que eles se acomodam, um coro de cinco homens, (ou seis, não
importa, pois cantavam como cem!) elegantérrimos dentro de seus ternos pretos e gravatas borboletas, começam uma canção “quase” sacra! Vozes eruditas. Baixos profundos! Em contraponto ao coro masculino, as vozes Búlgaras. De novo a “rua”. Nunca o termo uníssono foi tão bem usado! Casamento perfeito de
voz que só o grau de parentesco ou uma relação muito íntima pode proporcionar. Ludmila Radkova-Trajkova e Daniela Radkova-Aleksandrova assumem a responsabilidade de enfeitar o espetáculo com suas cores e com seus timbres tão peculiares.
O nome do espetáculo: Alkohol!!
Bem, tudo lindo, mas pode ficar melhor! Entra o bonitão Alen Ademovic. Ocupa seu posto o multi instrumentista, cantor-sedutor, sentadinho logo na frente, dividindo o centro do palco com o comandante desse barco, Goran Bregovic que vem todo de branco, mas…de sapato vermelho! Goran, armado de sua guitarra e de um computador de onde dispara bases pré gravadas, se limita a sorrir e celebrar o som que criou com seus amigos. Sempre sentado, quando não estava tocando e cantando, regia a massa sonora com uma das mãos e com a outra, segurava a guitarra.
Palco cheio! Música vigorosa, viva! Tecnicamente perfeita! Cheia de acidentes e compassos mistos de difícil execução, mas feita com uma organicidade e despojamento de dar inveja! Ora melancólica, ora festiva , a melodia pesseia entre tonalidades menores e maiores sem pedir muita licença, assim como dissonâncias e consonâncias! Levantou o público. Aula pra quem quer aprender a fazer bonito e bem feito!
Cenário? Nada. Luz? Muito simples. Só para garantir a leitura dos músicos. O som, impecável! O nome do engenheiro: Dusan Vasic. Nós? Somos os felizardos que podemos degustar cada pedacinho! Ou cada gole? Saí embriagada!
Salud! Alkohol!
Simone Rasslan
*Simone Rasslan, chegou em Porto Alegre em 1988. Veio de Dourados(MS) para estudar regência na Ufrgs. É cantora, instrumentista, compositora, regente, educadora musical e atriz. Uma das criadoras do
espetáculo Rádio Esmeralda, no qual dividiu o palco com Adriana Marques por 9 anos sob a direção de Hique Gomez. No ano passado, estreou com Alvaro RosaCosta e Beto Chedid.: Xaxados e Perdidos.
Goran Bregovic - Celebração!
Vinte uma horas. Aplausos pedindo o começo do show. O público ansioso pra receber o iuguslavo Goran Bregovic em Porto Alegre. Ele, que já não é um desconhecido desses pagos (já esteve aqui noutra
edição do Em Cena), organizou uma festa pros gaúchos! Vejam como foi:
Entra no palco um quarteto de cordas afinadíssimo, composto por três mulheres e um homem. Todos com suas partituras executando música contemporânea. Tudo muito lindo e perfeito…Opa! Sai da plateia o naipe
de metais, duelando com as cordas. Elas, com tratamento erudito e os metais trazendo a “rua” com seus vibratos próximos ao da voz cigana. Assim que eles se acomodam, um coro de cinco homens, (ou seis, não
importa, pois cantavam como cem!) elegantérrimos dentro de seus ternos pretos e gravatas borboletas, começam uma canção “quase” sacra! Vozes eruditas. Baixos profundos! Em contraponto ao coro masculino, as vozes Búlgaras. De novo a “rua”. Nunca o termo uníssono foi tão bem usado! Casamento perfeito de
voz que só o grau de parentesco ou uma relação muito íntima pode proporcionar. Ludmila Radkova-Trajkova e Daniela Radkova-Aleksandrova assumem a responsabilidade de enfeitar o espetáculo com suas cores e com seus timbres tão peculiares.
O nome do espetáculo: Alkohol!!
Bem, tudo lindo, mas pode ficar melhor! Entra o bonitão Alen Ademovic. Ocupa seu posto o multi instrumentista, cantor-sedutor, sentadinho logo na frente, dividindo o centro do palco com o comandante desse barco, Goran Bregovic que vem todo de branco, mas…de sapato vermelho! Goran, armado de sua guitarra e de um computador de onde dispara bases pré gravadas, se limita a sorrir e celebrar o som que criou com seus amigos. Sempre sentado, quando não estava tocando e cantando, regia a massa sonora com uma das mãos e com a outra, segurava a guitarra.
