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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Jorge Arias #3


Jueves, 23 de septiembre, 2010 - AÑO 11 - Nro.3755
http://www.larepublica.com.uy/cultura/425061-una-rica-y-variada-muestra-de-arte

El acto de comunión, El idiota, En la soledad de los campos de algodón, Reflejos, Anatomía frozen, El gran inquisidor, Egotik


Con una notable participación del público y elencos provenientes de diversas partes del mundo, prosigue en distintas salas y espacios callejeros de la ciudad de Porto Alegre (Brasil), el desarrollo de una nueva edición del tradicional y prestigioso festival teatral POA en Cena.

A continuación, en esta tercera entrega exclusiva para los lectores de LA REPUBLICA, la reseña de algunos de los espectáculos que ya hemos visto.

El acto de comunión, es la obra de Lautaro Vilo que nuestro público conoció en la puesta en escena de Alfredo Goldstein con la actuación de Leandro Núñez. Gilberto Gawronski (Río de Janeiro), presenta un "work in progress", o sea una obra en desarrollo. Sobre un escenario donde se destaca, cotidiano y esta vez siniestro, un sillón de peluquería, se oye al actor y director, en off, narración que se ilustra con videos de Internet y se acompaña con la presencia de Gawronski. Esperábamos, y aún esperamos, algo más de Gilberto: tal vez, en el futuro, la segunda parte de la obra sea dicha desde el escenario.

El idiota, de Dostoievski mostró al mejor Nekrosius. Al comienzo, cuando dos actores entran en escena por una puerta colgante y mueven dos cajones que parecen ataúdes, y cuando alguien derrama una insensata copa de agua, nos vimos venir al Nekrosius de Hamlet y Otelo, el arbitrario fantaseador que no se arredraba ante ningún clásico. Aquí cedió la derecha al autor y su inventiva visual acompañó algunas veces y otras sólo no resultó molesta. Con un brillante y enérgico elenco, de habilidades corporales nada frecuentes, Dostoievski llego con fuerza y pasión suficientes para un espectáculo conmovedor. De lo mejor del festival.

En la soledad de los campos de algodón, de Koltès, busca un lugar entre los clásicos del siglo XX; la imaginativa puesta en escena de Caco Ciocler, a quien conocimos como actor el año pasado en Emperador y Galileo de Ibsen, confirma esta creencia. En un almacén del puerto, un móvil escenario de cinco gigantescos "sube y baja" acotan las vertiginosas oscilaciones de los personajes (Armando Babaioff y Gustavo Vaz) que sostienen una estéril negociación donde el vendedor no tiene nada para vender y el comprador nada para comprar.

Reflejos
de Matías Feldman (Argentina), quiere tener algo de Spregelburd, de Almodóvar y hasta del confesonario del "Gran Hermano": no lo logra. La trama es más irreal que imaginativa: se postula el dilema de a quién elegir para un cargo de dirección, si a una arpía que se psicoanaliza sin parar y a quien nadie quiere o un hombre sin atributos. Difícil de creer; pero más difícil de soñar.

Anatomía frozen, de Bryony Lavery, trata de un asesino serial de niñas, la obra se vio en Montevideo con dirección de Mario Ferreira. En esta versión los personajes son comprimidos en dos actores, casi estático, ambos de blanco y en calzoncillos: uno es el criminal, con un nylon transparente y suplementario; el otro es, a veces la madre, a veces la psiquiatra o asistente social. El resultado de tanta innovación es frío.

El gran inquisidor, de Dostoiewski, es un virulento alegato anticatólico extraído de Los hermanos Karamazov. En anteriores festivales de Porto Alegre vimos las versiones de Peter Brook, con la actuación de Bruce Myers, y la de Patrice Chéreau, con su propia actuación; esta puesta en escena de Rubens Rusche con la brillante interpretación de Celso Frateschi es una original perspectiva: la historia vista desde hoy. El gran inquisidor no es ya un funcionario autoritario y forense, sino un anciano frágil, descolocado ante un regreso de Jesús que amenaza trastocar los planes del Santo Oficio. Es un representante de un ídolo agonizante que ya no puede ocultar sus pies de barro.

Egotik (España), es Asier Zabaleta, bailarín y coreógrafo. Su habilidad corporal es admirable y difícil de obtener; su realización coreográfica es vulnerable. La molesta un infantil sacar y poner decenas de ladrillos de madera, la distraen algunos chistes visuales a lo Woody Allen y otras actividades irrelevantes.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Iuri Wander #3: EGO-tik



Foto: Mariano Czarnobai / PMPA

Encantador


EGO-tik, sem dúvida nenhuma, é um dos melhores espetáculos que vi neste festival. Isso que já assisti a dezoito. E esse nem estava na minha lista. Fui pelas indicações de quem viu no primeiro dia e se encantou.

