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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Jorge Arias #1


Viernes, 17 de septiembre, 2010 - AÑO 11 - Nro.3749
http://www.larepublica.com.uy/cultura/424132-festival-teatral-de-porto-alegre
 
Alkohol, Tobari, Hamelin, Dias felices y Video portraits

El lanzamiento del décimo séptimo Festival Internacional de Teatro de Porto Alegre fue con un almuerzo en el restaurant Boris, con el que se agasajó a las autoridades municipales y a la prensa. La apertura artística en el teatro del Shopping Bourbon estuvo a cargo de Goran Bregovic.

El título de la presentación de Goran Bregovic con su Orquesta de casamientos y funerales, Alkohol (Serbia) fue subrayado por el vaso con un líquido dorado. Posiblemente el "mago rubio" que invocaba Juan Carlos Abellá, que sostuvo en la diestra Bregovic, un hombre que es un show aparte.

Aparece ya comenzado el espectáculo (duración: dos horas y media), vestido con un luminoso traje blanco; luce un adorno plateado que cuelga como una condecoración. Su orquesta (diecisiete músicos) causó en los jóvenes entusiasmo y batir de palmas: hubo parejas que se besaban, casi todos saltaban, alzábanse los brazos. Oímos elogiar la bullanguera banda de metales, el grave sexteto vocal, las cuerdas gitanas, las cantantes búlgaras que miraban a los espectadores de las primeras filas; pero a partir de los primeros quince minutos tuvimos la sensación de estar empaquetados en el mismo ritmo, música de circo o de feria, banda militar. Algunas reminiscencias del cante jondo, a cargo del Alen Ademovic, también baterista, nos hicieron soñar; pero fue un instante.

Tobari (Japón) danza Bu Toh, no tiene ninguna relación con lo que llamamos "ballet", pero la única definición adecuada en nuestro idioma es "danza". Vemos nueve bailarines, vestidos o pintados de un blanco que sugiere el mármol de estatuas en movimiento, sobre una escenografía mínima, de pura luz; en parte una cinta blanca que separa la escena del fondo del escenario, una cambiante noche estrellada. La acción es de un movimiento muy lento, no menos difícil que las "pirouettes" o "double tours". Los sentimientos que suscita "Tobari" son entre religiosos y estéticos, como si para el Japón fuere imposible la idea de un arte puro, de un "arte por el arte". Hay un sentido de unción en todo el espectáculo: no es un rito, ni una ceremonia, pero tampoco es entretenimiento o pasatiempo. Cuando salimos sabemos que vimos algo que no podemos definir, que admiramos, que nos sorprende sin querer sorprendernos, que nos deja una honda sensación de respeto y aprecio.

Hamelin (Río de Janeiro) de Juan Mayorga, de quien se exhibe en Montevideo El camino del cielo, plantea, a través de una investigación judicial el tema de la pedofilia: como en La duda de J. P. Shanley, casi justifica la afición. El final (no hay un desenlace) es un signo de interrogación, que cuestiona a los cuestionadores. La puesta en escena complica un trama clara y distinta narrándola al mismo tiempo que la tenemos ante nuestros ojos: no hay una pausa en el diálogo que no sea acotada por algún narrador honorario que dice "silencio", como si no advirtiéramos que alguien calló. La relación de la pedofilia con el flautista de Hamelin, tan importante que llega al título de la pieza, nos fue inexplicable: en particular no entendimos la similitud de los niños con los ratones. Entendemos que no razonan, pero esto es un fenómeno universal.

Dias felices, (Estados Unidos-Italia) con dirección de Robert Wilson (Waco, Texas, 1941), que ya dirigió en el festival del 2009 Cuarteto de Heiner Müller. Los refinados efectos de luz gratos al director están bajo control y adecuados al espíritu de Beckett. Winnie, por Adriana Asti (1933), primera esposa de Bernardo Bertolucci, está en la cima de un siniestro montículo negro recortado bajo un cielo de luz cruda que forma una aureola sobre la actriz. Puede preferirse la versión de Peter Brook, pero esta puesta en escena, sin mengua del virtuosismo del director, es impecable.

