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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Jorge Arias #5

 Martes, 28 de septiembre, 2010 - AÑO 11 - Nro.3760
http://www.larepublica.com.uy/cultura/425563-finalizo-una-nueva-edicion-del-festival-teatral-de-porto-alegre


Los caballos, Electra, Kabul, In on it, Ultimo tango en Berlín



Dos piezas uruguayas, Los caballos de Rosencof y Electra de Sófocles fueron estrenadas en el 17º Festival Internacional de Teatro de Porto Alegre, una distinción que nuestro arte dramático debe a quien más y mejor lo ha difundido en los últimos tiempos: Luciano Alabarse.


La obra de Mauricio Rosencof Los caballos, por Teatro de La Gaviota, es teatro político. Es denuncia de las condiciones de trabajo y vida en los arrozales de Treinta y Tres y llamado a la insurrección. La puesta en escena de Ernesto Clavijo atendió linealmente a la trama, sin el relieve combativo que elevare la anécdota al nivel del manifiesto. En particular, la conducta del personaje clave de Ulpiano pareció más delirio senil que rebeldía cívica.

Electra, de Sófocles, puesta en escena de Marisa Bentancur, causó sensación en el público "gaúcho" por la actuación de Gabriela Iribarren como la luchadora y dolida protagonista. Luego de un comienzo incierto, apareció la actriz, se adueñó del escenario del Renascença y, con el apreciable concurso del libreto, subyugó a su auditorio. Algunos detalles podrán mejorar, como la inserción en la tragedia de un coro plural que no hace inteligibles sus apasionadas invocaciones. Muy bien Rosa Simonelli como Clitemnestra y Virginia Rodríguez como Crisotemis.

Kabul, de las autoras y directoras Ana Texeira y Stephane Brodt (Rio de Janeiro) narra, en un estilo sobrio y ceñido que recuerda creaciones de Peter Brook, como El traje, una historia que une el desdichado episodio de una mujer lapidada en el estadio de Kabul en 1999 con el libro Las golondrinas de Kabul de la argelina Yasmina Kadra. Son magistrales la escenografía, mínima y artística, y la interpretación: los actores, además de dar el alma de sus personajes, sugieren puertas, cárceles y habitaciones. De lo mejor del festival.

De In on it del autor canadiense contemporáneo Daniel MacIvor (1962), suspendemos el juicio porque a duras penas pudimos entender una mínima parte de la trama, alevosamente complicada con desconcertantes y desconcertadas idas y venidas en el tiempo. Se nos dice que dos actores interpretaron diez personajes; lo más que vimos fue cuatro, con casi la misma voz y los mismos gestos: uno de ellos canchero y sabido, el otro absorto y descolocado. Con toda clase de premios.

Ultimo tango en Berlín, de la cantante alemana Ute Lemper, cerró el festival y deslumbró al público. Como en la apertura por Goran Bregovic, todo en Lemper es aproximadamente igual, de Brecht a Piazzolla. La diva, de expresión facial congelada, intenta parecerse a Marlene Dietrich.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Helena Mello #5: Electra


Foto: Guilherme Santos / PMPA

Escuta o meu suplício

Quando fui convidada para escrever sobre Electra, pensei em ler a peça. Ou deveria dizer reler? Uma das brincadeiras que surgiu durante o mestrado foi essa. Ao nos referirmos a autores famosos ou peças clássicas, deveríamos dizer “reler” para não dar atestado de ignorância. Aliás, imaginei que começaria o meu texto com informações sobre esta tragédia, dados históricos, algo que facilmente eu encontraria no sistema de busca mais poderoso do planeta, mas mudei de ideia. Primeiro quero dizer que o Teatro Renascença estava cheio. O que me fez questionar aonde vão todas estas pessoas quando não tem Porto Alegre em Cena. Tenho certeza de que muitos dos meus colegas atores que brigam para ter público durante os outros meses adorariam saber. Além disso, ao ver o espetáculo, pensei com saudade dos tempos em que lia em voz alta as tragédias gregas na minha casa, pois era a chance de ir descobrindo o texto, ir me surpreendendo com a capacidade dos autores e confirmando a genialidade deles. Eu não fazia nenhuma entonação, nem vozes diferentes para os personagens. Nem por isso suas falas eram menos impactantes. Porém, a versão uruguaia fez justamente o oposto.