Palco cheio! Música vigorosa, viva! Tecnicamente perfeita! Cheia de acidentes e compassos mistos de difícil execução, mas feita com uma organicidade e despojamento de dar inveja! Ora melancólica, ora festiva , a melodia pesseia entre tonalidades menores e maiores sem pedir muita licença, assim como dissonâncias e consonâncias! Levantou o público. Aula pra quem quer aprender a fazer bonito e bem feito!
Cenário? Nada. Luz? Muito simples. Só para garantir a leitura dos músicos. O som, impecável! O nome do engenheiro: Dusan Vasic. Nós? Somos os felizardos que podemos degustar cada pedacinho! Ou cada gole? Saí embriagada!
Salud! Alkohol!
Simone Rasslan
*Simone Rasslan, chegou em Porto Alegre em 1988. Veio de Dourados(MS) para estudar regência na Ufrgs. É cantora, instrumentista, compositora, regente, educadora musical e atriz. Uma das criadoras do
espetáculo Rádio Esmeralda, no qual dividiu o palco com Adriana Marques por 9 anos sob a direção de Hique Gomez. No ano passado, estreou com Alvaro RosaCosta e Beto Chedid.: Xaxados e Perdidos.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Fã: Goran Bregovic & Weddings and Funerals Oschestra
Foto: Creative
Em 2001, quando o Goran Bregovic veio pela primeira vez a Porto Alegre já fazia quase dois anos que eu estava na Europa tocando com minha banda punk chamada NO REST. Os Punks, na Europa, tem muito em comum com os ciganos, moram em ocupações que são transformadas em centros culturais e viajam muito em seus caminhões-casas. Foi em um destes locais que mais se parecia um cenário do filme Mad Max, em Biel, na Suíça, que uma amiga nos gravou um fita cassete com músicas do Bregovic. Digamos que foi amor a primeira escutada, a fita passou a ser a mais ouvida durante as nossas viagens e nos acompanhou pela Europa toda inclusive pelos Balcans. Do show de 2001, que eu não fui, só ouvi coisas maravilhosas e pensei se um dia teria eu a oportunidade de ver um show dele ao vivo... Nove anos se passaram e, no 17º POA em Cena, eis que Goran Bregovic está de volta. A notícia bombástica da confirmação do nome Goran no festival me encheu de alegria e, sem dúvida nenhuma, lá estava eu para comprar os ingressos para o show, dormindo na fila pra não perder este espetáculo.
Ontem, no teatro do Bourbon, Porto Alegre presenciou um dos melhores shows de todos os tempos. Foi lindo, emocionante! É uma sensação que não se pode medir com palavras e, sim, com sorrisos e lágrimas. A música de Goran Bregovic é altamente recomendada para o bem estar de qualquer pessoa. Um som que bate no peito e faz o corpo estremecer. Não houve quem ficasse parado. Não houve quem saiu de lá triste e, de um certo ponto do show pra frente, não houve mais cadeiras numeradas e sim uma alegria contagiante que partiu do palco e encheu o local. Só tenho a agradecer o POA em Cena por esta possibilidade de ver um show tão lindo como este.
Hoje estarei lá novamente. Não poderia deixar de ir. Quem ainda puder, mesmo se não tiver ingresso, vai pra "fila do sem". Insista! Apareça! Este show pode mudar sua vida!
Go East!
*
Este show pode mudar sua vida!
Em 2001, quando o Goran Bregovic veio pela primeira vez a Porto Alegre já fazia quase dois anos que eu estava na Europa tocando com minha banda punk chamada NO REST. Os Punks, na Europa, tem muito em comum com os ciganos, moram em ocupações que são transformadas em centros culturais e viajam muito em seus caminhões-casas. Foi em um destes locais que mais se parecia um cenário do filme Mad Max, em Biel, na Suíça, que uma amiga nos gravou um fita cassete com músicas do Bregovic. Digamos que foi amor a primeira escutada, a fita passou a ser a mais ouvida durante as nossas viagens e nos acompanhou pela Europa toda inclusive pelos Balcans. Do show de 2001, que eu não fui, só ouvi coisas maravilhosas e pensei se um dia teria eu a oportunidade de ver um show dele ao vivo... Nove anos se passaram e, no 17º POA em Cena, eis que Goran Bregovic está de volta. A notícia bombástica da confirmação do nome Goran no festival me encheu de alegria e, sem dúvida nenhuma, lá estava eu para comprar os ingressos para o show, dormindo na fila pra não perder este espetáculo.
