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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fuerza bruta por Helena Mello


Hay que endurecer-se pero sin perder lá ternura jamás
É lúdico, é crítico, é poético, é técnico, é genial. Antes de sair, tentei ver quanto tempo tinha para pensar na logística da volta. Não encontrei Fuerza Bruta entre os espetáculos. E não é à toa. Ele está na lista de shows e foi programado para ser apresentado no Pepsi on stage, onde eu nunca tinha ido antes. Não podia ter feito uma estreia mais perfeita. Voltarei a esse local, mas, dificilmente, verei algo melhor. Se bem que quando se trata do Porto Alegre em Cena, e do que Luciano Alabarse é capaz de trazer à cidade, é melhor não dizer isso.
Fui sozinha e não lembro quando foi a última vez que fui aos espetáculos sem ver na plateia as caras de teatro. Mas é isso que o festival faz além de incluir diversas faixas etárias e muitas “tribos”. Do salto alto a cabelos roxos e tatuagens. Sem lugares marcados, em um espaço enorme, as pessoas iam chegando sem saber muito onde ficar e havia uma inquietação, um burburinho e uma tentativa de disputar o melhor lugar mesmo sem saber onde seria. Entretanto, assim que somos induzidos a entrar isso já não faz o menor sentido. Durante todo o tempo o foco é mudado de lugar. Somos levados de um lado para outro, obrigados a fazer um movimento conjunto e não individual e, muito menos, individualista. E a tensão que paira no ar nos faz cúmplices e não tenho dúvidas de que provoca em cada um impressões diferentes. Para mim, a fumaça que começava a preencher o ambiente, enquanto todos olhavam para o alto sem espaço para se mover, lembrou uma cena do filme A lista de Schindler, quando os judeus entravam para as câmeras de gás ainda sem saber o que aconteceria. Dramático, eu sei. Tem pessoas que acham que comentar ou criticar um espetáculo não tem a ver com dizer o que se sente e o que se pensa sob um ponto de vista pessoal. Eu, porém, em geral, não leio o que os outros escrevem, pois tudo que encontro é uma descrição das cenas, o resumo das histórias, meio que se encaminhando para aquele chiste de quem avisa que o protagonista morre no final. Eu, por outro lado, não sei escrever sobre nada se tiver que deixar de lado minhas impressões. Só fiz isso quando escrevia sobre notícias e não assinava os textos. Hoje, quem me lê já sabe que vai encontrar a minha opinião associada com as minhas experiências. E é isso que o espetáculo significou para mim. Mas, não se engane que tudo possa ser assim previsível. Se você pensa que já viu de tudo, devo dizer que esse show prova que não.
Felizmente, a expectativa nesse caso era mais branda, embora as cenas que seriam propostas nos colocariam em cheque com algo pesado, a imagem da violência e a inutilidade do esforço constante em direção a algo que não se alcança nunca. Mas essa é apenas uma das propostas. Existem outras mais leves, divertidas e que também nos envolvem. E quando você está simplesmente maravilhado com os integrantes do grupo, desejando ser um deles, fazer o que eles estão fazendo, eles se misturam com o público e vão além do anúncio feito no início de que você faria parte do espetáculo. Agora, são eles que fazem parte do público. E eles se arriscam fisicamente embora pareçam estar brincando. E eles mostram a beleza estética do corpo humano em movimento. Isso tudo de forma vertiginosa e com um rigor, uma precisão impressionantes. Ao sair, concluo que, se um dia eu pensei que as palavras nos salvariam da nossa desumanidade, hoje, acredito que é a arte. Creio que serão necessárias outras Fuerzas Brutas.
*Helena Mello é jornalista