Todos os atores, sem exceção, estão no palco dizendo cada palavra sempre um tom acima. Mesmo que eu não tenha lido o texto e meu espanhol não seja dos melhores, isso era, facilmente, identificado. E devo dizer que me incomoda muito. Dizer tudo, o tempo todo, como se fosse uma grande surpresa ou desgraça tira a importância de qualquer palavra. São os nuances que enriquecem e atraem. Uma incrível maldade sussurrada pode ser bem mais cruel do que dita aos gritos ou em prantos. Nesta montagem, não temos esta chance. Tirando o coro, os demais seguem a linha do excesso. Também não vi contracenação. Nem mesmo nas cenas em que os atores se abraçam e isso me surpreendeu. Tive a impressão que a peça era um grande recorte. Como se cada um houvesse ensaiado sozinho e, no último dia, houvesse se juntado.

Todos os atores me lembraram as antigas moças do tempo dos programas de televisão que mexiam o corpo apenas da cintura para cima e os braços até certo ponto. Ficavam para o coro os movimentos de dança, cuja proposta era que fossem idênticos, então, quando isso não acontecia sujava a cena. Novamente me fizeram lembrar de minhas aulas no Departamento de Artes Cênicas quando estudávamos o classicismo francês e havia todas aquelas regras de como o ator deveria se mover no palco. Lembro que recebi com espanto aquelas informações de que este só podia ficar de frente para a plateia, em certo ângulo e que outros gestos eram vistos como erros.

Quais são os pontos positivos? A estética. O cenário é interessante. Os tablados ocupam o palco e colocam os atores em níveis distintos. A luz também merece destaque. Mesmo não sendo fotógrafa, meus olhos imaginavam várias fotos lindas que ficariam ótimas em qualquer material de divulgação do espetáculo. O figurino força aquela ideia de teatro grego o que dá certa unidade e se não chega a contribuir muito, me dispensa de ver os personagens em calças jeans ou qualquer outra tentativa de deixar o espetáculo contemporâneo.

Porém, ao contrário de outras pessoas, acho que os textos gregos devem, sim, ser trazidos ao palco hoje. Só não confio muito em fazer isso tentando reproduzir o que foi naquela época em que não havia jeito de fotografar, filmar, colocar na internet. Difícil até para as pessoas que fazem pesquisa, como é o caso do meu sobrinho, João Alfredo Mello, que, ao participar da montagem de Antígona de Luciano Alabarse, como um guarda que entrava mudo e saía calado, fez questão de buscar informações sobre a postura deste soldado, o peso do seu escudo, etc.

Apesar de estar sendo bastante crítica, tenho certeza de que no Electra uruguaio há trabalho, longos ensaios, muitas discussões para chegar aquele resultado que, a mim, não arrebata.

*

Helena Mello
Jornalista e Mestre em Artes Cênicas pela UFRGS. Autora do blog www.palcosdavida.blogspot.com

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Rodrigo Monteiro #18: Electra

Foto: Guilherme Santos / PMPA

Electra: a estreia que não ocorreu


Escrita na Grécia Antiga, há quatrocentos anos antes de Cristo, essa versão de Electra, também contada por outros dramaturgos contemporâneos de Sófocles, cuja versão é tema aqui, foi atualizada incontáveis vezes ao longo dos milênios. Assim como as críticas nesse blog, cada um traz um novo olhar sobre as mesmas obras e tenho certeza de que a mesma pessoa, ao reescrever, ainda se complementaria. Quanto mais antigo é o texto, assim, mais disponível estão os outros olhares. O mesmo ocorre com textos populares. Electra, por isso, traz junto a si uma variedade imensa de possibilidades: é antiga e não muito difícil de encontrar versões. Ambas cargas enaltecem o texto, mas pesam, e muito, a responsabilidade de quem opta fazer. E fechar os olhos para o que há de alternativas não é aceito no teatro profissional.