Ontem, no teatro do Bourbon, Porto Alegre presenciou um dos melhores shows de todos os tempos. Foi lindo, emocionante! É uma sensação que não se pode medir com palavras e, sim, com sorrisos e lágrimas. A música de Goran Bregovic é altamente recomendada para o bem estar de qualquer pessoa. Um som que bate no peito e faz o corpo estremecer. Não houve quem ficasse parado. Não houve quem saiu de lá triste e, de um certo ponto do show pra frente, não houve mais cadeiras numeradas e sim uma alegria contagiante que partiu do palco e encheu o local. Só tenho a agradecer o POA em Cena por esta possibilidade de ver um show tão lindo como este.
Hoje estarei lá novamente. Não poderia deixar de ir. Quem ainda puder, mesmo se não tiver ingresso, vai pra "fila do sem". Insista! Apareça! Este show pode mudar sua vida!
Go East!
*
Paulo Zé Barcellos
www.gamana.art.br
www.morrostockopenair.blogspot.com
www.bandinhadidado.com
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Bob Bahlis #2: Alkohol
Cena 1: Abriram-se as cortinas
Começou o Porto Alegre em Cena. Teatro lotado e plateia muito animada. O público foi ao delírio com o espetáculo musical "ALKOHOL", nesta última quarta-feira, no Bourbon Country. O talento musical de Goran Bregovic e sua “Weddings and Funerals Oschestra”, formada por uns 16 músicos, causou um efeito sobrenatural. Sabe aqueles supostos poderes mágicos da boa e velha música?
Escutei algumas garotas enfeitiçadas, suspirando pelo Goran, que usava um belo terno branco. Muita gente dançando no teatro. Alguns até soltavam gritos mais prolongados, uivavam. Defloramos a música; sedução sonora e artística.
A atriz Sandra Dani, o diretor de teatro Camilo de Lélis e o prefeito de Porto Alegre José Fortunatti, falaram especialmente para o Blog do Poa Em Cena.
Bob Bahlis: O que você achou do espetáculo?
Sandra Dani: Gostei muito da música, tocante, contagiante. Um rítmo cigano que também remete à música espanhola.
Camilo de Lélis: Gostei muito da pegada musical. Muito vital, física, uma música que parece sair das entranhas da terra. Eles são Ctónicos.
José Fortunatti: Achei fantástico, surpreendente. Um estilo musical extremamente envolvente, encantador, algo muito diferente.
*
Bob Bahlis:Quem tu convidarias, pra ver uma peça contigo?
Sandra Dani: Eu te convidaria, Bob Bahlis.
Camilo de Lélis: Esse pessoal da Sérvia e depois tomaríamos uma vodka.
José Fortunatti: Todas as camadas sociais.
Bob Bahlis:Quem tu não convidarias?
Sandra Dani: Políticos chatos.
Camilo de Lélis: Robert Wilson.
José Fortunatti:Aqueles que não gostam de cultura.
*
Bob Bahlis: Complete a frase: "O Porto Alegre em Cena é melhor que ..."
Sandra Dani: "... muitas coisas que acontecem pelo mundo. Estamos vivenciando uma celebração cultural, do belo teatro, raro de se ver na programação de um mesmo Festival.
Camilo de Lélis: "... qualquer outro Festival da América Latina."
José Fortunatti: "... tantas coisas..."
*
Bob Bahlis: Camilo e Sandra, duas peças que estão na agenda de vocês?
Sandra Dani: Só duas? Tobari, do Japão e os Uruguais.
Camilo de Lélis: Muitas peças. O Idiota , da Lituânia; e As Troianas- vozes da guerra, de São Paulo.
*
Bob Bahlis: Sandra Dani, tem alguma peça, texto, personagem, que sonhas fazer?
Sandra Dani: Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906/1989), escrita originalmente em francês e publicada em 1952.