Texto, coreografia e interpretação de Asier Zabaleta. O espetáculo é uma autobiografia e já foi apresentado em diversos países com boa aceitação.

Não sou coreógrafo. Não sou bailarino. Não sou ator. Não sou diretor. Não faço teatro! Também não sou crítico. Sou apenas um espectador expondo minha opinião. Por isso, não tenho uma visão técnica. Vejo exatamente o que o artista quer passar para o público em geral (ou não). E, neste espetáculo, Asier consegue atingir seu objetivo tocando o maior numero de pessoas possível. Alguns saem chorando, outros inquietos, uns se identificam com a solidão do personagem em cena. Acredito que algumas pessoas ligadas ao teatro e com visões mais técnicas percam (às vezes) o sentido da beleza passada no palco e prestem mais atenção nos detalhes de movimentação, de luz, som, figurino, etc, não se deixando tocar pela apresentação. É claro que tudo é importante, mas pequenos erros são irrelevantes.

O espetáculo consiste única e exclusivamente da individualidade do homem. A fragilidade, a insegurança, o medo, a solidão de cada um. A originalidade dos movimentos, quebradas de articulações. O processo dos tijolos que, de cama de faquir até virar uma prisão, passa por aste para caminhar no infinito, se torna pedestal para a glória e, por fim, vira a repressão solitária. A utilização dos vídeos: tudo é encantador e marcante. Em vários momentos, me identifiquei com o personagem e acredito que muitas pessoas também. Por isso, saem tão tocadas.

Uma pena que, no bate-papo, na Casa de Teatro de Porto Alegre, com Asier Zabaleta, tinha poucas pessoas. Muitos perderam a chance de conversar e ver de perto este gênio da expressão corporal e seu carisma. Pessoas que perderam a conversa dizem que o bate-papo estava mal divulgado. Está na grade de programação de todas as 15 mil revistas espalhadas pela cidade! Oportunidade única que pessoas que se interessaram pelo trabalho do artista perderam ao se deixar levar pela preguiça de sair de casa, num feriado, um pouco antes do seu chimarrão na Redenção.


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Iuri Wander é comerciante.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Airton Tomazzoni: EGO-tik



Foto: Mariano Czarnobai / PMPA

EGO-tik: um exercício de criatividade, rigor e generosidade

Inventividade e rigor. Estas duas qualidades vêm me mobilizando cada vez mais quando aprecio dança. Mais do que pensar em técnica, venho preferindo perceber como cada criador singulariza sua obra e como persegue rigorosamente o que ela solicita. Como coloca o filósofo italiano Luigi Pareyson, em seu Os problemas da estética: “o artista inventa não só a obra, mas, na verdade, a legalidade interna dela e a tal legalidade ele é o primeiro a estar submetido”. Aí se estabelece a tensão que não deve estar resolvida e, sim, intensificada: a que se dá entre liberdade e lei, originalidade e norma, contingência e necessidade. Eis aí, pra mim, o rigor artístico, técnico, ético que me interessa. E, assistir a EGO-tik, mais uma vez me afirmou essa percepção. O criador e intérprete Asier Zabaleta traz uma montagem criativa, inteligente, comovente, coesa. Há rigor e paixão, humor e sensibilidade.

Em cena, o sublime exercício de estar a serviço da obra e não em uma encenação masturbatória que assola tantas produções contemporâneas. E o curioso é que há a simulação de masturbação em cena e o trabalho escolhe como tema a própria condição egocêntrica capaz de gerar tantos imperceptíveis tiques nervosos, de comportamento e de caráter. A ironia está aí e disso se alimenta, pois a masturbação é midiática, videográfica e se acaba numa ejaculação de imagens. O problema não parece ser nosso Eu, mas a sua exacerbação narcisística. Atitude que impede reconhecer-se feito de muitos eus possíveis, nem sempre em letra maiúscula, nem sempre como um nome próprio, mas também comum, ordinário. O espetáculo, dessa forma, parece colocar em foco o drama da resistência ao devir e o apego a uma subjetividade que possa oferecer alguma falsa segurança. É emblemática a cena na qual o protagonista afirma estar onde não está. Ele prova e nos convence que tudo depende de um ponto de vista ou melhor de pontos de vista. E que esse Eu não só pode se duplicar, como se fragmentar, se virtualizar, se metamorfosear. Ou seja, alguém ainda acredita na tal essência do ser?!?

O melhor de tudo é toda essa filosofia que dá densidade à obra aparece em meio a risadas e a silêncios assustadores no pensamento, nada de um trabalho conceitual chato e monótono. Delicadeza e estranheza se intercalam nas cenas. Em certo momento, uma voz infantil em playback canta (ou melhor, tenta cantar) Somewhere over the rainbow, enquanto desafina, enrola quando esquece a letra e segue improvisando. Nada das impecáveis e enfadonhas interpretações das meninas-prodígio espalhadas pelo YouTube. Em certo momento o intérprete aparece de cuecas, enrolado em um pano branco e, enquanto dança, um globo de luz de discoteca pousa em seu dedo indicador.