A jovem Electra espera pelo retorno de seu irmão Orestes. A única razão de sua existência é a vingança pela morte do pai. Agamenón fora morto pela própria esposa Clitemnestra e seu amante Egisto, agora Rei. A mãe sabe que será morta pelos filhos. Os filhos sabem que matarão a mãe. Não há como fugir desse destino e tudo o que se vê, ou lê, são as impressões presentes do que acontecerá num futuro bem breve, com gotas de um passado também não muito distante. Grandes cenários não são necessários, tampouco figurinos caros. Embora todo mundo goste de ter seus olhos cheios por um trabalho ímpar, à narrativa pouco isso tem a acrescentar. Tragédia é mesmo um gênero teatral em que o que importa é o texto sendo dito de forma clara, intencional, rica.

Marisa Bentancur traz ao 17º Porto Alegre em Cena Gabriela Iribarren e Virgínia Rodriguez como as irmãs Electra e Crisótemis, uma outra versão da dupla Antígona e Ismênia. Ambas sabem o que fazer e são obedientes ao seu destino, embora o da primeira seja fazer e o da segunda seja não-fazer algo. As cenas em que as irmãs se encontram são o ponto alto da montagem. É quando o espectador ouve a beleza da história, julga o ato através da situação, o que é importantíssimo para o público de tragédia. Quando quem vê analisa o visto a partir de si, os julgamentos poluem e já não estamos mais assistindo um clássico. Isso, infelizmente, acontece em todos os outros momentos dessa encenação.

Ainda que interessantes, os movimentos coreografados feitos pelo coro, várias vezes, chamam a atenção além do necessário. Colorem a cena e favorecem a encenação introduzindo a ação, mas, quando em excesso, causam constrangimento no espectador que quer prestar unicamente a atenção no que está sendo dito. O mesmo se pode dizer sobre a trilha sonora, que atrapalha e cansa.

Electra, como espetáculo, tem seus piores momentos a partir da entrada de Orestes (Lucas Barreiro). A carga dramática dos atores (também Gustavo Bianchi e Gustavo Suarez) não é expressa no mesmo tom de suas colegas, o que realça a importância delas não só para o texto como também para o elenco, o que é negativo. A opção por apresentar a morte de Clitemnestra em palco aberto é constrangedoramente absurda: quase amadorismo, a opção não se justifica diante da ausência de punhal e de sangue cenográficos. O mito trágico não é realista em nenhum de seus aspectos e a representação da morte não fica nem no realismo, nem no clássico, mas no pateticamente falso.

Encerrando com os aspetos positivos, retomo a beleza do dizer o texto. Pausadamente, quase sem gestos, as atrizes fazem com que a barreira do idioma não se veja. Nem do idioma, nem do tempo. Apesar do apontado como negativo, o espetáculo, que estreia em país estrangeiro, promete agradar seus conterrâneos trazendo ao currículo de Bentancur tanto sucesso quanto o alcançado no seu As troianas, produzido há três anos. Vale a pesquisa sobre o feito tanto para quem faz como para quem vê.

*Rodrigo Monteiro: Licenciado em Letras - Português/Inglês pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.Bacharel em Comunicação Social - Habilitação Realização Audiovisual pela mesma universidade. E mestrando em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Jurado do Troféu Açorianos de Teatro 2010 e, também, do Troféu Braskem 2010, é autor do blog www.teatropoa.blogspot.com de Crítica Teatral de Porto Alegre

domingo, 26 de setembro de 2010

Marcelo Adams #14: Electra


Foto: Guilherme Santos / PMPA
Electra

O mito de Electra serviu de material para os três grandes tragediógrafos exercitarem seus estilos durante o século V a.C., em Atenas. Ésquilo, em Coéforas (escrita em 458 a.C.), Sófocles com Electra (escrita entre 420 e 410 a.C.) e Eurípides também com Electra (escrita após 413 a.C.) trataram, de formas levemente distintas, o mito da filha que deseja vingar o pai Agamemnon, através da morte da mãe, Clitemnestra, e do tio, Egisto. Para isso, aguarda o retorno de seu irmão Orestes, para que pratique a ação sangrenta. É uma história terrível, porque envolve matricídio, talvez o mais abominável dos crimes consanguíneos, e traz embutida uma força arquetípica avassaladora.