Bob Bahlis: Como é a sensação de ser homenageada neste Porto Alegre em cena?
Sandra Dani: Só duas? Tobari, do Japão e os Uruguais.
Camilo de Lélis: Muitas peças. O Idiota , da Lituânia; e As Troianas- vozes da guerra, de São Paulo.
*
Bob Bahlis: Sandra Dani, tem alguma peça, texto, personagem, que sonhas fazer?
Sandra Dani: Esperando Godot, de Samuel Beckett (1906/1989), escrita originalmente em francês e publicada em 1952.
Bob Bahlis: Como é a sensação de ser homenageada neste Porto Alegre em cena?
Sandra Dani: Pura felicidade. Em 2012, completo quarenta anos de teatro. Essa homenagem mostra que meu trabalho está chegando às pessoas.
*
Amanhã tem mais...
Desculpe qualquer erro.
Sabe aquela velha dislexia que tenho, né?
Bob Bahlis
*Bob Balis (40 anos) é diretor de teatro e dramaturgo. Dirigiu os espetáculos "Stand Up Drama", "Dez(quase)Amores" , "Filhote de cruz credo", "Tem Quintana na Casa", "Homens", entre outros. Em novembro, estreia a comédia adulta Morgue (texto e direção). Em 2011, pretende montar a peça "O dia mais quente do ano" (texto e direção). É professor de teatro da escola Cômica Cultural.
Rodrigo Monteiro #1: Alkohol
Foto: Andrew Sykes
Casamento
Há um diretor de teatro polonês chamado Tadeusz Kantor (1915-1990) que ficou muito conhecido por suas experimentações teatrais entre anos 40 e 70. Algumas vezes em cena simplesmente sentado assistindo aos seus atores ou ele mesmo interpretando algum personagem, uma das questões que chamam a atenção do ponto de vista da narrativa é seu tema. Kantor, além de ter ficado conhecido pelas performances e happenings, apresenta ao mundo ele mesmo, suas memórias, seu interesse pela cultura judaica (sendo católico), seus exorcismos. Há muito o que se dizer sobre ele, mas, no segundo dia do 17º Porto Alegre em Cena, me vem a imagem desse senhor sentado no palco, de costas para o público, ouvido sua própria história pelos movimentos do seus atores e oferecendo isso tudo ao seu público, atrás de si. Em cena, Goran Bregovic conta a sua história.
“Alkohol” pode, sim, ser visto como um show musical em que músicas de diferentes culturas (cigana, búlgara, eslava, latina!,...) se encontram. Mas, se o leitor do show reconhecer que essa é a vida do seu maestro e de seu intérprete mais importante, a forma de ouvir se modifica. “Weddings and Funerals Orchestra” é uma reunião de grupos musicais representativos desses sons, dessas culturas, desses lugares que, para nós, é distante. Não importa a cultura, todos os humanos vivem a realidade de funerais e a realidade de casamentos. E esse eixo gira em diversas velocidades, em diferentes mãos, mas gira. O espetáculo de abertura do Porto Alegre em Cena de 2010 expressa, como talvez poucos em sua história de aberturas, a realidade composta de diferentes realidades.
Nunca tinha ouvido falar em Goran Bregovic até a produção da revista de programação. Em volta de mim, algumas pessoas também não. Mais adiante, fãs incondicionais do iuguslavo que cantarolavam as letras das músicas e já conheciam não apenas o último CD como outros anteriores e suas participações no cinema. Entre nós, algum outro grupo de espectadores que tinha ouvido um música aqui outra ali sem muita paixão, mas com uma admiração que o fez vir ao show. Pessoas diferentes, repertórios diferentes, o mesmo giro.
A oração do Kyrie Eleison, duas vezes repetida, traz a referência do cristianismo bizantino, a missa cantada medieval e ortodoxa que exige do orante uma postura bastante mais contemplativa e bem menos carismática. É uma oração de Ato Penitencial em que pedimos perdão pelos pecados diante do sacrifício de Cristo. A oração do Sanctus, no mesmo culto, é um ato de louvor diante da transformação de carne e sangue em pão e vinho na eucaristia. O corpo que se renova, morre, mas continua presente.