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

As regras da arte de bem viver na sociedade moderna por Helena Mello

A arte em busca de uma vida desregrada
Na contramão de outros críticos, não gosto de ler sobre o que os outros escreveram sobre o que eu vou ver seja no cinema ou no teatro. Assim, posso ser acusada de ignorância, mas nunca de plágio. Para mim, a arte, em todas as suas formas, não deve exigir muitas explicações. É claro que acho ótimo que tenha quem prefira ler antes de ver, pois, senão, muito do valor do que eu mesma escrevo seria perdido. Então, vejamos: fui convidada para comentar o espetáculo As regras da arte de bem viver na sociedade moderna. De cara pensei que deveria me concentrar nos aspectos mais formais, mas já fiz isso outras vezes e trunca tudo. Tentando agradar sabe-se lá quem me desagrado profundamente. Por isso, seguirei com meu estilo de escrever sobre teatro que, para quem me conhece já sabe, sempre passa pelas minhas impressões e sensações.
O espetáculo é um monólogo, ou seja, destaque total para o texto. Porém, por melhor que um texto seja, se não for bem tratado, dito por uma única pessoa, vai causar mais tédio do que qualquer outra coisa. A atriz Lorena Dias, no entanto, é impecável. Adjetivo, aliás, que se encaixa perfeitamente no que se refere a essa peça. Bastam algumas poucas palavras para que o público perceba, imediatamente, o tom cômico estabelecido por ela. O texto tem seus exageros, mas me peguei pensando o que o tornava diferente de uma palestra sobre etiqueta de Célia Ribeiro. Afinal, quantas vezes eu ouvira todas aquelas regras nesses meus cinquenta anos? A atriz, porém, mantém o controle o tempo todo, sem extrapolar nos gracejos e, por isso mesmo, fazendo rir com seus deslocamentos pontuais no cenário mínimo: uma poltrona antiga, um abajour, um copo d’água e seu figurino preto e branco, seus gestos contidos. E é nessa identificação com tudo aquilo que é dito que percebemos o absurdo daquele discurso, o bizarro daquelas imposições. Como alguém pode ter levado aquilo tudo tão a sério por tanto tempo? Como pudemos tentar seguir uma cartilha tão rigorosa? O espetáculo, montado a partir do texto de Jean Luc Lagarce, põe por terra o politicamente correto (mas não sem antes estender uma toalha) e, durante todo o tempo, nos faz lembrar situações de nossas vidas. Eu, por exemplo, lembrei-me do casamento dos atores Marcos Chaves e Ariane Guerra em que esta entrou fazendo pequenos movimentos com a cabeça, cumprimentando os presentes. Foi a primeira vez que vi uma noiva fazer isso, o que comprova que as regras, que proíbem esse gesto, seguem interferindo até hoje na vida de muitos casais. Eu, que não sou disciplinada o suficiente para encarar uma vida que respeite todos esses preceitos, esperava um descontrole a todo o momento. Mas, “chutar o balde” seria algo um tanto quanto previsível e, provavelmente, faria perder a força do que o espetáculo nos provoca. E, como a Adriana Calcanhoto que não gosta do bom senso e não gosta do bom gosto, qualquer coisa que questione e faça refletir sobre as imposições da vida, como esse texto de um dos autores mais encenados na França, me fará “expor a minha alegria ingênua” em ir ao teatro para sair pensando que não deve haver regras para a arte e para quem sabe viver.
*Helena Mello é jornalista

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Viúvas- performance sobre a ausência por Helena Mello

Vi, vivi Viúvas*
Quando tentei ver o espetáculo Viúvas no início deste ano estava acompanhada do meu namorado. O primeiro depois de muitos anos. Hoje, ainda tenho amigos que me perguntam pelo “falecido”, mas não me sinto Viúva. Até porque não éramos casados e ele não morreu. Mas, com certeza, não está tão bem quanto eu que agora consegui assistir ao espetáculo. Espetáculo? Não. É mais do que isso. É um acontecimento.
Com medo de perder novamente a oportunidade de assistir Viúvas, e com o sistema de ingressos não acusando minha compra, acabei com cinco ingressos. Convidei desta vez para ir comigo uma amiga que recém começou a ir ao teatro. Os outros, revendi para pessoas que ficaram extremamente gratas, antes mesmo de assistir.
A expectativa de ir para uma ilha naquele dia de vento já mexia comigo muitas horas antes. Apesar das tardes de calor, era hora de voltar as mantas, casacos e boinas. Pelo meu imaginário chegava a passar a possibilidade de eu me ver sendo obrigada a ficar a noite na ilha. Exagero da minha parte, mas era bom se precaver contra o frio e a fome.
Não tinha muitas informações sobre o espetáculo em si, mas sabia que pegaríamos um ônibus, depois um barco para chegar até o local. Lá, vi Laura Backes subindo para sua poltrona e fui atrás e, naquele pequeno trajeto, já começamos a partilhar opiniões sobre as amizades, sobre moda, sobre o nosso jeito de ser. Convívio.
Desde o início, recebemos instruções que demonstravam organização e controle e nos passavam segurança. A caminho da ilha porém, ao ver a água alta quase chegando a janela e vendo os coletes salva-vidas sobre as nossas cabeças a lembrança de catástrofes veio a minha mente. Este misto de tensão e curiosidade já me preparava para o que estava por vir. Lembrei meu pai (que já se foi) contando diversas vezes que fazia a travessia todos os dias para ir trabalhar em uma agência bancária do outro lado do rio.
Ainda no barco, um dos atores começa a falar sobre a importância da pátria. De onde ele veio? Ele já estava entre nós? “Lá, onde até mesmo os cachorros latem diferente”. Penso no meu sobrinho que está na Austrália e que defende que nos vejamos como seres universais.
A chegada na ilha é impactante. Não só pela beleza das pedras iluminadas, mas pelos atores, comandados por Paulo Flores, que apontam armas em nossa direção. Já não parecemos tão poucos. Tiro da minha sacola um bloco e uma caneta para registrar algumas impressões. Faço isso com certo medo de ser advertida. O clima do espetáculo que mal começou já está introjetado em mim.
Vamos sendo conduzidos pelos caminhos e pela história desta memória de uma época ainda tão recente. Em uma galeria de celas sem grades, Tânia Farias promove um dos momentos mais tocantes do espetáculo. Afirma, aos gritos e aos prantos, que não vai parar enquanto não juntar todos os pedaços do pai, todas as cinzas. E por entre o público, olhando nos olhos marejados de algumas pessoas presentes, questiona: onde está Mario, onde está João, onde está Roberto, onde está Fernando, onde está Paulo, onde está...A cada nome uma emoção cada vez mais contundente. Sua atuação é tão profunda que tenho vontade de abraçá-la. Ela toca em mim e me puxa para dentro da sua agonia. Nunca as palavras esperar e desesperança tiveram tanto nexo como ali.
Somos levados para outro espaço que na ilha vazia e fria se enche de música. Enquanto eles dançam, eu me pergunto (com olhos de pesquisadora), o porquê da festa. Reconheço o trecho da história que eles relatam ali, mas ainda estou sacudida pela força da tragédia, da perda, do desaparecimento daqueles que amamos. São os sorrisos, o pão, o vinho compartilhado e as danças que diminuem um pouco (não completamente) a minha angústia. É a personagem de Tânia que, mais uma vez, se aproxima e agora me conforta com seu sorriso e seu toque meigo. Passo a mão em sua cabeça e suspiro.
A cena mais forte é vista a distância, entre uma luz negra piscante, fogos e ruídos. Sinto um certo alívio por isso. Percebo que já não sei onde estou. Se já passei por ali. Neste “cenário” de pedras, verde e água, em uma noite de lua cheia e estrelas, eu fui transportada no tempo. Para um momento da história em que corpos nus, empilhados uns sobre os outros significavam o fim da tortura, mas não o fim da espera dessas Viúvas. Saio da ilha com a certeza de que acabo de assistir e de viver momentos que serão inesquecíveis e o grupo Oi nóiz aqui traveiz registra em mim para sempre uma história que precisa ser lembrada para que jamais se repita. A efemeridade daquelas vidas perdidas foram transformadas pelo grupo Terreira da Tribo em algo eterno.
* Helena Mello é jornalista