Com um material dessa qualidade, faz-se indispensável uma encenação igualmente rica. Não digo financeiramente, porque dinheiro não compra criatividade (apesar de facilitar um pouco às vezes): falo de riqueza teatral, de transcendência. E isso não se viu na montagem uruguaia dirigida por Marisa Bentancur, tendo a consagrada atriz Gabriela Iribarren no papel-título.

Não tenho absolutamente nada contra os clássicos, pelo contrário: tenho participado, como ator, da encenação de alguns dos grandes textos da dramaturgia universal: Hamlet, Édipo, Bodas de sangue, O médico à força, e outros. Também nada contra encenações "clássicas" desses textos (o que é mesmo clássico? Será algo que se opõe a experimental?). Discussões à parte, mesmo em encenações clássicas há momentos do que chamo de transcendência, de inventividade, quando o encenador coloca sua visão a respeito da obra a serviço de uma ideia. Isso é necessário.

A montagem uruguaia tentou esse recurso em alguns momentos, mas infelizmente de maneira equivocada. Uma trilha sonora estranha, algo como lounge music, durante a cena de reconhecimento entre Electra e Orestes é inexplicável. Também não se entende aquelas partituras de dança contemporânea executadas pelo coro, em alguns momentos. Quase risíveis, não fosse a garra do elenco inteiro. Os figurinos são feios, especialmente o vestido de Clitemnestra, de um amarelo deslocado, assim como o tecido e o modelo "madrinha de casamento". Aliás, a maquiagem lembrava uma madrinha. Egisto entra com um calçado que parece uma Melissinha, e por aí vai.

A cenografia é claramente inspirada nos esboços de Edward Gordon Craig, e isso é uma virtude. Mas os níveis diferentes são usados sem a devida propriedade, porque as personagens permanecem estáticas durante longas falas, o que torna bastante maçante a encenação. Para que encenar Electra desse jeito? Melhor fazer uma leitura dramática ou comprar o texto e ler em casa.

Uma das coisas mais estranhas do espetáculo foi a morte de Clitemnestra e de Egisto. Todos sabem que, na tragédia antiga, as mortes nunca eram exibidas em cena, porque os atenienses não suportavam esse tipo de violência diante de seus olhos. Por esse motivo, há inúmeros exemplos, nas tragédias gregas, de cenas de narradores que vêm contar em detalhes mortes e atrocidades ocorridas fora do palco. Nessa Electra de Sófocles, no texto original, a morte ocorre fora de cena, ouvindo-se apenas os gritos da mulher e do amante assassinados. Na montagem uruguaia, Clitemnestra é trazida para o palco, agarrada pelos pulsos de forma desajeitada por Pílades, amigo de Orestes, e apunhalada com um objeto invisível pelo filho. Sim, Orestes estica a mão vazia e encosta no ventre da mulher, que morre. Por que? Só se justificaria trazer essa ação para as vistas do público se ela fosse executada com violência e verossimilhança. Desta forma, como encenada pelos uruguaios, nem uma coisa nem outra: não agrada a gregos nem troianos, e torna-se ridícula. O mesmo se repete no assassinato de Egisto. Incompreensível a escolha.

Gabriela Iribarren é a melhor do elenco; felizmente, porque é quem mais fala. No entanto, mesmo com uma bela dicção, mantém um tom choroso e monocórdico durante muito tempo, o que é cansativo e distancia. De resto, a velocidade das falas muitas vezes torna dificílimo compreender o que dizem os atores falando em espanhol.

A iluminação é simples, mas bonita. Não há muito mais o que dizer sobre a peça, porque ela não atinge um nível de destaque, apresentando vários problemas de encenação. E, por essa razão, Marisa Bentancur é a principal responsável pelo não êxito da empreitada.


