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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Com a palavra Dilmar Messias, o padrinho do 20º Porto Alegre em Cena


Agradeço imensamente a homenagem  que o 20º Porto Alegre em Cena me prestou concedendo-me a lisonjeira distinção de Padrinho desta edição, no momento em que completo 40 anos de direção teatral.
Sou um homem privilegiado, e o sou ainda mais desde que escolhi ou fui escolhido pelo ofício que abracei.  Quando entrei no Curso de Arte Dramática tive como  mestres Luiz Paulo Vasconcellos e Maria Helena Lopes; como primeira referência, o Província do Luiz Arthur e o Arena do Jairo de Andrade; como colegas  e amigos Sandra Dani, Irion Nolasco, Maria Lucia Raimundo, Lurdes Eloy, João Pedro Gil, Inês Marocco, Carlos Cunha, Leo Ferlauto e Camilo Bevilacqua. Tive a oportunidade de conhecer o Gerd Bornheim, o Alziro Azevedo e de conviver com os dramaturgos Ivo Bender, Carlos Carvalho,  Caio Fernando Abreu, Vera Karan, Julio Conte, Julio Zanotta e com os diretores Nestor Monastério, Irene Brietzke, Paulo Albuquerque, Luciano Alabarse, Paulo Flores, e Camilo de Lélis, que me inspiraram fortalecendo minhas convicções. Trabalhei com atores como os saudosos Luiz Carlos de Magalhães, José Gonçalves e Leverdógil de Freitas. Tenho tido a sorte de trabalhar com inesquecíveis e talentosos atores, atrizes, acrobatas e palhaços e conhecer outras tantas queridas figuras dos palcos e picadeiros que faltaria espaço e tempo para mencioná-los. Vejo com alegria e otimismo uma nova e vibrante geração já ocupando seu espaço na cena gaúcha, com  quem espero dividir ainda um bom tempo, mesmo sabendo das vicissitudes que  teremos que enfrentar,  mas este não é o lugar nem o momento para lembrá-las.
Sou um homem privilegiado, conseguimos plantar no bairro Bom Jesus um acalentado projeto chamado Circo Girassol - o circo para todos, e reunir um grupo de artistas e colaboradores especialmente dedicados: o Tuta, Jé, Anderson, Diego, Andréa, Hálida, Walter, Deise, Carol, Gelson, Stone, as Simones Rorato e Rasslam, Yanto, Musklinho, Farinha, Psico,  Rodrigo, Silvia, meu irmão Darcilio e minha mulher Débora Rodrigues.
Agradeço a lembrança, mas a destacada homenagem deste 20º Porto Alegre em Cena devemos, sinceramente, à grande figura deste festival, o seu organizador nestes anos todos: o querido amigo, sensível e aplicado diretor de teatro, Luciano Alabarse, pela sua capacidade e competência de conduzir o Em Cena durante estes 20 anos em permanente evolução, transformando-o num dos mais importantes festivais do país, respeitado e reverenciado nos grandes centros culturais. Nós artistas sabemos das imensas dificuldades que encontram aqueles que dedicam seu tempo em benefício das causas coletivas, seja pela incompreensão e pelo individualismo de alguns, seja pela precariedade dos projetos e propostas de fomento. Mas a despeito das dificuldades, este evento se mantém como resultado de um grande esforço, de absoluta dedicação e superior generosidade do Luciano.  
Em tempo: Ontem fui presenteado com a bela atuação da Sandra Dani em Oh os belos dias. Acompanho a sua carreira desde o início, fomos colegas no Curso de Arte Dramática. Sandra sempre foi uma atriz exuberante, de uma energia e entrega exemplares, por isto admirável. Neste espetáculo tive a oportunidade de ver a Sandra, como num passe de mágica, transportar toda a sua energia, para uma personagem quase imóvel, enterrada até a cintura e com contenção esmerada, desvendar a complexidade do texto palavra por palavra, controlando tempos e intenções com uma intimidade invejável. Fiquei tomado de grande emoção ao vê-la tão plena em seu ofício.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dilmar Messias: Dois é show - Adriana Partimpim