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Helena Mello #6: Último tango em Berlin - Ute Lemper


Foto: Caroline Morelli / PMPA

O luxo de uma voz

Creio que, em breve, não precisarei mais dizer que não gosto de ler sobre o que pretendo assistir. Às vezes, só dou uma olhadinha no dia do espetáculo nas informações ou se alguém me pergunta. Na hora da compra, também, mas, depois, esqueço completamente. Com Ute Lemper, não foi diferente.

Cheguei cedo ao SESI. Afinal, a distância obriga a saída de casa com antecedência. De qualquer forma, não pude ficar no saguão encontrando colegas e amigos, pois meu lugar era no mezanino e por ordem de chegada. Escolhi um lugar que me dava uma visão clara do palco, mas a longa distância como não poderia deixar de ser. Assim, só na hora em que a apresentação começa é que percebo que a cantora poderia ter um olho na testa que eu não saberia dizer. Neste momento, sinto falta daqueles telões que colocam nos grandes shows e que são uma incoerência para quem foi para assistir a alguém ao vivo. Poderia ser um binóculo... Porém, como estamos falando de música e o som era excelente isso não deveria de fato atrapalhar.

Logo no começo, a voz de Ute Lemper arrebata. É linda. E sua capacidade vocal é surpreendente. Não tivesse eu a visão de que se tratava de uma única cantora poderia imaginar que eram várias. Ela “brinca” com a voz indo do grave para o agudo, fazendo vários ritmos, criando sua versão de algumas músicas que consigo reconhecer levemente e outras tenho a impressão de jamais ter ouvido. Ute se movimenta no palco de maneira elegante e graciosa em um longo vestido preto, longilínea, dando inveja a qualquer mulher. Conversa com o público em inglês e só identifico alguns trechos, enquanto a plateia ri e eu fico sem saber o porquê. Só me alegro quando ela diz ao final de uma música: “arretez la musique” (parem a música).

