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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Rodrigo Monteiro #15: Por tu padre



Foto: Mariano Czarnobai / PMPA

Humano

Todos temos pai, uma figura masculina que preencheu esse lugar na nossa infância. E todos tivemos a infância, lugar onde nosso caráter teve suas bases construídas. Por tu padre: dois atores, uma mão de personagens, um banco. E um dos espetáculos mais bonitos do 17º Porto Alegre em Cena.
Um homem de meia idade e um senhor discutem sobre família. Um talvez seja o verdadeiro pai biológico do outro. A discussão acontece na porta de uma capela: um outro senhor está sendo velado. Num primeiro momento, é o pai. Noutro, é o pai biológico. Em todos, há um filho, a lente pela qual o espectador entra na peça. Nem todos temos ou teremos filhos.

Construído por Adrián Navarro, o personagem do filho, mostra ser frágil como uma criança, embora já tenha quarenta anos. A partir de seu discurso, vamos tendo respostas claras ao que já se havia pressentido. Houve muito de não resolvido no passado desse homem que, agora, encontra-se em frente a si mesmo diante do pai verdadeiro e não. Como alguém que observa e purga suas emoções, o público assiste às excelentes interpretações de Navarro e, também, de Federico Luppi, que faz os dois personagens mais velhos, além do capelão. O tom é realista, os tempos são facilmente identificados como próximos ao real, as falas servem ao texto e a movimentação é discreta. O teatro, nesta montagem, acontece por dentro: nos personagens, na relação entre eles, na catarse da assistência.

Dib Carneiro Netto, o autor, trata de sedução, de perdão, de confiança. A excelência do diálogo explora as cores diversas da relação entre pais e filhos, entre homens e mulheres, cônjuges, companheiros, parceiros. Esse é um mundo em que, se quiser, você pode viver sozinho, mas é muito melhor viver acompanhado. Na plateia, surgem lágrimas, lembranças, sorrisos. A peça causa impacto em quem a assiste porque transporta para um lugar outro, um nó perdido nas vidas sentadas. A encenação de Miguel Cavia serve ao texto, reconhecendo sua importância. A capela ao fundo, grandiosa, sugere a pequenez de quem está a sua frente. Os figurinos são pálidos, sutis. Nada é exagerado.

O personagem de Navarro chora quase o tempo inteiro, gritando irado em alguns momentos, intimidando-se em outros. Considerando que é seu pai quem está sendo velado, nada fica demais. Luppi dá aos seus personagens a verdade de alguém que já viveu e que ensina naturalmente, sem a empolação de um professor. A iluminação não marca onde apareceria, a trilha sonora não se ouve nos momentos em que não deve ser ouvida. Trovões e orações são detalhes ao fundo, assim como um ou outro foco que realça o lugar discursivo de um personagem.

Por tu padre vai e deixa o que produziu pensar. Um dia também irá meu pai e também irei eu. E, nisso, o teatro é muito humano.


*Rodrigo Monteiro: Licenciado em Letras - Português/Inglês pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.Bacharel em Comunicação Social - Habilitação Realização Audiovisual pela mesma universidade. E mestrando em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Jurado do Troféu Açorianos de Teatro 2010 e, também, do Troféu Braskem 2010, é autor do blog www.teatropoa.blogspot.com de Crítica Teatral de Porto Alegre

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Humberto Vieira: Por tu padre


Foto: Mariano Czarnobai /PMPA

Por mi padre

13 de fevereiro de 2010: meu pai retorna ao hospital para aquela que seria sua internação mais longa e derradeira. Lúcido, tranqüilo, leve, mas plugado em uma máquina que o ajudava a respirar.

6 de julho de 2010: meu pai partiu após meses de uma espera em que tive a oportunidade de estar com ele em turnos de pequenas conversas e longos silêncios. Tempo para mirar com novos olhos uma relação que durante a vida teve temperos diferentes e sabores, às vezes, insossos, às vezes, fortes demais, difíceis de engolir e que puderam ser regurgitados, remastigados e novamente digeridos.