Vídeo portraits, de Robert Wilson en el Santander Cultural, es una exposición, desarrollada en dos plantas, de retratos filmados, con sonido y movimientos. Los modelos son casi siempre célebres (Johnny Depp, Brad Pitt, Isabelle Huppert, Jeanne Moreau, Gao Xingjian, entre otros). Los retratos, fijos en la pared, tienen movimiento dentro de sus marcos. Al cabo de unos instantes de contemplación, los modelos pestañean, parpadean, a veces le llueve encima a un Brad Pitt en calzoncillos, que agrede con una pistola de agua; a veces les recorren el cráneo letras como hormigas (Gao Xingjian). Hay una perfección, un poco impersonal y otro poco distante; y no pudimos avaluar qué parte de la perfección se debe a apoyos técnicos y qué parte proviene de la inventiva del autor.

sábado, 18 de setembro de 2010

Rochele Porto: Happy days



Happy days

Antes de discorrer sobre o que vi no dia 11 de setembro no Theatro São Pedro, gostaria de esclarecer alguns fatores. Primeiramente, quero deixar claro de onde estou falando. Pois, sou uma pesquisadora da área de artes cênicas, mas não alguém que se especializou na difícil tarefa de fazer crítica teatral. Portanto, o panorama dado será o de um pesquisador que tenta observar o contexto e a si mesmo, enquanto observador e que, assim, constrói uma realidade.

Vou começar, então, falando sobre o momento pré-peça. Como só consegui assistir a Happy days no último dia, ouvi vários comentários sobre o espetáculo. E, claro, eles não só me influenciaram como me deixaram muito curiosa, porque todos eles, se não tinham um tom irônico, tinham uma afirmação bastante convicta dizendo: “muito chato!”, “aquela mulher é muito ruim!”, “aquele que o Peter Brook trouxe foi bem melhor”. Outros um tanto medrosos, pois eram pessoas de outras áreas que, tentando “entender” a peça, diziam: “vai ver que o objetivo é ser chato assim mesmo!”. Alguns colegas meus da área teatral, que trabalham com a dramaturgia de Beckett, saíram no intervalo. Um colega que hospedei, que veio de Curitiba, especialmente para ver Bob Wilson, chegou mais cedo em casa, porque não tinha forças para agüentar o segundo ato. Enfim, creio que se possa imaginar que, de alguma forma, fui ao teatro afetada por estas opiniões.

Ao chegar ao Theatro São Pedro, me sentei no camarote do terceiro andar, o que foi bom, pois fiquei de frente para o letreiro. Digo isto, porque quando a peça começou, olhei para baixo e vi as pessoas com pescoços espichados para cima tentando ler a tradução. Imagino que elas tiveram alguns obstáculos para ver a peça.

O espetáculo começa, me encanto com o som e o vento que balançam o pano branco que cobre toda a frente do palco. Era como se caísse um tormenta, um vendaval. Angustiante. Uma mulher sai de dentro de um buraco e da suas primeiras falas. Dou risada e penso: é Beckett. Prendo-me ao texto e em alguns efeitos provocados pelos sons. Como também no ator que surge de costas fazendo alguns gestos. No entanto, ao longo da peça, vou me atendo apenas ao texto. Tentando “entender”, o texto. Vejo-me, então, num ambiente parecido com o acadêmico.

Era tudo que eu não procurava. Canso-me. Dou algumas piscadas, pois meus olhos quase fecham. Intervalo. Não vou embora. Penso: “tudo bem dormir, aconteceu isso no Quartett e também já ouvi outras pessoas falarem o mesmo, mas, eu não ter nenhum encanto, além de ficar alerta ao texto... Isso é estranho...” Volto ao espetáculo. Adormeço completamente. Surge o som de um raio e ele cai em neon sobre o palco. Acordo. Contemplo encantada, mas, na hora do raio em neon ir embora, vejo as cordas que o levantam. Desencanto-me. Creio que não era a proposta mostrar o processo. Continuo atenta. O homem sai da “toca” e aparece para nós. Penso: “não precisava”. Uma dramaticidade que não precisava. Ascendem-se as luzes, bato algumas palmas e vou embora. E nada mais.

*

Rochele Resende Porto é Bacharel em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes do Paraná e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Desenvolve uma pesquisa teórico-prática intitulada Para além do ensaio: a meditação tibetana em um processo de criação.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Luiz Paulo Vasconcellos: Happy days


Dias nem tão felizes assim...

A imposição de uma estética de encenação, por melhor que esta seja, a uma obra dramática, nem sempre resulta num bom espetáculo. Às vezes, pode resultar num desastre. Que outros críticos, talvez por polidez, diriam tratar-se de um equívoco. Não importa. Equívoco ou desastre, este é o resultado da direção de Bob Wilson da peça de Samuel Beckett, Happy days. Um espetáculo inerte, repetitivo, sem uma linha dramática ascendente que sustente minimamente o interesse do espectador durante a hora e meia de duração. Em suma, um espetáculo chato.

Mesmo a iluminação, que tem sido um dos mais requintados recursos cênicos utilizados pelo diretor, não atinge o nível dos espetáculos anteriores. O que vimos ontem no Theatro São Pedro foi uma luz ácida, agressiva, tentando desesperadamente se impor acima e além do que acontecia no palco, uma espécie de tábua de salvação diante de um afogamento iminente.