Em oposição, a música, a dança, a alegria de diversas culturas que celebram a união, a conquista, o amor. “Até que a morte os separe!” encontra, nesse espetáculo, o seu início e o seu fim, enquanto nós celebramos o seu meio. Um meio que vai e vem, que gira da alegria para tristeza, das palmas à oração, do levantar e dançar ao recolher-se na poltrona. Do palco, o que vemos é uma união sincera: assim como o deve ser na vida e na morte.
No meio de uma oração quase fúnebre sem sê-la, uma atriz manda beijinho para seu colega músico do outro lado do palco. Os rapazes debocham, os violinistas cansam, os cantores se concentram à guisa da disciplicência que mostra ser aquilo tudo, antes de qualquer coisa, uma festa. Alen Ademovic seduz quem quer que seja protagonizando, em destaque, a gentileza de Bregovic em que dividir seu brilho com o músico mais novo. A Goran, tal como a Kantor, cabe o papel do professor que vê seus alunos mortos como em Dead Class. Talvez a diferença entre os dois artistas, e entre dos dois espetáculos, seja o fato de que as lembranças de Kantor morrem enquanto as de Bregovic se casam.
Se casam com as nossas, que não esqueceremos a energia vibrante de “Alkohol”.
*
Ficha Técnica:
Compositor e Diretor: Goran Bregovic
Weddings and Funerals Oschestra:
Banda de metais ciganos: Alen Ademovic (tambor, vocal), Bokan Stankovic (trumpete 1), Dalibor Lukic (trumpete 2), Stojan Dimov (saxophone, clarinet), Milos Mihajlovic (trombone 2) e Aleksandar Rajkovic (trombone 3, glockenspiel).
Vozes Búlgaras: Ludmila Radkova-Trajkova e Daniela Radkova-Aleksandrova.
Sexteto de vozes masculinas: Dejan Pesic (1º tenor), Nenad Cica (2º tenor), Igor Arizanovic (2º tenor), Vladimir Rumenic (barítono), Dusan Ljubinkovic (baixo) e Sinisa Dutina (baixa).
Quarteto de cordas: String quartet: Ivana Matejic (1º violin), Bojana Jovanovic (2º violino), Sasa Mirkovic (alto) e Tatjana Jovanovic (violoncelo).
Engenheiro de som: Dusan Vasi
Duração: 2h30min sem intervalo
* Rodrigo Monteiro: Licenciado em Letras - Português/Inglês pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.Bacharel em Comunicação Social - Habilitação Realização Audiovisual pela mesma universidade. E mestrando em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Jurado do Troféu Açorianos de Teatro 2010 e, também, do Troféu Braskem 2010, é autor do blog www.teatropoa.blogspot.com de Crítica Teatral de Porto Alegre
Casamento
Há um diretor de teatro polonês chamado Tadeusz Kantor (1915-1990) que ficou muito conhecido por suas experimentações teatrais entre anos 40 e 70. Algumas vezes em cena simplesmente sentado assistindo aos seus atores ou ele mesmo interpretando algum personagem, uma das questões que chamam a atenção do ponto de vista da narrativa é seu tema. Kantor, além de ter ficado conhecido pelas performances e happenings, apresenta ao mundo ele mesmo, suas memórias, seu interesse pela cultura judaica (sendo católico), seus exorcismos. Há muito o que se dizer sobre ele, mas, no segundo dia do 17º Porto Alegre em Cena, me vem a imagem desse senhor sentado no palco, de costas para o público, ouvido sua própria história pelos movimentos do seus atores e oferecendo isso tudo ao seu público, atrás de si. Em cena, Goran Bregovic conta a sua história.
“Alkohol” pode, sim, ser visto como um show musical em que músicas de diferentes culturas (cigana, búlgara, eslava, latina!,...) se encontram. Mas, se o leitor do show reconhecer que essa é a vida do seu maestro e de seu intérprete mais importante, a forma de ouvir se modifica. “Weddings and Funerals Orchestra” é uma reunião de grupos musicais representativos desses sons, dessas culturas, desses lugares que, para nós, é distante. Não importa a cultura, todos os humanos vivem a realidade de funerais e a realidade de casamentos. E esse eixo gira em diversas velocidades, em diferentes mãos, mas gira. O espetáculo de abertura do Porto Alegre em Cena de 2010 expressa, como talvez poucos em sua história de aberturas, a realidade composta de diferentes realidades.