Enquanto a escuto, tenho a certeza de que estou assistindo a uma das melhores apresentações do Porto Alegre em Cena. Um espetáculo com características internacionais, de alta qualidade e a R$ 10,00. Um luxo. Isso sem falar no pianista e no músico que toca o bandoneon. Infelizmente, lá pelas tantas, a distância do palco e a quantidade de músicas que não conheço começa a me deixar desatenta. Minha mente foge para começar a pensar nas tarefas da semana. Faço força para voltar, enquanto penso que podemos assistir a um filme pela primeira vez e ficarmos maravilhados. Ver uma peça de teatro e nos encantarmos completamente, mas com a música é diferente. O bom é poder reconhecer. Quanto mais ouvimos uma música que nos agrada, melhor ela fica. Assim, tenho certeza de que é isso que está faltando ali para mim. Ainda bem que vi Cabarecht, de Humberto Vieira, atraída pela participação de meu mestre Zé Adão Barbosa, pois isso facilita. E, para que minha ignorância musical não estrague a ocasião, depois de aplaudida de pé por um SESI que, de onde eu estava, me pareceu lotado (1.790 lugares), Ute Lemper volta e canta Ne me quitte pas. De um jeito que, mesmo para mim, que ouço a música há anos, jamais tinha ouvido. Saio do teatro sabendo que foi um privilégio estar ali àquela noite em Porto Alegre, mas que podia ser em qualquer outra parte do considerado primeiro mundo.

*

Helena Mello
Jornalista e Mestre em Artes Cênicas pela UFRGS. Autora do blog www.palcosdavida.blogspot.com

Helena Mello #5: Electra


Foto: Guilherme Santos / PMPA

Escuta o meu suplício

Quando fui convidada para escrever sobre Electra, pensei em ler a peça. Ou deveria dizer reler? Uma das brincadeiras que surgiu durante o mestrado foi essa. Ao nos referirmos a autores famosos ou peças clássicas, deveríamos dizer “reler” para não dar atestado de ignorância. Aliás, imaginei que começaria o meu texto com informações sobre esta tragédia, dados históricos, algo que facilmente eu encontraria no sistema de busca mais poderoso do planeta, mas mudei de ideia. Primeiro quero dizer que o Teatro Renascença estava cheio. O que me fez questionar aonde vão todas estas pessoas quando não tem Porto Alegre em Cena. Tenho certeza de que muitos dos meus colegas atores que brigam para ter público durante os outros meses adorariam saber. Além disso, ao ver o espetáculo, pensei com saudade dos tempos em que lia em voz alta as tragédias gregas na minha casa, pois era a chance de ir descobrindo o texto, ir me surpreendendo com a capacidade dos autores e confirmando a genialidade deles. Eu não fazia nenhuma entonação, nem vozes diferentes para os personagens. Nem por isso suas falas eram menos impactantes. Porém, a versão uruguaia fez justamente o oposto.

Todos os atores, sem exceção, estão no palco dizendo cada palavra sempre um tom acima. Mesmo que eu não tenha lido o texto e meu espanhol não seja dos melhores, isso era, facilmente, identificado. E devo dizer que me incomoda muito. Dizer tudo, o tempo todo, como se fosse uma grande surpresa ou desgraça tira a importância de qualquer palavra. São os nuances que enriquecem e atraem. Uma incrível maldade sussurrada pode ser bem mais cruel do que dita aos gritos ou em prantos. Nesta montagem, não temos esta chance. Tirando o coro, os demais seguem a linha do excesso. Também não vi contracenação. Nem mesmo nas cenas em que os atores se abraçam e isso me surpreendeu. Tive a impressão que a peça era um grande recorte. Como se cada um houvesse ensaiado sozinho e, no último dia, houvesse se juntado.

Todos os atores me lembraram as antigas moças do tempo dos programas de televisão que mexiam o corpo apenas da cintura para cima e os braços até certo ponto. Ficavam para o coro os movimentos de dança, cuja proposta era que fossem idênticos, então, quando isso não acontecia sujava a cena. Novamente me fizeram lembrar de minhas aulas no Departamento de Artes Cênicas quando estudávamos o classicismo francês e havia todas aquelas regras de como o ator deveria se mover no palco. Lembro que recebi com espanto aquelas informações de que este só podia ficar de frente para a plateia, em certo ângulo e que outros gestos eram vistos como erros.

Quais são os pontos positivos? A estética. O cenário é interessante. Os tablados ocupam o palco e colocam os atores em níveis distintos. A luz também merece destaque. Mesmo não sendo fotógrafa, meus olhos imaginavam várias fotos lindas que ficariam ótimas em qualquer material de divulgação do espetáculo. O figurino força aquela ideia de teatro grego o que dá certa unidade e se não chega a contribuir muito, me dispensa de ver os personagens em calças jeans ou qualquer outra tentativa de deixar o espetáculo contemporâneo.

Porém, ao contrário de outras pessoas, acho que os textos gregos devem, sim, ser trazidos ao palco hoje. Só não confio muito em fazer isso tentando reproduzir o que foi naquela época em que não havia jeito de fotografar, filmar, colocar na internet. Difícil até para as pessoas que fazem pesquisa, como é o caso do meu sobrinho, João Alfredo Mello, que, ao participar da montagem de Antígona de Luciano Alabarse, como um guarda que entrava mudo e saía calado, fez questão de buscar informações sobre a postura deste soldado, o peso do seu escudo, etc.