Beckett foi um autor que, conscientemente, deixou-se influenciar pelas diversas experiências narrativas que o melhor teatro que o antecedeu legou a ele e a nós – o naturalismo, o trágico, o melodrama e a farsa. Em Fim de jogo, por exemplo, ele faz o trágico e o absurdo conviverem com o comportamento farsesco dos personagens. Em Esperando Godot, a inação é transformada em ação teatral e sublinhada por um diálogo cujo estilo lembra o dos melhores comediantes do cinema mudo. No caso de Happy days, o que sustenta a obra é a oposição entre o absurdo da situação – uma mulher enterrada até a cintura no primeiro ato e até o pescoço no segundo – com o naturalismo da representação. Winnie é essencialmente humana em seu longo monólogo que externa as suas dúvidas, os seus desejos mais íntimos, suas desilusões, sua tristeza e sua alegria. Com um revólver ao alcance da mão ela inicia o primeiro ato falando sobre a felicidade da vida, sobre o belo dia que terá pela frente. No segundo ato, quando o uso do revólver se torna uma possibilidade, ela já não tem mais domínio sobre o uso das mãos, enterrada que está até o pescoço. Mas a iluminação do espetáculo dirigido por Bob Wilson não me permitia vislumbrar a arma, esse elemento cênico tão importante para a compreensão da emoção de Winnie. Pena...

*

Luiz Paulo Vasconcellos - Ator, diretor e dramaturgo. Professor, pesquisador, ensaísta e crítico . Poeta, joalheiro e cozinheiro nas horas vagas.  

Marta Isaacsson: Happy days

"Oh, fugitivas alegrias, oh, latentes tristezas"

Happy days: a conversa entre dois deuses do teatro teve lugar nesse Porto Alegre em Cena. Bob Wilson encontra Beckett e trava com ele uma aproximação nos mesmos moldes como fez com tantos outros dramaturgos. Não encena o texto, não explora ações de composição da situação dramática. Para Wilson, a dramaturgia possui suas próprias imagens e sobre as quais ele se recusa intervir. É através das palavras que os personagens de Beckett têm a sensação de existirem e esquecer sua miséria. E é para as palavras de Beckett que Bob Wilson abre passagem enquanto a cena corre em paralelo. E, para deixar o texto de Beckett passar com liberdade, compõe um quadro fixo, em que o relevo se aplaina pela disposição frontal dos elementos, conhecida marca da primorosa visualidade de seus espetáculos. Winnie não se encontra soterrada sob a relva queimada como concebeu Beckett. Sua figura emerge de um vulcão de asfalto em direção ao nada, a um vazio luminoso. Quando segura a sombrinha ao alto, temos mesmo a sensação de que a personagem será elevada e absorvida pelo espaço branco do abandono que se encontra acima de sua cabeça. Bob Wilson que já “contou” Hamlet invertendo sua temporalidade, fazendo da tragédia dinamarquesa um sonho pós-morte do herói, suprime completamente todo indício de realismo da situação beckettiniana. Winnie de Bob Wilson habita um espaço mental, e é nele que se vê presa. Ali o passado dita o presente. As fugitivas lembranças surgem como flash de luz que cega a visão sobre a realidade (inclusive aquela do espectador!). A personagem encontra-se refém da memória, de uma realidade talvez tão imaginária quanto seja o presente construído através de sua rememoração. O espaço mental é, então, o espaço do possível e não da realidade.
Dramaturgo de um pessimismo negro, Beckett constrói um universo risível: a miséria de seus personagens é tão forte quanto engraçados são seus comportamentos face a ela. E, para investir na dimensão cômica, Bob Wilson tem a perspicácia de liberar sua atriz das amarras habituais que impõe a seus atores. Se em Quarttet, Isabelle Hupert teve de se dobrar à mecânica humana (voz monocórdia e máscara fixa), Adriana Asti recebe passe livre do diretor para explorar todo seu potencial de comediante. E ela faz com grande competência no primeiro ato da peça. Grande atriz! Quem teve o privilégio de assistir ao espetáculo próximo ao palco, pode desfrutar de suas acrobacias faciais. Asti sabe tirar enorme proveito de seus grandes olhos, acentuando seu olhar que salta em diferentes direções, chegando mesmo, em dado momento, a romper a sólida quarta parede de Bob Wilson (Uau!). E lembremos que, para Beckett, conforme inúmeras rubricas da peça, os olhos são o elemento principal da composição de Winnie. Às contrações da face, Asti alia o detalhamento da enunciação da palavra, arrastando consoantes e trinando vogais. O acento risível do primeiro ato da peça se reforça pela associação de ruídos pontuais à manipulação dos objetos pela atriz, que torna a linguagem da cena familiar àquela dos desenhos animados.
Na peça de Beckett, o segundo ato possui uma densidade bastante diferente daquela do primeiro. Aliás, essa característica aparece em muitos de seus textos de dois atos. Finalmente saído de seu esconderijo o parceiro de Winnie tem o revolver a altura de sua mão... O suspense reina. O espetáculo de Bob Wilson, infelizmente, não encontra um tom singular para fazer uma virada. Um interessante diálogo entre variações vocais da atriz e rápidas mudanças de iluminação buscam construir o clima de tensão do momento que pode vir a ser o último de uma existência humana. Mas não é suficiente para dar conta. Asti mantém o jogo no mesmo tom do primeiro ato, continua a se consolar na linguagem. O revólver pouco visível sobre as pedras do asfalto negro não sustenta uma ameaça. Nenhuma urgência, nenhuma iminência se coloca. Fica, então, a pergunta: no espaço mental concebido por Bob Wilson, o que exatamente pode interromper a repetição, o que ameaça o fluxo do pensamento reconfortante da fantasia? A realidade que jamais se mostra no espetáculo? Não seria esse o momento, então,...
Já passei da fase de ter pudor de não gostar das criações dos deuses. Quando me desagradam, sou sincera. Mas esse não foi exatamente o caso de Happy days de Bob Wilson. O espetáculo não me desagradou. Abandonei a luneta de Beckett para entrar no universo de Bob Wilson e me diverti no primeiro ato com Asti, mas, ao final, saí com sentimento de incompletude.