2 de setembro de 2010: ao ser convidado para escrever sobre esta encenação para o blog do festival, percebi que teria de encarar o tema, pois a seleção dos espetáculos a que eu assistiria neste 17º POA em Cena não incluía Por tu padre, montagem argentina do texto Adivinhe quem vem para rezar do dramaturgo brasileiro Dib Carneiro Neto, jornalista e editor do Caderno 2, do jornal O Estado de São Paulo.

18 de setembro de 2010, na cena, me identifiquei com aquele menino atônito que, aos doze anos, pensava ver mais do que os adultos que delineavam seu mundo e que, agora adulto e também pai, parte para um acerto de contas que desconstrói sua frágil personalidade. Fiquei esperando que o personagem excessivamente choroso, na interpretação de Adrián Navarro, crescesse e parasse de olhar só para si, percebendo o espelho que seu pai e o amante de sua mãe (seu pai biológico) representam e a quem Federico Luppi dá o tom certo, com mudanças no figurino tão sutis e eficientes, como as feitas em sua correta e densa interpretação.

19 de setembro de 2010: a encenação do conceituado diretor, professor, ator e cenógrafo argentino Miguel Cavia, apoiada em cenário de tintas também realistas, é elegante e correta, sem ousadias, um legítimo representante do teatro tradicional e textocêntrico que ainda domina a cena Latino-Americana. Uma montagem sem erros, com a ressalva de que a iluminação e a sonoplastia poderiam ter aproveitado melhor o belo cenário e, sem surpresas, mas que cumpre com profissionalismo e ternura o propósito básico de nos entreter e fazer pensar

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Texto: Dib Carneiro Neto / Direção: Miguel Cavia / Elenco: Federico Luppi e Adrián Navarro / Figurino: Marcelo Pont / Cenário: Marcelo Pont / Iluminação: Gabriel Cavia / Produção executiva: Giuliana Bacchi - Maria Fernanda Sciuto / Produção: Cristian Cristofani, Ariel Diwan, Carlos Bacchi / Duração: 1h10min / Classificação: 12 anos

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Humberto Vieira é encenador e dramaturgo, mestre em Artes Cênicas pela UFRGS e tem duas montagens em cartaz no 17º Porto Alegre em Cena: Elefantilt – Um exercício brechtiano e Cabarecht.

Beth Néspoli #7: Por tu padre


Foto: Mariano Czarnobai

Por tu padre

Ontem vi o espetáculo argentino Por tu padre, texto de Dib Carneiro Neto, cuja montagem brasileira, intitulada Adivinhe quem vem para rezar, fora protagonizada por Paulo Autran. Saí emocionada do teatro e não apenas pela minha fruição ou envolvimento pessoal. Minha comoção veio especialmente por um fator externo, pela observação da intensa relação estabelecida entre o palco e a plateia. Pode não se repetir nas noites seguintes, mas, no sábado à noite, foi um acontecimento a forma como o público acompanhou o espetáculo. Em alguns momentos, o teatro era tomado por silêncios densos, quase palpáveis. Era visível a forma como os espectadores acompanhavam o embate entre os dois personagens. Num dado momento, um homem à minha frente emitiu um som involuntário em sobressalto ao ouvir determinada “revelação”. Numa outra cena, o personagem vivido por Adrián Navarro dá um tapa no rosto de seu pai, interpretado por Federico Luppi. Está aí um ato de forte carga dramática. Na vida real, um tapa no rosto de um pai é ato impensável, provocaria dor quase insuportável. Cena difícil, muito facilmente pode resultar falsa, ou exageradamente melodramática, ou agressiva a ponto de diluir o sentido do afeto ferido. Foi realizada na medida pelos intérpretes. E o diretor não negligenciou o peso do ato. Após essa ação, os dois atores ficam imobilizados e em silêncio durante quase um minuto, tempo muito longo em teatro. Ontem, no Theatro São Pedro, nessa cena, o público ficou igualmente imóvel, respiração suspensa, junto com eles.