Nunca tinha ouvido falar em Goran Bregovic até a produção da revista de programação. Em volta de mim, algumas pessoas também não. Mais adiante, fãs incondicionais do iuguslavo que cantarolavam as letras das músicas e já conheciam não apenas o último CD como outros anteriores e suas participações no cinema. Entre nós, algum outro grupo de espectadores que tinha ouvido um música aqui outra ali sem muita paixão, mas com uma admiração que o fez vir ao show. Pessoas diferentes, repertórios diferentes, o mesmo giro.
A oração do Kyrie Eleison, duas vezes repetida, traz a referência do cristianismo bizantino, a missa cantada medieval e ortodoxa que exige do orante uma postura bastante mais contemplativa e bem menos carismática. É uma oração de Ato Penitencial em que pedimos perdão pelos pecados diante do sacrifício de Cristo. A oração do Sanctus, no mesmo culto, é um ato de louvor diante da transformação de carne e sangue em pão e vinho na eucaristia. O corpo que se renova, morre, mas continua presente.
Em oposição, a música, a dança, a alegria de diversas culturas que celebram a união, a conquista, o amor. “Até que a morte os separe!” encontra, nesse espetáculo, o seu início e o seu fim, enquanto nós celebramos o seu meio. Um meio que vai e vem, que gira da alegria para tristeza, das palmas à oração, do levantar e dançar ao recolher-se na poltrona. Do palco, o que vemos é uma união sincera: assim como o deve ser na vida e na morte.
No meio de uma oração quase fúnebre sem sê-la, uma atriz manda beijinho para seu colega músico do outro lado do palco. Os rapazes debocham, os violinistas cansam, os cantores se concentram à guisa da disciplicência que mostra ser aquilo tudo, antes de qualquer coisa, uma festa. Alen Ademovic seduz quem quer que seja protagonizando, em destaque, a gentileza de Bregovic em que dividir seu brilho com o músico mais novo. A Goran, tal como a Kantor, cabe o papel do professor que vê seus alunos mortos como em Dead Class. Talvez a diferença entre os dois artistas, e entre dos dois espetáculos, seja o fato de que as lembranças de Kantor morrem enquanto as de Bregovic se casam.
Se casam com as nossas, que não esqueceremos a energia vibrante de “Alkohol”.
*
Ficha Técnica:
Compositor e Diretor: Goran Bregovic
Weddings and Funerals Oschestra:
Banda de metais ciganos: Alen Ademovic (tambor, vocal), Bokan Stankovic (trumpete 1), Dalibor Lukic (trumpete 2), Stojan Dimov (saxophone, clarinet), Milos Mihajlovic (trombone 2) e Aleksandar Rajkovic (trombone 3, glockenspiel).
Vozes Búlgaras: Ludmila Radkova-Trajkova e Daniela Radkova-Aleksandrova.
Sexteto de vozes masculinas: Dejan Pesic (1º tenor), Nenad Cica (2º tenor), Igor Arizanovic (2º tenor), Vladimir Rumenic (barítono), Dusan Ljubinkovic (baixo) e Sinisa Dutina (baixa).
Quarteto de cordas: String quartet: Ivana Matejic (1º violin), Bojana Jovanovic (2º violino), Sasa Mirkovic (alto) e Tatjana Jovanovic (violoncelo).
Engenheiro de som: Dusan Vasi
Duração: 2h30min sem intervalo
* Rodrigo Monteiro: Licenciado em Letras - Português/Inglês pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.Bacharel em Comunicação Social - Habilitação Realização Audiovisual pela mesma universidade. E mestrando em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Jurado do Troféu Açorianos de Teatro 2010 e, também, do Troféu Braskem 2010, é autor do blog www.teatropoa.blogspot.com de Crítica Teatral de Porto Alegre
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Goran Bregovic & Weddings and Funerals Oschestra
Aqueles que, mais velhos ou mais jovens, não são do tipo que guardam os nomes dos compositores das músicas de seus filmes preferidos, podem encontrar nas palavras do próprio artista um convite para assisti-lo no 17º Porto Alegre em Cena:
“Música é a primeira linguagem humana e uma das mais difíceis de ser controlada socialmente pelos códigos culturais porque preexiste a existência da sociedade e da cultura. Esta é a linguagem em que eu me comunico com o público em (e de) todos os lugares.”