* Marta Isaacsson de Souza e Silva é Mestre e Doutora em Estudos Teatrais (Paris III), professora do Departamento de Arte Dramática da UFRGS e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas na mesma Universidade. É, também, pesquisadora CNPq da área de Artes.

domingo, 12 de setembro de 2010

Helena Mello #1: Happy days

Foto: Luciano Romano

Unhappy theater

Cinco anos se passaram desde a última vez que estive no Theatro São Pedro para assistir a Happy days, de Peter Brook. Lembro que quase morri de tédio. Mas não sabia dizer se o espetáculo realmente não prestava, pois meu irmão havia morrido naquela semana aos 49 anos de um ataque cardíaco fulminante. Tentei seguir assistindo aos espetáculos como uma homenagem a ele que, certamente, gostaria que eu continuasse as minhas atividades, sobretudo as que, normalmente, me dariam prazer. Porém, nenhum talento cênico conseguiria aliviar o sentimento que me ia à alma. Lembro que no intervalo perguntei a um colega que conhecia o texto se valia à pena ficar, se melhorava e, como havia de fato uma mudança, ele disse que sim. Entretanto, o que acontecia não podia ser considerado como algo positivo, ainda mais naquele meu estado de espírito. Pois bem. Hoje, voltei.

Estou acostumada a ver Eva Sopher na entrada, mas desta vez lá estava Luis Fernando Veríssimo que, para mim, é praticamente um personagem, pois existe o texto de LFV e o próprio e, mesmo que não o conheça de perto, desconfio que eles sejam bem diferentes. Bem, mas sempre gostei de ir ao teatro e, embora não queira parecer arrogante, devo dizer que meu sentimento é ainda mais intenso agora que sou mestra em artes cênicas. Explico: ver o Theatro São Pedro lotado já me deixa feliz e é nestas horas que uma quinta feira sem graça se transforma em um happy day.

Levanto para cumprimentar Sandra Dani e Luiz Paulo Vasconcellos que, agora, considero meus amigos. Muitas outras caras conhecidas estão espalhadas pela plateia. Laura Backes, Inês Marocco, Mirna Spritzer, Flávio Maineri, Mônica Bonatto... Assim como muita gente que nunca vi e outras que eu gostaria de conhecer. De repente, me dou conta que já faz mais de dez anos que entrei neste universo. Como eu sempre soube, é um povo diferente este do teatro, gente que continua me atraindo. Desta forma, apesar de ainda não terem dado o sinal, nem apagado as luzes, sinto que o “evento” teatro já começou.