A tecnologia, tão presente na cena contemporânea, beirando a gratuidade muitas vezes, aparece em EGO-tik de forma funcional, crítica e hábil. É envolvente e perturbadora a atmosfera das televisões ligadas com telas azuis que nada exibem, durante todo início do espetáculo. É engenhosa a articulações dos três monitores para construir o outro mesmo corpo de Zabaleta. É preciso e fascinante as coreografias que se desdobram da realizada em tempo real, em alguns momentos, reproduzindo as mesmas sequencias, em outros momentos, multiplicando as possibilidades coreográficas de se olhar esse corpo que tentar dançar em cena. Enfim, despeda(n)çando e recompondo a coreografia apresentada.

Resta ainda, e não menos importante, os blocos de madeira que formam o decisivo elemento cenográfico da montagem. Eles são no começo de uma grande base e gradualmente vai se transformando, em pódio, em “queijinho” de boate, e, finalmente, na melancólica e torturante prisão que vai sendo erguida e nos dando um ligeiro nó na garganta. Mais uma vez a escolha e uso desses elementos cênicos brincam com a ideia daquilo que é feito de fragmentos, que mesmo tão parecidos podem produzir múltiplas formas. E, portanto, que do mesmo se pode fazer muitos.

Por sua vez, o corpo em cena é habilidoso, sem ser exibicionistamente virtuoso e revelando padrões nada convencionais. Zabaleta desarticula-se, pausa, cai, revira-se, repete movimentos como se tentasse codificar algo que teima em escapar desse corpo. E,assim, cria uma dramaturgia corporal que se inaugura diante de nós. Um delicioso exercício de criatividade, rigor e generosidade.

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Texto, Coreografia e Interpretação: Asier Zabaleta / Figurino e Cenário: Asier Zabaleta / Vídeo: Iker Urteaga / Iluminação: Pascal Burgat / Trilha sonora: Andrés García / Produção: Ertza Dantza Garaikide Taldea / Coprodução: Departamento de Cultura del Gobierno Vasco, Loterie Romande (Suiça) e Bit-art / Duração: 55min / Classificação: 16 anos

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Airton Tomazzoni é coreógrafo, jornalista e diretor do Grupo Experimental de Dança da Cidade. Doutor em Educação pela UFRGS. Professor do Curso de Graduação em Dança da UERGS. Dirige o Centro Municipal de Dança da Prefeitura de Porto Alegre e é curador do Festival Internacional Dança.COM – corpo, performance e tecnologia. Atualmente é colunista do site Idança.net.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

EGO-Tik

"EGO-tik" quer olhar de longe, o mais longe possível do próprio ego. Quer alcançar o olho crítico como se houvesse sempre dois olhos sobre si mesmo: o do ego e o outro. “Ego-tik” quer o outro, aquele que observa a si mesmo nos momentos mais íntimos e tenta, se possível, criar um espaço comum, um lugar de onde também o olhar do outro opere, um terceiro olhar. A imagem do outro versus a imagem da gente e as duas sobre a gente mesmo. O limite possível entre o real e o que cremos ser. É um passeio pelos pontos fracos, pelas debilidades, pelos medos e vergonhas. Um lugar de regozijo no virtuosismo da dança e da beleza estética, explorando o movimento que surge nos estados de perda do controle emocional, da razão. É quando se percebe mais claramente o eu em sua totalidade, permitindo que o corpo seja reflexo dessa unidade.

O espetáculo fala sobre construção e medos, força poética e beleza. E há humor. O coreógrafo e bailarino Asier Zabaleta já havia mostrado em outros trabalhos seus usos inteligentes com o vídeo cênico, isto é, o vídeo incorporado à cena. Agora, através do diálogo entre performance ao vivo e sua própria imagem projetada em monitores, ele revela medos e vicissitudes a partir desse encontro entre o “eu” real e aquele que pretende ser. Em “EGO-Tik”, o grupo espanhol Ertza serve-se de diferentes técnicas expressivas e, também, audiovisuais para criar um estudo crítico e descarnado sobre a própria personalidade do solista Zabaleta, mostrando as tribulações de seu ego de artista que se converte em espectador, em “voyeur” de sua própria alma.

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Texto, Coreografia e Interpretação: Asier Zabaleta / Figurino e Cenário: Asier Zabaleta / Vídeo: Iker Urteaga / Iluminação: Pascal Burgat / Trilha sonora: Andrés García / Produção: Ertza Dantza Garaikide Taldea / Coprodução: Departamento de Cultura del Gobierno Vasco, Loterie Romande (Suiça) e Bit-art / Duração: 55min / Classificação: 16 anos