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De: Sófocles / Direção: Marisa Bentancur / Elenco: Gabriela Iribarren, Lucas Barreiro, Rosa Simonelli, Gustavo Bianchi, Virginia Rodriguez, Gabriela Palomera, Victoria Novick, Rosina Carpentieri, María Inés Dutour, Paola Ferreira, Daniela Mosca, Danna Liberman, Gustavo Suarez e Liliana Curto / Figurino: Verónica Lagomarsino / Cenário: Diego Caceres / Iluminação: Martín Blanchet / Trilha sonora: Sylvia Meyer / Produção: Marisa Bentancur / Duração: 1h / Classificação: 12 anos


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Marcelo Adams é ator, diretor teatral e dramaturgo. Graduado em Teatro- Interpretação Teatral e em Direção Teatral, pela UFRGS. Mestre em Letras pela PUCRS. Fundador da Cia. de Teatro ao Quadrado, sediada em Porto Alegre. Participou de dezenas de espetáculos como ator e diretor. Destacam-se Goela abaixo, O homem e a mancha (Prêmio Açorianos de Melhor Ator em 2006), Burgueses pequenos, Édipo, O médico à força (Prêmio Açorianos de Melhor Ator em 2008), Bodas de sangue e Mães & Sogras. Estreará no próximo dia 15 de outubro, no Teatro de Arena de Porto Alegre, o espetáculo A lição, de Eugène Ionesco, nova produção da Cia. de Teatro ao Quadrado. Autor do blog http://marceloadams.blogspot.com/

terça-feira, 8 de junho de 2010

Electra


Electra espera seu irmão Orestes chegar para, junto ele, darem fim aos assassinos de seu pai Agamenon. Os dois matarão Clitemnestra, sua mãe, e Egisto, amante dela. Electra é sujeito.

Clitemnestra morrerá pela mão de seus filhos. Mesmo confessando que tratara Electra mal durante seus últimos anos para que seu amor maternal não desagradasse o novo marido a ponto de fazer a enteada sofrer em suas mãos, não tendo dos filhos o perdão pelo assassinato de seu ex-marido, é morta. Electra é objeto do destino de sua mãe.

Orestes matará sua mãe e o amante dela ao chegar a Argos vindo da Fócida para onde foi enviado pela irmã Electra. Foi o meio que ela encontrou para salvar o irmão da ira de Egisto, assassino de seu pai. É com a ajuda de quem outrora lhe salvou que consumirá o fato. Electra é adjuvante.

Electra viva se opunha ao governo de Egisto em Micenas. Era um espinho na vida do casal real. Electra é oponente.

Marisa Betancur estreará no 17º Porto Alegre em Cena o espetáculo Electra, tragédia grega escrita no final do século V antes de Cristo. Contada também por Eurípides e por Ésquilo, a produção uruguaia encenará o texto de Sófocles (497-405 a.C.). Mas só Betancur irá dizer qual ponto de vista de Electra o espetáculo realizará entre tantas opções, algumas delas lançadas acima. E é essa a novidade do teatro: sempre há pontos de vista diferentes, o texto é sempre novo.

Atriz e diretora profissional, Betancur é formada pela Escola de Arte Dramática em 1984, desde então, com um currículo vasto em trabalhos e prêmios. Não menos se pode dizer de Gabriela Iribarren, que interpretará a protagonista. A montagem de 2010 sucede “As Troianas”, de Eurípides, que estreou em 2007 e participou do 14º Porto Alegre em Cena.

Chama-se a atenção para o trabalho de Verónica Lagomarsino na construção dos figurinos que vestirão os personagens helênicos trazidos ao palco do nosso festival pelo Uruguai. Uma produção do Instituto de Atuação de Montevideo com quinze atores, um cenário disposto para fazer refletir as oras subidas, ora descidas do universo de Electra, iluminação e trilha sonora a acrescentar valores para a tragédia clássica tantas vezes contada, mas, aqui, de um jeito único. Única.

Recebeu, em junho, o Prêmio MONTEVIDEO CIUDAD TEATRAL, um dos prêmios mais importantes do Uruguai.


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FICHA TÉCNICA
Direção: Marisa Bentancur


Elenco: Gabriela Iribarren, Lucas Barreiro, Rosa Simonelli, Gustavo Bianchi, Virginia Rodriguez, Gabriela Palomera, Victoria Novick, Rosina Carpentieri, María Inés Dutour, Paola Ferreira, Daniela Mosca, Danna Liberman, Gustavo Suarez, Liliana Curto

Iluminação: Martín Blanchet
Trilha Sonora: Sylvia Meyer
Cenografia: Diego Caceres
Figurinos: Verónica Lagomarsino
Duração do espetáculo: 1h20