O espetáculo começa. A atriz murmura alguma coisa e eu penso: em que língua ela está falando? Só depois reconheço que é francês. Mas sem legendas? O que ela dizia não era nada de tão importante, mas podia imaginar como as pessoas que não sabem esta língua (ah...coitadas) deviam estar angustiadas por não compreenderem. Na hora, lembrei de um espetáculo a que assisti no SESI em alemão em que todos riam e eu imaginava que era muito estranho tantas pessoas compreenderem. Só depois me dei conta de que eu é que não estava vendo a legenda. Assim, hoje, comecei a procurar onde estaria e aos poucos, apesar de toda a luminosidade que vinha do fundo do palco comecei a enxergar as letras. Uma senhora ao meu lado coloca seus óculos escuros. O efeito de contraste entre o morro negro onde se encontra a atriz e a luz de fundo, apesar de esteticamente muito interessante, provoca desconforto e atrapalha completamente a leitura.

Enquanto a monotonia começa a chegar, lembro das mediações feitas na Bienal e me pergunto: sobre o que é o espetáculo? Mesmo encontrando respostas como: é sobre o patético da vida, sentia que algo não estava funcionando ali. A plateia faz um silêncio enorme. Mesmo as tosses, tão comuns nestes momentos, estavam praticamente sumidas. E, enquanto o texto vai sendo despejado com um sotaque que mais me lembrava uma feirante em Marseille, vou sentindo necessidade de olhar o relógio. Havia se passado apenas meia hora e o sono já começava a chegar de forma incontrolável. Logo eu que este ano fiz questão de não comprar ingressos para o espetáculo japonês com medo de que eles botassem toda a minha cultura ocidental para dormir.

Para não achar que esta sonolência era apenas fruto da minha ignorância começo a tentar fazer reflexões sobre a dramaturgia de Samuel Beckett. Afinal, sou encantada com Esperando Godot e ainda lembro como foi incrível dizer algumas falas deste texto na montagem de Zé Adão Barbosa nos tempos em que fazia oficinas. Sigo meu raciocínio: humm, há aqui uma não relação e ao mesmo tempo uma dependência entre os personagens... Enquanto me disperso em minhas análises, chega o intervalo. É quando o professor Mainieri me pergunta: “tu fazes crítica?”. Falo do meu trabalho de mestrado que me incentivou a querer escrever sobre os espetáculos já que sigo não encontrando uma definição que me convença sobre as diferenças entre opinião, comentário e crítica.

Troco minhas impressões com algumas pessoas e, além de concordarmos que o espetáculo está botando para dormir, descubro que isto ocorre porque há um problema na interpretação da atriz que apenas despeja o texto, acrescentando interjeições desnecessárias. Neste momento, concluo que há uma falta de sutileza na hora de dizer as palavras do texto cujas intenções do autor precisariam ser respeitadas. Caso contrário, como dizia meu professor Sergio Silva, tudo pode estar perdido. E é isso que está acontecendo ali.

Apesar da introdução de alguns ruídos semelhantes a trovões (que não recordo de ter ouvido na montagem de 2005) estou de novo com os mesmos sentimentos daquela última vez em que assisti à montagem de Happy days e posso garantir que este ano não tenho a morte de nenhum parente próximo que possa justificá-los. Felizmente, sabia que faltava, aproximadamente, 40 minutos para terminar e, quando isso acontece, as pessoas aplaudem de pé, algumas gritam bravo e eu concluo, mais uma vez, que certamente a minha “opinião comentada criticamente” não vai agradar todo mundo. Não faz mal. Defendo, justamente, a provocação do debate que em casos como este costuma ser muito mais interessantes do que a própria obra. São os mistérios da arte.

PS: Caso não tenha ficado claro, o espetáculo era legendado.


Helena Mello
Jornalista e Mestre em Artes Cênicas pela UFRGS. Autora do blog www.palcosdavida.blogspot.com

sábado, 11 de setembro de 2010

Rodrigo Monteiro #3: Happy days

Foto: Luciano Romano

Winnie e seu buraco

Para mim, há duas questões fundamentais em Happy days: Winnie e o buraco. E quando esses dois pontos são colocados acima de Beckett, de Wilson e de Asti, o escritor irlandês, o diretor norte-americano e a atriz italiana, tudo fica melhor.

Tratemos do buraco:

É imprescindível que Winnie esteja enterrada num buraco. Ele é a metáfora dos relacionamentos, do emprego, da condição social, da doença, da virtualidade e de qualquer situação que aprisione o homem. Winnie não pode sair desse buraco que, cada vez mais, a prende até escondê-la por completo. Nisso consiste a tragédia beckettiana: há algo exterior aos personagens e à situação que determina o destino da história. Nada é possível fazer e lutar contra isso consiste no mal de quem o ousa.

O buraco é uma pequena elevação de terra, o que possibilita ao espectador pensar que, em volta, há mais buracos e, consequentemente, mais pessoas enterradas. É tudo muito simples, porque deve ser tudo muito cotidiano. Todos estamos metidos em buracos e disso não pode ser feito um drama. Beckett não é nem dramático, nem pós-dramático: é adramático, porque, em seus textos, não há nem drama convergente, nem divergente. Não há princípio, nem fim, nem começo, nem causa, nem efeito.

