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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Dez mil seres (Portugal)


Dias 17, 18 e 19, às 22h
Teatro de Câmara Túlio Piva
 
Há 12 anos o grupo Dançando com a Diferença trabalha com a Dança Inclusiva e cria belos espetáculos unindo pessoas com e sem deficiência nos seus elencos. Através do trabalho desenvolvido utilizando como base o conceito e as práticas criadas por Henrique Amoedo, eles são hoje referência para muitas companhias ao redor do mundo, que se espelham na sua filosofia e no seu grande potencial artístico. Dez mil seres é o seu mais novo espetáculo. Criado pela renomada coreógrafa portuguesa Clara Andermatt, é um espetáculo onde se busca a percepção dos pormenores, do espaço, e do tempo. O despertar dos sentidos, a descoberta de novos sentidos e o questionamento daquilo que aparente não tem sentido. É o aproximar-se das “Coisas!” numa espécie de viagem labiríntica ao desconhecido.


Ficha técnica
Direção e coreografia: Clara Andermatt / Música original: Jonas Runa / Poema fonético baseado em Ursonate de Kurt Schwitters / Colaboração na dramaturgia e estereogramas: Jonas Runa / Elenco: Aléxis Fernandes, Bárbara Matos, Joana Caetano, Mickaella Dantas, Pedro Alexandre Silva, Sofia Marote e Telmo Ferreira / Figurinos e desenho de luzes: Maurício Freitas / Assistente de ensaios: Ana Raquel Silva / Execução de figurino: Fátima Trindade / Direção artística da AAAIDD e do GDD: Henrique Amoedo / ACCCA - Entidade beneficiária de Apoio à Internacionalização das Artes – DGArtes 2013 / Recomendação etária: livre / Duração: 50 minutos
 

domingo, 16 de setembro de 2012

Cão que morre não ladra por Jeferson Cabral



            O jogo com a morte
Ao entrar no teatro do SESC, o público é convidado a vivenciar um dia no cotidiano de uma família aparentemente normal. Em Cão que ladra não morre, somos alocados em uma sala de estar que desvendará uma série de conflitos cíclicos, em que a cada novo instante a lei da ação e reação torna-se presente. O efeito bola de neve é visível na trama, pois as fatalidades permeiam e desestabilizam a lógica dos acontecimentos corriqueiros dentro de um lar.
A companhia de Chapitô (Portugal) tem 12 anos de atuação como coletivo teatral e aposta suas fichas na poética da comédia como fio condutor das perplexidades vividas, por nós, seres humanos em nossa realidade social. O grupo investe desde sua criação, no ano de 1996, no trabalho físico do ator para suscitar e alimentar a imaginação do público.
O cenário constituía-se de uma mesa com grandes gavetas de onde saíam os elementos de cena. Existiam mais três cadeiras e um criado mudo onde se localizava a vitrola que compunha musicalmente a cena. Não foi necessário mais nada, pois todo o poder da peça estava centrado na corporeidade dos atores e na forma lúdica que se deu a narrativa diante de nossos olhos.       
A história que nos foi apresentada retratava a aceitação da perda, porque é através da morte do cão da casa que a trama começa a se desenvolver. Os pais tentam de todas as formas não revelar ao seu filho o fim da vida de seu bicho de estimação. Nessas tentativas eram revelados desenhos de cenas incríveis, que de forma eficaz reproduziam uma brincadeira de esconde-esconde. Nesse jogo foram utilizados os compartimentos da mesa como refúgio para o corpo do cão. A agilidade com que as cenas aconteciam nos trazia um sentimento de plena espera pelo que estaria por vir daqueles corpos dançantes em cena. Em determinado momento o filho descobre o corpo de seu cão e passa a tratá-lo como um ser ainda vivente, situação que permeia com as demais perdas que acontecerão na peça.
A morte ronda outra vez a família. Ao tentar lidar com esse problema novamente, outras situações extremas acabam acontecendo. A mãe da família acaba perdendo a vida após um simples tropeção, cena que causou grande impacto na plateia. Após essa morte vemos o pai tentando não mostrar ao filho a morte da mãe, mas sua tentativa não possuiu êxito e os espectadores são presenteados com cenas que beiram o absurdo, pois a negação da perda da mãe é o mote para cenas hilárias de humor ácido. Assim, somos apresentados a uma situação limite: uma discussão leva o filho a assassinar o pai. E logo vemos um menino vivendo com dois cadáveres, na verdade três, pois o cão ainda está ali.  Nesse momento concretiza-se uma atmosfera de sonho, pois os mortos voltam à vida e brincam afetuosamente com o filho. Esses dois mundos são constituídos através da iluminação, um tom claro para a ambientação da sala de estar e um jogo de luz azul para a atmosfera de sonho, de algo imaterial. 
O treinamento corporal dos atores fica muito visível nas cenas em que a ação de imobilidade foi exercida pelos mortos. Fica evidente o trabalho realizado entre o relaxamento muscular e os jogos de marionetes, pois os corpos dos atores transformavam-se em objetos de interação com a própria ação surreal que era encenada.
Na relação familiar que presenciamos por meio dessa obra teatral, vi a incomunicabilidade de pessoas próximas que apesar de dividirem o mesmo espaço não dividem o mesmo tempo. Penso que é esse o cerne do humor negro desse espetáculo, porque a morte é tratada como um jogo lúdico.
Ao sair de Cão que morre não ladra, encontrei-me com uma sensação de encantamento e questionei perante meu pensamento: como uma história de enredo demasiadamente simples encheu de magia o palco? A percepção que se encontra latente em meu imaginário é de que essa obra viaja entre o real e o fantástico de uma maneira sincera e surpreendente. 
*Jeferson Cabral é graduando no Departamento de Arte Dramática da UFRGS  