Apesar de estar sendo bastante crítica, tenho certeza de que no Electra uruguaio há trabalho, longos ensaios, muitas discussões para chegar aquele resultado que, a mim, não arrebata.

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Helena Mello
Jornalista e Mestre em Artes Cênicas pela UFRGS. Autora do blog www.palcosdavida.blogspot.com

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Helena Mello #4: O idiota


Ressaca teatral

Ainda bem que a peça se chamava O idiota, pois quem estava se sentindo a própria era eu por pensar que conseguiria chegar em meia hora da Uniritter, onde estava apresentando meu trabalho, ao Theatro São Pedro. Assim, 15 minutos atrasada, fiquei feliz de consegui entrar nos camarotes, embora tivesse comprado ingresso para plateia. Já nos primeiros minutos do espetáculo, minha alegria vai sendo justificada e como vai faltar adjetivos favoráveis para descrever a atuação do grupo dirigido por Eimuntas Nekrósius, sugiro que aqueles que discordam desta forma simplista de elogiar levem suas máquinas de fotografia Kirlain da próxima vez. Imagino que este seja o único jeito de registrar a energia que existe no palco quando estes atores estão em cena.

Não sei onde fica a Lituânia, mas, desde 2001, sei que é de onde vêm pessoas capazes de me dar aula de teatro. Vi os três espetáculos que vieram a cidade no Porto Alegre em Cena. Fiquei estupefata com Hamlet, adorei Otelo e me impressionei com Fausto, embora a distância do palco quase tenha me colocado para dormir. Quem diz que a posição que ocupamos na plateia não importa só pode estar tentando vender um ingresso em um mal lugar. Para que a gente não dê muita importância, precisa ser um espetáculo como este e, mesmo assim, posso dizer que, quando desci no primeiro intervalo e fui para o meu lugar, foi bem diferente. Até para ler a legenda. Aliás, nunca pensei que teria vontade de saber lituano... Eu bem que poderia ser um destes 4 milhões que falam esta língua. Creio até que já comecei a aprender, pois ontem entendia perfeitamente quando eles diziam: idiota.

Fora isso, é difícil explicar o que nos prende por tantas horas. O cenário e os figurinos são austeros. Há uma mistura de realismo como a presença de um piano, com outros objetos completamente dadaístas. A luz não sofre grandes variações. A trilha sonora muito menos. Eles dão quase todas as falas em um “tom acima”, gritam muito, gesticulam mais ainda. Várias características que, em geral, são atribuídas ao teatro ruim. Porém, há um jogo entre os atores que deixa qualquer um que goste desta arte de boca aberta. Além disso, não há como prever de que forma eles pretendem nos mostrar alguma cena. Nunca tinha visto algum diretor dizer que beijar os joelhos teria um significado ou que na hora de trocar as cruzes penduradas nos pescoços os atores começariam a fazer uma espécie de coreografia ou que as cartas dos personagens estariam dentro de uma grande cesta que seria batida de forma constante no chão por uma das atrizes. Então, não há como prever o que irá acontecer. Nunca. E, na sequência de uma encenação, aparentemente, tradicional embasada em muito texto, podemos ser surpreendidos por barcos de papel, por uma espécie de jogo das cadeiras e por tantas outras coisas concebidas para o espetáculo de forma original e genial. Porém, não vou mentir. No final, depois de vários intervalos, já não estava controlando o sono. Não sei se a cena foi realmente mais lenta ou se só me pareceu assim. De qualquer forma, tenho certeza de que todos aqueles aplausos de pé foram mais do que merecidos.

Uma coisa posso garantir: se eles vierem o ano que vem, lá estarei. Afinal, eu não pretendo ir à Lituânia, mas se ela vem até a mim...

Seleciono algumas das “pérolas” ditas pelos atores:

- dizer isso combina com a conversa;
- tagarelarei bem menos;
- não se desculpe ou você estraga toda a originalidade;
- há uma nova tolice nisso;
- estou com um desejo incontrolável de lembrar-lhe da minha existência;
- se dizem que sua mente é de alguma forma afetada é injusto;

Bem, não foi só a minha mente a ser afetada pelo espetáculo. Quem acha que ficar cinco horas no teatro é cansativo, não faz ideia do dia seguinte. Dá uma ressaca daquelas que dói o corpo, a gente não quer pensar em nada, mas tem certeza de que o vinho era de primeira qualidade.

