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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Circo negro por Bia Noy


O início marcado por gestos estereotipados dos atores causou um certo estranhamento que se explicaria instantes mais tarde, quando o discurso dos atuantes se revelaria sobre a prática da representação. A crítica a este lugar-comum no palco levou os quarto componentes do grupo paranaense a criarem interessantes situações cênicas.
Sob a direção de Sueli Araújo, a Cia Senhas de Teatro trouxe para o público porto-alegrense um espetáculo bem construído, em que os longos trechos sem texto foram bem sustentados pelas ações dos atores. As cenas, que pareciam ser resultado direto de improvisações, levaram o público ao riso e até mesmo a um certo desconforto. 
A peça tendia para o lado do circo dos horrores, com domadoras e seus homens-leões domesticados por chicotes enquanto se estapeavam em consequência de um desentendimento envolvendo um laptop e um cigarro. A repetição de algumas situações durante o decorrer do espetáculo foi dirigida de maneira interessante, comprovando seu êxito pelas manifestações dos espectadores.
O ritmo cênico de Circo negro manteve-se surpreendente devido à criatividade que exalava pelo palco. Entretanto, do meio para o final, após uma cena de caráter mais dramático – um conto russo -, o grupo teve dificuldades em retomar o tom, e a peça, infelizmente, sofreu uma forte queda de energia, tonando-se uniforme e sem grandes surpresas cênicas.
O cenário, assim como os diversos acessórios cênicos foram bem utilizados, contudo haviam alguns elementos cuja a única função era de cunho decorativo e que, seguindo a linha de jogo proposta pelo grupo, poderia ter sido melhor aproveitada. Afinal, se temos um chuveiro com cortininha em cena, vamos, no mínimo, desfrutar de um bom banho, não?
 
* Bia Noy é atriz e doutoranda em Letras pela UFRGS

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Circo negro (PR)


Dias 4, 5 e 6, às 22h
Teatro de Câmara Túlio Piva
 
A CiaSenhas de Teatro traz a Porto Alegre o espetáculo Circo negro, dramaturgia do argentino Daniel Veronese, um texto-manifesto que coloca em discussão a própria representação a partir do jogo dos atores. Construído através de sequências de imagens potentes do universo circense, esse instigante trabalho prende a atenção dos espectadores que reconhecem nele temas e situações criadas por quatro atores. Eles assumem a função de intérpretes e explicitam mecanismos do jogo teatral através da apresentação de conflitos e de demonstrações de estados emocionais, gestos e técnicas de atuação. Juntos, todos vivenciam situações em que misturam a realidade teatral e a ficção, os gêneros épico e dramático. Com humor no limite da crueldade, as cenas discutem sobre relações humanas, valores éticos, manipulação da verdade e a relação com a plateia. Daniel Veronese é um dos autores mais aguardados no Porto Alegre em Cena. Esteve presente no festival com diversas montagens elogiadas pelo público e pela crítica.


Ficha técnica
Direção: Sueli Araujo / Texto: Daniel Veronese / Tradução: André Carreira / Assistente de direção: Anne Celli / Elenco: Ciliane Vendruscolo, Greice Barros, Luiz Bertazzo e Rafael di Lari / Direção de movimento: Cinthia Kunifas / Sonoplastia: Ary Giordani / Iluminação: Wagner Correa / Figurino: Amábilis de Jesus / Cenário: Paulo Vinícius / Produção e maquiagem: Marcia Moraes / Realização: CiaSenhas de Teatro / Recomendação etária: 18 anos / Duração: 60 minutos