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Cão que morre não ladra por Gina Tocchetto

Fui convidada pelo Marcelo Adams para escrever neste blog  sobre Cão que morre não ladra, uma das peças do repertório da Companhia do Chapitô, que está sendo apresentada no Teatro do  SESC e que assisti dia 5, na noite de estreia.
Esta é a segunda vez que o grupo participa do Festival.  A primeira foi com a peça Leonardo , em 2001, sob a direção de John Mowat. O encenador inglês tem dirigido há 14 anos os espetáculos da Companhia direcionados ao público adulto. A Companhia do Chapitô trabalha com equipes diferenciadas para o teatro adulto e o teatro infanto-juvenil. Foi neste segundo núcleo que trabalhei quando residi em Lisboa.
Estava lá  quando a Companhia criou alguns dos seus espetáculos  e pude testemunhar o  seu processo criativo. A base de trabalho é a cooperação e o método de criação inclui o jogo e a  improvisação.
As improvisações podem surgir  a partir de ícones da dramaturgia clássica como ocorreu nos casos de Tartufo, Medeia, A tempestade ou Édipo. Podem surgir da adaptação de contos literários como em A aldeia das 4 casas e História de quem perde a sombra. Podem ser inspiradas em fortes referências culturais como Leonardo (da  Vinci), Talvez Camões, Drákula ou O grande criador (a Bíblia). E podem ter origem em temas fundamentais, como aconteceu mais recentemente com os espectáculos Cão que morre não ladra e Cemitério dos prazeres, duas variações sobre a relação das pessoas com a morte.
Em todos os casos, os atores criam os espetáculos em cumplicidade com o encenador. Desde a concepção dos projetos, passando pelo processo de ensaios e pela fixação dos espetáculos, os atores são convidados a refletir sobre o sentido de cada um dos seus gestos no tecido comunicativo da obra.
Lembro de um ensaio a que assisti de O grande criador, em que o diretor John Mowat e os três atores ficaram por muito tempo experimentando a marcação de um dos momentos da crucificação de Jesus. Os atores, o diretor e os convidados intercalavam-se, entrando e saindo de cena, olhando de fora como especialistas, explorando o melhor ângulo do ponto de vista da plateia para a composição plástica e arquitetônica da figura dos atores. O que me chamou a atenção foi o rigor com que o grupo investigava o sentido e a forma de uma pequena nuance da performance.
O corpo é o ambiente primordial onde estes criadores buscam através do jogo e da irreverência sempre novas relações dramáticas. Geralmente o palco com apenas três atores e alguns acessórios cênicos torna-se povoado de personagens e os objetos utilizados adquirem múltiplas funções. Mas a companhia não segue um modelo de encenação e comporta, ao longo da sua carreira, experiências bem diferentes como a peça Cão que morre não ladra. Neste espetáculo, cada ator representa uma só personagem e a função dos objetos utilizados equivale à sua função na vida real. Desta vez, o ponto de partida não foi um mito, nem derivou-se da adaptação de um clássico, mas partiu de um tema: a morte. Criou-se uma comédia de humor negro.
Acompanhamos a incapacidade dos integrantes de uma familia em lidar com a morte. Aliás, quem é capaz de lidar com isso? Para não enfrentá-la, o pai, a mãe e, principalmente, o filho comportam-se de maneira absurda procurando evitar o sofrimento e forjando a continuação da rotina familiar.
Na maior parte do tempo a movimentação dos atores no ambiente ficcional da sala, em torno da mesa de jantar, é contida, sem o caos exterior costumeiro das peças da Companhia. Desta vez o caos é interno, na ambiguidade das personagens  que querem relaxar apesar da grande tensão interna. Esta contenção nos mantém atentos, seguindo o rastro dos focos precisos da encenação, que nos encaminha propositalmente ora para o tamborilar nervoso de mãos de um ator, ora para um ruído nos bastidores, ora para os objetos de cena que prendem o olhar dos atores. E assim encaminhados pelo desenho dos focos de atenção criados no espaço , chegamos de tempos em tempos na risada, no espanto e na admiração.
Gosto deste trilho sem concessões que o encenador propõe, em que o palco traz um silêncio e uma aridez desprovido de efeitos hipnóticos. Gosto da aparente simplicidade das ações realizadas, que desembocam no extraordinário trabalho corporal dos atores, quando, por exemplo, executam a dança macabra em família.
Eu já havia assistido a esta peça em Lisboa e fiquei muita satisfeita com a participação da Companhia do Chapitô no 19º Poa em Cena, pois tanto o público em geral como a comunidade teatral estão tendo a  possibilidade de tomar contato com um grupo de grande relevância no cenário teatral europeu. E, também, porque esta Companhia representa um esforço eficaz na manutenção de um grupo de teatro, com equipe permanente, calcado no trabalho do ator, na pesquisa de linguagem e com excelente sentido de humor.