*

Texto: Fiódor Dostoievski / Adaptação Direção: Eimuntas Nekrosius / Elenco: Daumantas Ciunis, Salvijus Trepulis, Elzbieta Latenaite, Diana Gancevskaite, Margarita Ziemelyte, Vidas Petkevicius, Migle Polikeviciute, Vaidas Vilius, Vytautas Rumsas, Ausra Pukelyte, Vytautas Rumsas Jr., Neringa Bulotaite e Tauras Cizas / Figurino: Nadezda Gultiajeva / Cenário: Marius Nekrosius / Iluminação: Dziugas Vakrinas / Trilha Sonora: Arvydas Duksta / Música original: Idiotas Latenas / Produção: Meno Fortas Vilnius / Coprodução: European Capital of Culture 2009, Fondazione Musica per Roma, International Stanislavsky Foundation Moscow, Dialog Festival Wroclaw, Baltic House Festival, St. Petersburg / Duração: 5h (15min de intervalo) / Administração Internacional: Lithuanian Ministry of Culture e Aldo Miguel Grompone (Roma) / Classificação: 12 anos / Legendas em português

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Helena Mello
Jornalista e Mestre em Artes Cênicas pela UFRGS. Autora do blog www.palcosdavida.blogspot.com

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Helena Mello #3: Um navio no espaço ou Ana Cristina César

Foto: Creative / PMPA

Ana Cristina César: uma estrela do mar

Creio que fazia um ano que não ia ao Teatro CIEE. Parece mentira... Um espaço muito bom, ocupado pela maioria de pessoas com mais de 50 anos que foram ver Um navio no espaço ou Ana Cristina César. Creio que o nome de Paulo José faz isso. Trata-se de um ator que tem o reconhecimento de muita gente há muito tempo. No meu caso, acho que demorei um pouco mais a dar valor para seu estilo de atuação sem exageros, mas tão autêntico. Paulo José é prova de que não é preciso gritar, esbravejar, chorar compulsivamente para transmitir uma emoção dilacerante. Mas não era para isso que ele estava ali naquele palco.

Não li a sinopse da peça. Como já disse, não gosto de prévias. Também fui atraída pelo nome de Paulo José e não estava errada. Afinal, é sua direção que deixa o espetáculo tão interessante, tão dinâmico, tão sensível. Isso tudo a partir de textos que são ditos pela única atriz que “contracena” com ele: Ana Kutner. Outra coisa que me agradou bastante foi a forma de usar as projeções, ou a câmera no teto que transmite o rosto da atriz em alguns momentos. Recursos que eu já havia visto antes em outros espetáculos, mas ali não estavam à-toa, nem demais.

Além disso, fico satisfeita quando um espetáculo conta algo que a gente não sabia, faz a gente ter acesso às informações que desconhecia. Nunca havia ouvido falar de Ana Cristina César e sai não apenas sabendo de quem se tratava, mas apreciando seus versos, sua maneira verborrágica de colocar para fora suas angústias, seus pensamentos. E olha que não é fácil trabalhar cenicamente um texto poético. Poesias não são aristotélicas e, não raro, espetáculos que insistem em trazê-las aos palcos, nos levam ficar tão perdidos quanto Ana Cristina e, se não chegam a nos dar vontade de nos matarmos, provocam, pelo menos a vontade de sair porta a fora. Mas não ali. A pergunta inicial da peça sobre o porquê da morte da poetisa se não chega a ser respondida é, ao menos, destrinchada. Saber que ela se matou deixa em nós um sentimento de perda de um talento de alguém que não suportou viver em terra firme e preferiu um navio para o espaço onde ela poderia ficar mais perto das estrelas.

Obs: Na noite em que assisti, ao final, Luciano Alabarse foi chamado ao palco por Ana Kutner e Paulo José que comentou ser o dia do aniversário de Caio Fernando de Abreu. Isso me fez lembrar das vezes em que vi este poeta esperando, como eu, o ônibus na parada da Getúlio Vargas com a Visconde do Herval ali no Menino Deus. Já havia lido Morangos mofados e me encantado quando pensava em falar com ele. Mas ainda não fazia teatro e acabava sempre me retraindo... Bem, mas foi muito legal o Luciano contar a história da placa que ele pretendia entregar para o Paulo José e que ficou pronta só na última hora e veio com erro de português. Ele explicou todas as tentativas fracassadas de corrigir. Daí, pensou em entregar a errada e depois trocar. Até que se deu conta de que, já que o teatro é uma arte de acertos e erros, o melhor seria entregar exatamente como estava. Esta decisão tornou o gesto muito mais significativo e foi bem divertido ver o Paulo José lendo em voz alta o erro e brincando com isso.

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Helena Mello
Jornalista e Mestre em Artes Cênicas pela UFRGS. Autora do blog www.palcosdavida.blogspot.com

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Helena Mello #2: O cantil


Foto: Walmick Campos

Manipulando Brecht

Primeiro, quero dizer que se tem uma coisa que o Porto Alegre em Cena torna muito claro é que não existe um teatro, mas muitos. São muitas formas de interpretar, de compor um cenário, de criar figurinos, etc, etc... Escrevo sobre o segundo espetáculo que vi depois de já ter visto o terceiro. Isso não chega a ser exatamente um problema, mas é desconfortável, pois, como jornalista, fico com a nítida impressão de que estou atrasada. Ser chefe de si mesmo tem sempre esta consequência. É uma cobrança... Aliás, é sobre isso que O cantil, baseado no texto de Brecht, fala. Da relação entre explorador e explorado.