Alguns podem alegar que Por tu padre é uma obra dramática baseada em conflito psicológico e, portanto, de estética muito familiar ao grande público, o que facilitaria a comunicação. Não é bem assim. Claro que sua linguagem não provoca estranhamento, mas o simples reconhecimento está longe de garantir tal fruição. O que ocorreu ali no Theatro São Pedro só pode ser prova da qualidade de tal obra.

Por tu padre é um drama “aristotélico”, unidades de tempo, lugar e ação respeitadas. Tudo se dá pouco antes de uma missa de corpo presente, no embate entre um rapaz (Navarro) e dois personagens vividos por um mesmo ator mais velho (Luppi). Uma chuva forte supostamente provoca o atraso dos fiéis e o rapaz recebe a visita de um ex-sócio de seu pai, alguém que marcou de forma indelével sua infância. Os perfis psicológicos dos personagens são construídos com precisa coerência e revelados aos poucos por meio de diálogos muito bem encadeados, que conseguem provocar risos mesmo abrindo feridas. A trama se desenvolve a partir da forma como os personagens desvelam fatos do passado ali, naquele momento, premidos sob a forte emoção da perda. Ocorre que as imagens desveladas pelo abrir de véus surpreendem, nunca são como esperávamos, nunca são aquilo que nos acenaram pouco antes. Diálogos voltam em espiral e as mesmas palavras ganham novos sentidos a cada nova informação posta em jogo.

Eu vi a montagem protagonizada por Paulo Autran mais de uma vez e, de início, foi impossível não comparar. Mas depois de alguns minutos o espetáculo argentino ganhou o seu espaço na minha atenção. De saída, gostei demais da postura física de Navarro que, a meu ver, traduziu muito bem no seu corpo, na sua atitude, o caráter acovardado desse homem que nunca conseguiu crescer, um homem-menino, preso a um fato ocorrido nos seus doze anos de idade. No seu corpo, ele revelava sua incapacidade (infantil) de sustentar suas palavras agressivas. Falava recuando como a criança que teme a força física e moral do adulto.

Em toda a primeira parte do espetáculo, eu gostara muito do Luppi, firme, figura forte, com os pés plantados no chão, em boa oposição ao garoto frágil, choroso, acovardado. Mas quando ele retorna, como pai, eu estranhei o fato dele não diferenciar fisicamente os dois personagens, algo que Paulo Autran realizou com brilho. Depois, fiquei pensando que talvez não fosse mesmo necessário tal virtuosismo. Afinal, há na peça uma atmosfera de realismo fantástico, não há uma explicação clara, e nem precisa haver, para a duplicidade de papeis. Pode ser que seus personagens estejam presentes apenas na imaginação do rapaz.

Ambos, sócio e pai, representam o masculino para esse rapaz. Não por acaso um masculino cindido em sua mente, que não consegue conciliar ou decidir entre retidão oprimida e leviandade sedutora. Essa cisão, que impede sua integridade, ele parece querer resolver nesse dia. Trata-se de um duplo, da uma cisão do mesmo, por isso é possível tal opção do Luppi: não é preciso necessariamente que haja uma diferença forte entre os dois.

Eu ainda prefiro essa diferença bem marcada, uma vez que a semelhança está dada pelo fato de ser o mesmo ator. Mas isso é pessoal, tem a ver com a referência anterior, com o que vi do Paulo Autran. A relação estabelecida por essa montagem com o público é a prova de que estou tratando aqui de um detalhe sem importância.

Gostei também da forma como saiu do “verbo” para a cena a informação, que deveria ser dada pelo padre ao fim, de que o rapaz estava há horas na igreja. Em vez de palavras, a imagem do ator lendo na penumbra nos faz refletir sobre o que realmente se passou ali, ao fim de tudo.

O único senão, o que realmente incomoda no espetáculo é a cenografia, de visualidade pesada, artificial, antiga. Opção difícil de compreender.