* Gina Tocchetto é atriz, diretora e professora de teatro

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Cão que morre não ladra (Portugal)

Dias 05, 06 e 07, às 19h – Teatro do SESC
O espetáculo da Companhia do Chapitô é uma comédia de humor negro que fala de uma família com um problema bastante sério, pois tem uma maneira própria e especial quando lida com a perda de um ser amado. Uma família despedaçada e partida ao meio pela tragédia, mas finalmente reunida. Diretamente de Portugal, a Companhia do Chapitô, criada em 1996, visita o Porto Alegre em Cena com um espetáculo baseado no trabalho físico do ator e que, através de gesto e imagem, convida a participação ativa da plateia. Uma das atrações internacionais mais aguardadas do festival, esse “Cão” promete surpreender pela originalidade da encenação e das vigorosas interpretações do elenco, com sucesso por onde quer que tenha se apresentado.
Ficha técnica:
Direção: John Mowat / Criação: Coletiva / Elenco: Jorge Cruz, Marta Cerqueira e Tiago Viegas / Assistente de direção: Katrina Brown / Gravação e Edição áudio: Tiago Cerqueira / Cenografia: Kevin Plum / Produção: Tânia Melo Rodrigues / Tradução de textos: Carole Garton / Iluminação: Luís Moreira e Paulo Cunha / Duração: 60min / Recomendação etária: 12 anos

sábado, 10 de setembro de 2011

Maria João e Mario Laginha por Rodrigo Monteiro

Maria João e Mario Laginha*
Talvez uma das coisas mais interessantes do espetáculo de abertura do 18º Porto Alegre em Cena seja a experiência de ouvir uma renomada cantora, ao lado de um excelente pianista, perseguir a própria voz. Maria João, uma das cantoras portuguesas mais célebres da atualidade, que foi cinturão negro de Aikido antes de se tornar cantora, chama a atenção pela sua experimentação vocal: dos tons mais agudos aos mais graves, ela parece redescobrir sonoridades em sua própria carga sonora, improvisando lindamente, oferecendo ao público um excelente resultado estético. É um prazer ouvi-la cantar, como também é ouvir Mário Laginha tocar ao piano (e não só acompanhar a cantora), do início ao fim do show.
No repertório, clássicos e novidades, sempre com um gosto de brincadeira. Algumas das músicas interpretadas estão no excelente CD Chocolate, 12º álbum da dupla que já comemora mais de vinte e cinco anos de trabalho em conjunto. Entre as canções que mais me chamaram a atenção, estão Beatriz, do Chico Buarque e a excelente versão de I’ve grown accustomed to his face , último número do musical My Fair Lady, de 1956, e que ilustra a raiva do Professor Henry Higgins ao fato da sua pupila Eliza Doolittle ter saido da sua vida, e o apercebimento crescente do quanto irá sentir a sua falta.
Pela 4ª vez em Porto Alegre, Maria João e Mario Laginha são figuras que marcam o festival de forma a fazer crer que as próximas edições não serão as mesmas sem suas presenças. A forma como a cantora dança em sua própria música e canta com o próprio corpo, o jeito como pacientemente ela sai da luz para nos convidar a prestar a atenção no seu pianista, e como ele também sai de cena, em determinado momento, para nos deixar compartilhar um dos momentos criativos e mais íntimos com a cantora portuguesa e, sobretudo, o carinho expresso nos depoimentos prestados ao longo do show sobre a relação da dupla com os artistas brasileiros fazem da fruição uma experiência estética de altíssimo nível. Quando se trata de abrir o maior festival de artes cênicas do planeta, não se pensa em algo menor. Maria João e Mario Laginha são, assim, perfeitos para o papel que executam e, acrescentando a bela iluminação, o figurino rico e a discreta movimentação em cena, não é exagero considerar a escolha como excelente.
* Rodrigo Monteiro é crítico teatral