Willie, o marido de Winnie, sai do buraco, mas isso não se trata de um clímax no texto de 1961. Beckett apenas usa de seu sadismo para destruir Winnie que, gostaria de sair e sai através de sua imaginação. Os olhos de Willie caem porque não conseguem fitar a esposa. Terá ele mesmo saído? Será ele o próprio Willie ou já outro ser? Por que eles nunca se olham? Não há, para Winnie, a possibilidade de saída de sua condição e ela precisa se conformar com isso. E essa conformação fica, com certeza, muito difícil diante da saída de Willie. O destino não é nem mal, nem bom. Ele é.

Bob Wilson não prendeu sua Winnie (Asti) num buraco. Em primeiro lugar, o cenário não é uma elevação casual, mas um pequeno vulcão. Em segundo lugar, Adriana Asti se movimenta bastante em sua cadeira e a possibilidade da atriz pôr-se em pé é sempre presente. É sabido que Wilson, em sua técnica bem marcada, leva os sentidos de seus trabalhos para lugares divergentes, o que, muitas vezes, enriquece a produção. Aqui, a divergência confunde, atrapalha, empobrece. As cores fortes, a iluminação excessiva cansa o olhar e desvia a atenção para o aspecto plástico de algo que não carece de plasticidade, porque vive de palpabilidade. Duas peças em uma só: uma Wilson e uma de Beckett. E eu prefiro ficar com a segunda nesse caso, apesar de achar bonito o raio em neon e o cabelo amarelo, ambas grafias sem nenhuma importância para a narrativa.

Tratemos de Winnie:

Há uma frase de Alfred Alvarez, um ensaísta inglês bastante conhecido por seus textos sobre o suicídio, e que também escreveu um livro cujo título é Samuel Beckett (lançado em 1973), que torna presente qualquer coisa que se diga sobre Winnie:

“Benditos sejam os otimistas, porque eles serão enterrados vivos.”

Winnie dá boas vindas ao dia todo o dia. Reconstrói o seu mundo com suas palavras, se diverte com tarefas simples, engrandece a pequenice do seu contidiano. Em nenhum momento, ela reage contra a sua condição de forma direta, mas, indiretamente, não se deixa abater por ela. Winnie é a heroína contraépica, a vilã de nossas histórias pessoais. Quem almeja por um levante, por um mudar de posição, por uma ação, odeia Winnie. Winnie que canta “A viúva alegre”, uma opereta do fim do século XIX, com a letra de Beckett, sorri sempre.

Tua mão está fria
E tem um tremor
Ela não tremia
Sem o teu amor.
Mas se me desdouro
Em me declarar,
Tendo tu tanto ouro
Não devo te amar.

Winnie de Asti: as palavras têm cores e têm ritmos, têm ondas e têm marés. Excelente a interpretação da personagem que cativa o público sorridente com suas piadas, suas memórias, sua doçura. Nisso, Asti concretiza o que dissera o diretor sobre a peça:

“Eu gosto de “Happy days”, porque é, ao mesmo tempo, muito simples e extremamente complexo. Algo que diz de imediato o que é a situação. Se você compra um ingresso para uma peça chamada “Dias felizes”, e você entra no teatro e vê uma mulher enterrada até o pescoço, você pode esquecer as especificidades e começar a experimentar algo que o prende.”

E esse algo que nos prende, por mais presos que possamos estar, não precisa tornar nossos dias tristes. E, se assim ficamos, é porque não temos a mesma força de Winnie, aquela que nasce da terra e pode dar frutos, apesar das amarras de Wilson, nessa produção, serem tão frágeis.

*
Ficha Técnica:

Texto: Samuel Beckett
Direção, cenário e concepção de luz: Robert Wilson
Assistente: Daniel Schulze
Assistente de Direção: Christoph Schletz
Dramaturgia: Ellen Hammer

Elenco:
Adriana Asti (Winnie)
Yann de Graval (Willie)

Diretor Técnico: Amerigo Varesi
Desenho de Luz: A.J. Weissbard
Supervisão: Marcello Lumac
Figurinos e Maquiagem: Jacques Reynaud

Desenho de Som: Emre Sevindi
Técnico de Som: Paolo Cillerai
Eletricista: Fabio Bozzetta
Diretora de Palco: Sue Jane Stoker/Sara Thaiz Bozano
Técnico de Palco: Antonio Verde
Cabelo e Maquiagem: Jacques Reynaud/Mariarita Parisi
Administração da Companhia: Gaia Scaglione
Direção de Produção: Kristine Grazioli
Produção: Change Performing Arts e CRT (Milão/Itália) Elisabetta di Mambro e Franco Laera