O público do Teatro do SESC para assistir à peça não era grande. Muitas poltronas vazias. Talvez as pessoas que vão ao Porto Alegre em Cena escolham o que ver pelos espaços teatrais ou pela distância geográfica, priorizando os espetáculos estrangeiros. Não sei. O fato é que quem não estava lá perdeu uma proposta muito interessante. Não é que seja exatamente nova. Ao contrário, me fez lembrar de exercícios que fiz em algum momento destes mais de dez anos que passei a frequentar aulas de artes cênicas. Uma pessoa conduz a outra em todos os movimentos. É ela quem comanda os gestos, pernas, braços, cabeça. Diz se ela vai ou fica. Se corre ou anda devagar. Pode parecer simples, mas não é. Exige uma entrega. Exige o se deixar dominar. Ou seja, confiança. Esta foi a “técnica” utilizada pelos atores.

Quatro pessoas no palco. Duas ocupando o lugar de “bonecos” e duas responsáveis pela manipulação dos mesmos. A história contada em alguns momentos parece singela. Dois viajantes que seguem em uma direção, buscam um caminho. No entanto, neste trajeto vamos percebendo as relações de poder e controle de um sobre o outro. O palco se mantém escuro. Os “personagens” usam roupas claras. Tem o corpo todo coberto por panos, inclusive o rosto, lembrando múmias. Apesar disso, há momentos em que temos a exata impressão de que estamos vendo suas feições, suas expressões de raiva ou de contentamento. Prova indiscutível de que o corpo fala. Prova também de que não precisamos ver exatamente para imaginar ou presumir.

Existem pequenos truques que auxiliam a compreensão da história sem o uso de qualquer palavra. Como? Bem, em um determinado momento uma maletinha cai da “carroça” que eles transportavam. Neste momento, me pergunto se teria sido de propósito. Em seguida, um dos outros componentes do grupo e que auxiliam no palco, com profunda discrição, a recolhe. Mais tarde, a maletinha reaparece no chão. Assim como a mesma seta que indicava o caminho. Ou seja, eles estavam de volta ao mesmo ponto. Haviam andado em círculos. A peça segue neste mesmo ritmo, sem grandes surpresas, mas trazendo sempre algum elemento novo a ser apreciado, culminando na morte de um deles.

É um espetáculo sofisticado em sua execução. Fica claro que é preciso uma cumplicidade muito forte entre manipulador e manipulado para que o resultado seja tão preciso. A forma como a luz é usada para indicar as estrelas do céu, a passagem do tempo, ou mesmo enfatizar o foco é muito bem realizada. O resultado é uma estética quase plástica das cenas.

E, depois de 40 minutos de silêncio, silêncio este que nos levou aquele caminho de peregrinação, os atores agradecem com o sotaque nordestino do grupo que veio a Porto Alegre me permitir passar por estes momentos de puro contentamento de fazer parte daquela pequena plateia.

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Helena Mello
Jornalista e Mestre em Artes Cênicas pela UFRGS. Autora do blog www.palcosdavida.blogspot.com

domingo, 12 de setembro de 2010

Helena Mello #1: Happy days

Foto: Luciano Romano

Unhappy theater

Cinco anos se passaram desde a última vez que estive no Theatro São Pedro para assistir a Happy days, de Peter Brook. Lembro que quase morri de tédio. Mas não sabia dizer se o espetáculo realmente não prestava, pois meu irmão havia morrido naquela semana aos 49 anos de um ataque cardíaco fulminante. Tentei seguir assistindo aos espetáculos como uma homenagem a ele que, certamente, gostaria que eu continuasse as minhas atividades, sobretudo as que, normalmente, me dariam prazer. Porém, nenhum talento cênico conseguiria aliviar o sentimento que me ia à alma. Lembro que no intervalo perguntei a um colega que conhecia o texto se valia à pena ficar, se melhorava e, como havia de fato uma mudança, ele disse que sim. Entretanto, o que acontecia não podia ser considerado como algo positivo, ainda mais naquele meu estado de espírito. Pois bem. Hoje, voltei.

Estou acostumada a ver Eva Sopher na entrada, mas desta vez lá estava Luis Fernando Veríssimo que, para mim, é praticamente um personagem, pois existe o texto de LFV e o próprio e, mesmo que não o conheça de perto, desconfio que eles sejam bem diferentes. Bem, mas sempre gostei de ir ao teatro e, embora não queira parecer arrogante, devo dizer que meu sentimento é ainda mais intenso agora que sou mestra em artes cênicas. Explico: ver o Theatro São Pedro lotado já me deixa feliz e é nestas horas que uma quinta feira sem graça se transforma em um happy day.