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Maria João e Mario Laginha por Monica Tomasi

O standard do standard*

Quando fui convidada para escrever algumas linhas do show de Maria João e Mario Laginha aceitei sem pensar. Refletindo melhor depois, constatei que não tinha muita familiaridade com o repertório dela. Corri, então, na internet para ouvir coisas e ver vídeos.
Que beleza, uma cantora de jazz com um ótimo pianista.
E assim fui para o Teatro do Bourbon Country, na abertura do Festival Porto Alegre Em Cena, para assistir um show de standards de jazz.
Começou o show e já na primeira música um atmosfera diferente anunciava que alguma coisa iria acontecer ali. Na segunda música, Maria João pega um bloco e coloca na estante de partitura. Mas o tal bloco era um iPad que ela discretamente manuseava para ler as letras. Adorei!
Laginha e João manipularam as emoções da plateia em quase duas horas de show, com intimismo, lirismo, solos frenéticos de piano acompanhados de maracação percussiva com os pés, ela dançando sedutoramente em cumplicidade com a canção.
Momento arrepiante do show foi ao interpretar Beatriz (Chico Buarque), que depois confessou ser uma das músicas mais lindas do mundo, e ainda brincou que no seu camarim tinha uma foto da Marieta Severo.
O final do espetáculo é mais arrebatador ainda: Laginha sai discretamente do palco e deixa Maria João improvisar. Mas o que mais parecia ali era que seu corpo apenas tinha se tornado veículo de outras vozes que vieram dar o seu recado. Do tribal à ópera, fazia tudo parecer brincadeira. De tirar o fôlego!!!
Uma cantora solta, livre, feliz, suave, imprevisível. Um domínio e técnica absurdos.
Um pianista impecável, virtuoso, suingueiro e econômico.
Saí do show com alma lavada, valeu Luciano por repetir a dose esse ano.
A única ressalva que faço é quanto à iluminação do espetáculo, que interferiu em vários momentos, causando desconforto para quem estava na plateia. Refletores apontavam para o teto do teatro, numa parte metálica que refletia e ofuscava os olhos. E vamos combinar...soltar fumaça nos momentos mais intimistas da música é de última!!!!! Isso não é standard.

* Monica Tomasi é cantora.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pedro Abrunhosa


“Essa música é dedicada a todos os que amam, porque quem ama tem medo de perder.”


Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
 Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
 Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".
E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.
E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

Pedro Abrunhosa (1960) tem voz grossa e suave e canta como se se partisse em várias partes em cada nota. Tem uma sólida carreira em Portugal, onde construiu seu sucesso com muito estudo e muito trabalho como professor e compositor, além de cantor. Suas composições foram regravadas por muitos compositores brasileiros, entre eles, Caetano Veloso e Zélia Duncan. O disco LONGE, que ele lança no 17º Porto Alegre em Cena, é seu décimo álbum. Já contando com dois Globo de Ouro, seu primeiro disco foi gravado em 1994 e atingiu a marca de 140 mil cópias vendidas.  Sobre LONGE, encontramos no site do cantor o seguinte trecho:

“Pedro Abrunhosa considera que a música não é neutra. É uma ideologia de fraternidade: não se é músico sem o sentido de pertencer a uma família e sem se estar comprometido com o mundo. Para ele, a música é uma viagem que não se faz sozinho, apesar de o ter levado aos limites da originalidade e a lugares que lhe são exclusivos. Mas, com estes princípios e com estes valores, torna-se mais fácil perceber que é um daqueles criadores para quem o “Longe” não é uma distância – é sempre uma meta, uma missão, um objetivo. Não estará só, certamente. Basta para isso que continuemos a ouvi-lo.