Lugar: a sociedade em que vivemos. Quando Goran Bregovic & Weddings and Funerals Oschestra se comunicam, existindo, assim, no mundo no espaço e também no tempo, eles tocam e cantam músicas de um lugar. Músicas dos Balcãs (Grécia, Turquia, Bósnia, Macedônia, Montenegro, Trácia, Kosovo, Sérvia, Croácia, Romênia, Eslovênia, Albânia e a Bulgária), países, lugares distantes do Brasil se só pensarmos em lugar como uma cor geográfica. O Leste Europeu, no entanto, vai parecer aqui do lado se pensarmos na música de Bregovic como ela tem sido proclamada pelo mundo afora: intensa, vigorosa, apaixonada, exótica, fascinante! Um ritmo que contagia quem ouve e se deixa levar pela sensação. Ritmos ciganos e sons búlgaros tradicionais, trilhas sonoras alucinadas, criativamente compostas com metais e vibratos. A miscigenação na música.
O show que abre o 17º Porto Alegre em Cena é ao vivo, isto é, Goran Bregovic e sua orquestra estarão em Porto Alegre falando de perto para perto de algo que, sob muitos aspectos, nunca esteve longe. Sobre um lugar pequeno, talvez no Mar Adriático, que nos lembra a paz de um lar com cercas brancas e muita alegria. Uma cozinha quente com frigideiras de cobre penduradas, paredes caiadas, e noivas com flores na cabeça. Família, relações próximas. Festa.
O espetáculo se chama “Alkohol” e trará músicas do último CD de Bregovic, lançado em 2008. O disco traz treze faixas, quatro delas já aparecidas em outros álbuns do compositor, mas com novas roupagens. Novos arranjos para canções de antes que anunciam que as novas também, um dia, poderão receber outras cores. Bregovic é filho de pai croata e mãe sérvia. Além disso, é casado com uma bósnia muçulmana. O colorido de suas relações afetivas também está na forma como a lista de canções (uma produção francesa!) foi montada para a apresentação no 17º Porto Alegre em Cena, Além de “Alcohol”, Bregovic e sua orquestra interpretarão canções de outros de seus trabalhos, entre eles, canções compostas para o teatro.
O músico esteve recentemente muito envolvido com produções teatrais que motivam a sua participação em um festival internacional de teatro como o que construímos. Entre outras produções, por exemplo, em 2001, na Alemanha, Bregovic compôs as músicas de “A Divina Comédia: Inferno, o livro da alma”, baseado em Dante Alighieri, dirigido por Tomaz Pandur. Em 2004, na Itália, dirigiu “Karmen de Bregovic com Final Feliz”, baseado na ópera de Bizet.
Fazendo casar músicas de tantos países diferentes num mesmo espetáculo, grupos tão distintos numa mesma orquestra, corais e instrumentos diversos, o lugar de Bregovic recebe os mais velhos e os mais jovens. Os que gostam de cinema e os que gostam de teatro. Também aqueles que gostam de rock e de músicas folclóricas, de ópera e de instrumental, de violinos e de percussões. Acolhe quem gosta de música, quem se comunica, mas, sobretudo, quem ocupa o seu lugar nele.
Ficha Técnica:
Compositor e Diretor: Goran Bregovic
Weddings and Funerals Oschestra:
Banda de metais ciganos: Alen Ademovic (tambor, vocal), Bokan Stankovic (trumpete 1), Dalibor Lukic (trumpete 2), Stojan Dimov (saxophone, clarinet), Milos Mihajlovic (trombone 2) e Aleksandar Rajkovic (trombone 3, glockenspiel).
Vozes Búlgaras: Ludmila Radkova-Trajkova e Daniela Radkova-Aleksandrova.
Sexteto de vozes masculinas: Dejan Pesic (1º tenor), Nenad Cica (2º tenor), Igor Arizanovic (2º tenor), Vladimir Rumenic (barítono), Dusan Ljubinkovic (baixo) e Sinisa Dutina (baixa).
Quarteto de cordas: String quartet: Ivana Matejic (1º violin), Bojana Jovanovic (2º violino), Sasa Mirkovic (alto) e Tatjana Jovanovic (violoncelo).
Engenheiro de som: Dusan Vasi
Duração: 2h30min sem intervalo
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