*
Rodrigo Monteiro: Licenciado em Letras - Português/Inglês pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos.Bacharel em Comunicação Social - Habilitação Realização Audiovisual pela mesma universidade. E mestrando em Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Jurado do Troféu Açorianos de Teatro 2010 e, também, do Troféu Braskem 2010, é autor do blog www.teatropoa.blogspot.com de Crítica Teatral de Porto Alegre

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Bob Bahlis #3: Happy Days


Cena 2: Adriana Asti & Bob Wilson

Porto Alegre é uma cidade que só vê Teatro Global, com atores da Rede Globo. Nos tratam como ignorantes. E parte do público fica cada vez mais provinciano quando não vê os espetáculos locais, dramáticos. A comédia geralmente tem seu lugar ao sol. A importância do Porto Alegre em Cena é essa. É o momento em que podemos desenvolver nosso censo crítico.

O Theatro São Pedro recebeu, nesta última quinta-feira, a atriz Adriana Asti. A veterana diva interpretou Winnie, em peça de Bob Wilson. Será que ela é solteira?

Adriana Asti fala o texto de Beckett com muita ironia, mas em francês (com legendas). Olhar as legendas... Olhar a atriz: a labirintite bateu .Vou me matricular amanhã mesmo na Aliança Francesa. Depois de 5 minutos, optei olhar apenas para Adriana Asti. As fortes imagens do espetáculo não apagam em nenhum momento o brilho da sua atuação. Com mais de 70 anos, Asti parece uma atriz de 40 anos. Energia jovem. Ela é figura carimbada do cinema. Trabalhou com diretores emblemáticos: Pier Paolo Pasolini , Bernardo Bertolucci, entre outros. Está pra ser lançado um novo filme com Asti no elenco.

A escritora Paula Taitelbaum, a cantora Adriana Deffenti, a coordenadora do Santander Cultura Maria Bastos, a produtora executiva da Casa de Cinema de Poa Nora Goulart e a jornalista e apresentadora do Brasil na Madrugada da Rádio Gaúcha, Sara Bodowisk, falaram especialmente para o poaemcena.blogspot.com.

Bob Bahlis: Maria Bastos e Nora Goulart, qual a importância do Porto Alegre em Cena?

Maria Bastos: Toda! Hoje (quinta-feira), a capa do Segundo Caderno do Jornal O Globo, e mais umas páginas lá no meio deste jornal super centrado, que só fala do Rio de Janeiro, era sobre este espetáculo do Em Cena e de uma mostra que está rolando no Santander Cultural de Porto Alegre, com trabalhos de Bob Wilson. Fotos e tudo mais. Os cariocas devem ter babado por Porto Alegre.

Nora Goulart: Eu sempre aplaudi de pé o Porto Alegre em Cena. Acho incrível que o "Em Cena" se perpertuou dessa maneira e cada vez melhor e profissional.

*

Bob: O que achou do espetáculo?

Maria Bastos: O melhor foi ver este mito do teatro, Adriana Asti. Como tive este contato com o lado "artista plástico" do Bob Wilson, vejo que a concepção de Happy Days, mostra que Bob Wilson é um artista plástico, fazendo um belo teatro.

Paula Taitelbaum: Amei. Eu me apaixonei pelo Bob Wilson na palestra que ele deu no "Fronteiras do Pensamento". Essa era a peça que mais queria ver. Estou muito feliz!

Adriana Deffenti: Impactante o conjunto. Sofisticado e simples ao mesmo tempo. Ver Adriana Asti valeu o ano. Apesar de não ter gostado do espetáculo. Faltou mais ação nas cenas.

Nora Goulart: O texto eu já conhecia. Apesar de já ter visto outros trabalhos do Bob Wilson, fiquei magnetizada pela Adriana Asti. Gostei da montagem, do trabalho de atriz da Asti e, principalmente, a
iluminação. Maravilhosa a iluminação.

Sara Bodowisk: Emocionante. Cada frase era uma porrada. Dramaturgicamente falando, as ideias, o raciocínio dos textos, me derrubaram. Chorei. No final, a atriz teve que voltar três vezes ao palco, pois o público não parava de aplaudir.

*

Bob Bahlis: Onde levaria a Adriana Asti pra dar uma volta em Porto Alegre?

Maria Bastos: Pra conhecer o acampamento farroupilha.

Paula Taitelbaum: Pra conhecer nosso Mercado Público. Caminhar, olhar as bancas e comer a famosa bomba.

Adriana Deffenti: Hum... Não sei... Meu Deus do céu! Nossa! Hum...