Quem só assiste aos vídeos no Youtube de seus shows já sente a ligação que se estabelece nas pessoas da platéia. Ao vivo, esperamos sentir o mesmo nessa edição do festival.

*

Voz e Piano: Pedro Abrunhosa / Teclado: Cláudio Souto / Guitarra: Marco Nunes e Paulo Praça / Baixo: Miguel Barros / Bateria: Pedro Martins / Duração: 1h30min / Classificação: livre


sexta-feira, 4 de junho de 2010

Chocolate



“A música é muito saborosa, é como se os sons fossem bocadinhos de chocolate!"

Chocolate é o nome do 12º disco da dupla Maria João e Mário Laginha, músicos portugueses que comemoram vinte e cinco anos de trabalhos em conjunto. O delicioso jazz do disco que será apresentado no show do 17º Porto Alegre em Cena traz, entre canções conhecidas, novidades imperdíveis:

1. I Have a Heart Just Like Yours

2. Goodbye Pork Pie Hat
Dedicada à memória de Lester Young, a música foi composta em 1959 por Charles Mingus sobre um poema de Joni Mitchell, poucos meses após o falecimento de Young, um dos mais importantes e influentes saxofonistas e clarinetistas Americanos.

3. I’ve Grown Accustomed to His Face
Última canção do musical ‘My Fair Lady’ de 1956, e que ilustra a raiva do Professor Henry Higgins ao facto da sua pupila Eliza Doolittle ter saido da sua vida, e o apercebimento crescente do quanto irá sentir a sua falta.

4. Sweet Suite

5. This Time

6. Modern Mode / I’m Old Fashioned
“I’m Old Fashioned”, composta em 1942 por Jerome Kern com letra de Johnny Mercer, foi escrita para o filme ‘You Were Never Lovelier’ com Fred Astaire e Rita Hayworth como protagonistas. A primeira gravação desta música pertence a Fred Astaire com John Scott Trotter e a sua orquestra, nesse mesmo ano.

7. If You Could See Me Now
Um dos primeiros sucessos na carreira de Sarah Vaughan, em 1946.

8. Mati Mati

9. When You Wish Upon a Star
Esta canção, introduzida no filme “Pinóquio” da Disney em 1940, e que foi cantada por Cliff Edwards na personagem de Grilo Falante nos créditos iniciais e finais do filme, ganhou esse ano o Óscar da Academia para Melhor Canção Original, sendo ainda hoje considerada pelo Instituto Americano de Cinema como a melhor canção da Disney e uma das 100 melhores músicas de sempre num filme.
Além da dupla, outros três músicos, também compositores, engrandecem, talvez, uma das atrações mais esperadas da edição desse ano do Festival. Informa Mário Laginha:

“O Alexandre Frazão e o Helge Norbakken são respectivamente o nosso baterista e o nosso percussionista preferidos. Estavam escolhidos à partida. Quanto ao Julian Arguelles e ao Bernardo Moreira, são músicos com quem tenho tocado regularmente ao longo dos anos e que achei que eram ideais para este projeto.”

Maria João, que foi cinturão negro de Aikido antes de se tornar cantora, ao longo de sua carreira já trabalhou com músicos reconhecidos internacionalmente. Entre eles, a pianista Aki Takase e a banda Cal Viva, e Ralph Towner, Dino Saluzzi, Bobby McFerrin, Joe Zawinul e Trilok Gurtu, entre outros. Ao lado de Laginha, para nós, o destaque está no disco “Chorinho Feliz”, gravado em comemoração dos 500 anos da presença portuguesa no Brasil. Nele participam Gilberto Gil e Lenine, Helge A. Norbakken, Toninho Ferragutti e Nico Assumpção.

A voz encorpada e o apurado detalhe musical das interpretações conferem elegância à nossa programação. O repertório traz classe. O jazz traz alegria. “Chocolate” trará, certamente, prazer.


*

Ficha Técnica:

Voz: Maria João
Piano: Mario Laginha
Saxofone: Juian Argülles
Contrabaixo: Bernardo Moreira
Percussão: Helge Andreas Norbakken
Bateria: Alexandre Frazão
Duração: 1h30min
Classificação: Livre