*Beth Néspoli é jornalista e crítica teatral. Atuou durante 15 anos, entre 1995 e 2010, como repórter especializada em teatro e crítica no Caderno 2, o suplemento cultural do jornal O Estado de S. Paulo. Desligou-se da imprensa diária no início do ano para uma temporada de estudos. Atualmente é mestranda no curso de pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Beth Néspoli #4: Rubros, In on it, Por tu padre e A inquietude



Beth Néspoli: um festival para muitos espetáculos

Alguns dos espetáculos desta 17ª edição do Porto Alegre em Cena eu já vi, mas gostaria de rever. A montagem mineira Rubros: vestido-bandeira-batom é uma delas. Vi há muito tempo e guardo apenas algumas imagens na memória. Lembro que gostei muito, escrevi sobre ela no jornal elogiando autora, cujo nome, Adélia Nicolete, na época não me dizia nada em especial, eu não tinha a menor ideia de quem ela era. Mais tarde a conheci, só então me dei conta de que ela é mulher do Luiz Alberto de Abreu, mas alguém com brilho próprio, muita sensibilidade, um grande ser humano. A peça tem como mote a relação entre duas amigas e aborda aquilo que se costuma rotular questões femininas – separação, filhos, envelhecimento. Adélia mostra não ter medo desse território “clichê”, porque sabe atravessá-lo para buscar além dele os fios que ligam essas duas mulheres ao seu tempo histórico. Assim, costura sua trama, no emaranhado entre bandeiras (de lutas políticas) e batom, emaranhado mesmo, pois a peça nada tem do tom doutrinador de quem aponta um caminho reto e seguro. Por meio de uma conversa aparentemente cotidiana – que provoca identificação imediata, risos e lágrimas – traça um retrato tragicômico de uma geração de mulheres que vivenciou profundas transformações comportamentais e ainda está aí, nos dias de hoje, maduras, tão cheias de dúvidas quanto de desejo de seguir em frente. Eu vi, num outro festival, essa montagem dirigida pela mineira Rita Clemente, cujo trabalho eu já conhecia e foi o que me atraiu ao teatro. E sua direção realmente contribui para ampliar as qualidades dessa dramaturgia, assim como as interpretações.

Sobre In on it, muito já foi dito. O espetáculo já tem longa estrada, sempre com recepção entusiasmada e é daquelas que conseguem agradar a diversos públicos teatrais – sim, também há espetáculos assim. Vale ser visto por muitos aspectos, da direção passando pelo texto ao jogo da dupla de atores, Emilio de Mello e Fernando Eiras.

Por tu padre, a montagem argentina do texto de Dib Carneiro Neto, atual editor do Caderno 2, que, no Brasil, foi encenado com o título Adivinhe Quem Vem para Rezar e tinha Paulo Autran como protagonista. Trata-se de um drama que enfoca relação pai e filho e tudo se passa numa Igreja, na missa de sétimo dia da morte do pai. É uma peça de quatro personagens para dois atores e Autran fazia três desses personagens com transformações externas mínimas. Trocava uma bengala por um lenço. Era uma atuação minimalista, interiorizada, inesquecível. A montagem argentina promete trazer como protagonista um ator dessa mesma linha realista de interpretação, Federico Luppi, acostumado às nuances expressivas da arte cinematográfica, igualmente talentoso e experiente, e estou bem curiosa de ver como ele expressará esse drama, que tem seus momentos de humor, bom que se diga. Apreciar a arte desses grandes atores de outra geração e seu talento para “dar vida” a palavras em cena é um dos prazeres que o teatro pode nos dar.

Também vou aproveitar para ver A inquietude, solo Ana Kfouri, de autoria do francês Valère Novarina, um dos que sinto ter perdido na temporada. É um desses textos contemporâneos, em que não se conta uma história, porém as palavras se encadeiam num jogo ou até num choque de sentidos e sonoridades de forma a deixar ao espectador possibilidades abertas de construção de sentido. Até onde sei, o autor aborda a própria linguagem como se examinasse essa ferramenta em sua potência e sua fragilidade. Se a proposta tem certamente a sua dificuldade (o que não é demérito), o interesse pode se ampliar pela presença da Ana Kfouri, uma atriz que conhece a fundo a dramaturgia desse autor e sabe o que quer ao trazê-la para a cena brasileira. Pelo menos, essa é minha expectativa.