Foto: Mariano Czarnobai / PMPA

Dois é show

Imediatamente aceitei o convite do Rodrigo para escrever neste Blog sobre o show da Adriana Partimpim. Até porque, neste ano, não tenho sido tão assíduo ao festival como no ano passado, pela correria deste setembro. Mas, ao blog, sempre sobra um tempo para dar uma espiada, o que ajuda na decisão e frustra na constatação da perda. Pois o convite serviu, então, como pretexto para largar tudo e ir ao Teatro do Bourbon Country, assistir ao Dois é show, o espetáculo de lançamento do disco Partimpim Dois, vencedor da categoria Disco Infantil do 1º Prêmio da Música Brasileira, que aconteceu no Rio de Janeiro, no mês passado.

Devo ter assistido senão a todas, a quase todas as apresentações de Adriana no POA em Cena. E, nos últimos anos acabei convivendo diariamente com o Partimpim. Não sou de ficar dependurado em lançamentos ou sucessos, mas fico escutando vários interpretes e, no final das contas, acabo sempre voltando aos mesmos. Mas a Débora, minha mulher, me apresentou este Partimpim primeiro e acabei me encantando. Todos sabem do fascínio que este mundo infantil tem exercido na minha vida e no meu trabalho, então, fiquei amarrado durante alguns meses no Oito Anos, Fico Assim Sem Você, Saiba, Lig Lig Lé, Ciranda da Bailarina, que carregam este universo de delicadeza, que é o jeito e a voz da Adriana Calcanhoto.

Como a Débora estava viajando, fomos eu e a minha neta Gabriela e, quando entramos no teatro, no escuro, ao som dos primeiros acordes, a sua agitação infantil da era da velocidade serenou. Adriana cantou todos os Partimpins, conforme o prometido, para o deleite de uma plateia ligadíssima de baixinhos e altinhos. A movimentação da cena ficou por conta da versatilidade da intérprete e dos ótimos músicos que a acompanham, pois, ao se revezarem nos vários instrumentos e executarem exóticas percussões acústicas e eletrônicas como travessura, criavam divertidas e originais coreografias . A fluência só não foi completa pelo incompatível peso dos adereços. Em compensação, a luz e a cenografia foram certeiras.

A esta altura, Gabriela já tinha recuperado a sua conhecida vitalidade, certamente, estimulada pela brejeirice do clima. Para arrematar, Adriana cantou, inspirada, Gatinha manhosa, de Roberto e Erasmo, e O homem deu o nome a todos os animais, de Bob Dylan, com versão de Zé Ramalho. E acho que foi por causa da interpretação singular do Trenzinho do caipira, de Villa-Lobos e de Ferreira Gullar, que nos perdemos no estacionamento do Shopping, depois de aplaudirmos entusiasmados, num fim de tarde, o Dois é show de Adriana Partimpim, um espetáculo feito para agradar gregos e troianos como eu e Gabriela.


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Criação: Adriana Partimpim / Direção: Adriana Partimpim e Leonardo Netto / Direção de palco: Jorge Ribeiro / Direção de arte: Luiz Henrique Sá / Guitarras e coro: Davi Moraes / Guitarra, Baixo, Pandeiro, Surdo e Coro: Moreno Veloso / Baixo, Baixo Synth e Coro: Alberto Continentino / MPCs, Percussões, Escaleta e Coro: Domenico Lancelotti / Bateria, Percussões acústicas, eletrônicas e Coro: Rafael Rocha / Figurino: Marcelo Pies e Danielle Jensen / Adereços: José Maçaira e Luiz Amadi /Cenário: Hélio Eichbauer / Iluminação: César de Ramires / Produção executiva: Suely Aguiar / Produção: Hiromi Konishi / Administração: Claudia Moog / Duração: 1h30min / Classificação: livre


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Dilmar Messias é diretor do Circo Girassol.