Levanto para cumprimentar Sandra Dani e Luiz Paulo Vasconcellos que, agora, considero meus amigos. Muitas outras caras conhecidas estão espalhadas pela plateia. Laura Backes, Inês Marocco, Mirna Spritzer, Flávio Maineri, Mônica Bonatto... Assim como muita gente que nunca vi e outras que eu gostaria de conhecer. De repente, me dou conta que já faz mais de dez anos que entrei neste universo. Como eu sempre soube, é um povo diferente este do teatro, gente que continua me atraindo. Desta forma, apesar de ainda não terem dado o sinal, nem apagado as luzes, sinto que o “evento” teatro já começou.

O espetáculo começa. A atriz murmura alguma coisa e eu penso: em que língua ela está falando? Só depois reconheço que é francês. Mas sem legendas? O que ela dizia não era nada de tão importante, mas podia imaginar como as pessoas que não sabem esta língua (ah...coitadas) deviam estar angustiadas por não compreenderem. Na hora, lembrei de um espetáculo a que assisti no SESI em alemão em que todos riam e eu imaginava que era muito estranho tantas pessoas compreenderem. Só depois me dei conta de que eu é que não estava vendo a legenda. Assim, hoje, comecei a procurar onde estaria e aos poucos, apesar de toda a luminosidade que vinha do fundo do palco comecei a enxergar as letras. Uma senhora ao meu lado coloca seus óculos escuros. O efeito de contraste entre o morro negro onde se encontra a atriz e a luz de fundo, apesar de esteticamente muito interessante, provoca desconforto e atrapalha completamente a leitura.

Enquanto a monotonia começa a chegar, lembro das mediações feitas na Bienal e me pergunto: sobre o que é o espetáculo? Mesmo encontrando respostas como: é sobre o patético da vida, sentia que algo não estava funcionando ali. A plateia faz um silêncio enorme. Mesmo as tosses, tão comuns nestes momentos, estavam praticamente sumidas. E, enquanto o texto vai sendo despejado com um sotaque que mais me lembrava uma feirante em Marseille, vou sentindo necessidade de olhar o relógio. Havia se passado apenas meia hora e o sono já começava a chegar de forma incontrolável. Logo eu que este ano fiz questão de não comprar ingressos para o espetáculo japonês com medo de que eles botassem toda a minha cultura ocidental para dormir.

Para não achar que esta sonolência era apenas fruto da minha ignorância começo a tentar fazer reflexões sobre a dramaturgia de Samuel Beckett. Afinal, sou encantada com Esperando Godot e ainda lembro como foi incrível dizer algumas falas deste texto na montagem de Zé Adão Barbosa nos tempos em que fazia oficinas. Sigo meu raciocínio: humm, há aqui uma não relação e ao mesmo tempo uma dependência entre os personagens... Enquanto me disperso em minhas análises, chega o intervalo. É quando o professor Mainieri me pergunta: “tu fazes crítica?”. Falo do meu trabalho de mestrado que me incentivou a querer escrever sobre os espetáculos já que sigo não encontrando uma definição que me convença sobre as diferenças entre opinião, comentário e crítica.

Troco minhas impressões com algumas pessoas e, além de concordarmos que o espetáculo está botando para dormir, descubro que isto ocorre porque há um problema na interpretação da atriz que apenas despeja o texto, acrescentando interjeições desnecessárias. Neste momento, concluo que há uma falta de sutileza na hora de dizer as palavras do texto cujas intenções do autor precisariam ser respeitadas. Caso contrário, como dizia meu professor Sergio Silva, tudo pode estar perdido. E é isso que está acontecendo ali.

Apesar da introdução de alguns ruídos semelhantes a trovões (que não recordo de ter ouvido na montagem de 2005) estou de novo com os mesmos sentimentos daquela última vez em que assisti à montagem de Happy days e posso garantir que este ano não tenho a morte de nenhum parente próximo que possa justificá-los. Felizmente, sabia que faltava, aproximadamente, 40 minutos para terminar e, quando isso acontece, as pessoas aplaudem de pé, algumas gritam bravo e eu concluo, mais uma vez, que certamente a minha “opinião comentada criticamente” não vai agradar todo mundo. Não faz mal. Defendo, justamente, a provocação do debate que em casos como este costuma ser muito mais interessantes do que a própria obra. São os mistérios da arte.

PS: Caso não tenha ficado claro, o espetáculo era legendado.


Helena Mello
Jornalista e Mestre em Artes Cênicas pela UFRGS. Autora do blog www.palcosdavida.blogspot.com