Fica agora a expectativa de que comece o Festival. Os próximos posts já serão sobre os espetáculos a que assistirei. Ingresso na mão, Word aberto. O 17º já começou!

*Beth Néspoli é jornalista e crítica teatral. Atuou durante 15 anos, entre 1995 e 2010, como repórter especializada em teatro e crítica no Caderno 2, o suplemento cultural do jornal O Estado de S. Paulo. Desligou-se da imprensa diária no início do ano para uma temporada de estudos. Atualmente é mestranda no curso de pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Por tu padre

Se somos uma catarse, que tal pensar a mãe como o espaço e o pai como o tempo? Nesse contexto, nós três seríamos uma família e o eu, vejam só, uma encruzilhada.Talvez, assim, tornaremos imagética a força não linear que trazemos conosco, pois, sendo um ípsilon, não seremos um mero risco, mas, um asterisco ainda que em fase inicial.

Por tu padre” fala da relação de paternidade. É o tempo quem nos fala sobre nossa descendência, sobre os séculos de sonhos, de dores e também de ideologias que carregamos, mesmo sendo materialmente órfãos. Não precisa ser homem, não precisa ser parente, não precisa ser vivo, mas “o pai” pode sempre ser visto como aquele que nos diz sobre como era o mundo antes de nossa chegada e ouve conosco sobre como ele ficou no momento em que isso aconteceu. Identificar sua presença em nós pode ser, e sugerimos, uma aventura em torno de nossa própria história, pois todos temos alguém que representa o universo ao lado de quem é a nossa parte.

“Por tu padre” é uma atualização dessa aventura pela qual todos podemos ser desafiados. No enterro do pai, o filho, já aos trinta anos, resolve esclarecer a dúvida sobre sua verdadeira ascendência. Na cerimônia do funeral, está o antigo amante de sua mãe, amigo do seu pai oficial oficialmente morto. E seu possível pai verdadeiro oficialmente vivo. No elenco, estão Adrián Navarro, estrela de TV e cinema na Argentina, fazendo o filho. E Federico Luppi, tão (amado) e conhecido por suas participações inesquecíveis em “Elsa e Fred” (2005) e “O Labirinto do Fauno” (2006), entre várias outras produções mundialmente reconhecidas, fazendo aquele que talvez seja o pai.

A aparência melodramática do roteiro, escrito pelo jornalista brasileiro Dib Carneiro Neto, não é o mais importante desse texto que foi o penúltimo texto encenado por Paulo Autran ao lado de Claudio Fontana em 2005. Sob chuvas e trovões, a dúvida que persegue o filho desde os seus 12 anos, é apenas a visão particular de uma interrogação que diz respeito ao universo: qual nossa relação com o passado e até que ponto inventamos a roda?

O teatro argentino que o 17º Porto Alegre em Cena conhece é aquele que foge das cascas e viaja verticalmente atrás de dúvidas. O afeto, a sedução e o sexo são degraus que tornam o homem humano, a parte que particulariza o universo de forma racional, não menos animal. A direção de Miguel Cavia deixa o contexto de um mero ajuste possível de contas em um diálogo sobre a solidão e a ternura, a identidade de alguém quer ser alguém no mundo. E um alguém que tem sempre muitos caminhos para seguir e muitas possíveis origens. O importante é aceitar o desafio.

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Ficha Técnica:


De: Dib Carneiro Neto
Direção: Miguel Cavia

Elenco:
Federico Luppi
Adrián Navarro

Cenário e Figurino: Marcelo Pont
Iluminação: Gabriel Cavia
Produção Executiva:  Giuliana Bacchi - Maria Fernanda Sciuto
Produção:  Cristian Cristofani, Ariel Diwan, Carlos Bacchi
Duração: 1h10min
Classificação etária: 12 anos

Estreou: 24 de março de 2010