Nora Goulart: Pra minha casa.

Sara Bodowisk: Pra minha casa.

*

Bob Bahlis: E qual a tua tua agenda pro Porto Alegre em Cena deste ano?

Maria Bastos: Ute Lemper (Alemanha, dia 26, no Sesi) e Cabarecht (Porto Alegre, dia 27, no São Pedro).

Paula Taitelbaum: O Idiota (Lituânia, dia 14, no São Pedro) e tantos outros.

Adriana Deffenti: Ute Lemper (Alemanhã, dia 26, no Sesi) e Maria João.

Nora Goulart: O Paulo José, que é o meu ídolo!

Sara Bodowisk: Todos os uruguaios e os argentinos.


Termino aqui, pedindo desculpas pela foto que tirei (desfocada) da Adriana e Paula e desculpas pela dislexia. Confira antes das peças do Em Cena:

ROBERT WILSON VIDEO PORTRAITS
Santander Cultural Porto Alegre , na Praça da Alfândega
De 9 de setembro a 05 de dezembro de 2010 (de terça a domingo, a partir das 9h e tarde ).
Beijos, Bob Bahlis


*Bob Balis (40 anos) é diretor de teatro e dramaturgo. Dirigiu os espetáculos "Stand Up Drama", "Dez(quase)Amores" , "Filhote de cruz credo", "Tem Quintana na Casa", "Homens", entre outros. Em novembro, estreia a comédia adulta Morgue (texto e direção). Em 2011, pretende montar a peça "O dia mais quente do ano" (texto e direção). É professor de teatro da escola Cômica Cultural.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Happy Days

Mais próximo do que pensamos: Beckett.

Há quem diga que as peças desse dramaturgo irlandês são chatas, monótonas, entediantes. Lembram de “Esperando Godot”, aquele personagem que nunca vem. Lembram de diálogos intermináveis de “Fim de Partida” ou “Fim de Jogo”. Lembram de histórias que parecem não ter história e de aplausos intelectuais que dão vergonha aos bocejos da massa comum... O 17º Porto Alegre em Cena não quer que alguém se sinta envergonhado de já ter dormido em alguma apresentação de Beckett (e esse ano haverá duas montagens!). Dormir também é uma reação e, no teatro, todas as reações são válidas sem que haja hegemonia de expressões, desde que nenhum ronco, ou choro, ou gargalhada atrapalhe a concentração da pessoa ao lado ou da fila além. Teatro é, antes de tudo, social. E dormir socialmente é tão válido quanto aplaudir em conjunto.

Mas a questão é: por que esse dramaturgo é tão elogiado através dos tempos, tantas vezes montado e por nomes tão consagrados como Bob Wilson, cujo currículo de espetáculos (incluindo “Quartett”, grande participante do 16º Porto Alegre em Cena), de turnês e de prêmios faz dele um dos maiores encenadores do planeta nessa transição de séculos. O espetáculo em questão nesse texto é protagonizado, por exemplo, pela atriz Adriana Asti, estrela de cinema em filmes como "Rocco e seus irmãos” (Visconti, 1960), “Accatone” (Pasolini, 1961), “Antes da revolução” (Bertolucci, 1962), “Amargo despertar” (Vittorio de Sica, 1973), “O fantasma da liberdade” (Luis Buñuel, 1974) e vários outros, sem falar na sua importante participação em produções teatrais como “Cinza às cinzas”, de Harold Pinter. Por que, então, tanto incenso sobre um chato? Será que ele é realmente chato?

Winnie, a protagonista de “Happy Days”, está presa, caída numa armadilha, enterrada até a cintura, sem possibilidade de sair. Sua vida desconhece o passado e ela também não faz planos para o futuro. Tudo está como está. Winnie não é a heroína de uma história com princípio, meio e fim. Ela é a própria história e somente dentro dela se encontram o princípio, o meio e o fim e também o princípio novamente. Se olharmos para ela sem nos perguntarmos de onde ela veio e para onde ela vai, e escutarmos a sua pergunta sobre o que fazer da vida, talvez, perceberemos que há mais de Winnie em nós do que de qualquer história de guerra, de qualquer amor fatal, de qualquer grande espetáculo com helicópteros entrando cena. Porque o nosso dia a dia também não é feito de longas viagens e grandes decisões, mas do desafio de viver as vinte e quatro horas sem pular uma única delas, nem mesmo quando dormimos. Ao espectador é livre o direito de ver o buraco como uma rotina. Ou um trabalho. Ou um relacionamento do qual não se consegue sair. Winnie pode ser eu, pode ser você, pode ser o marido daquela amiga, a chefe do seu pai. O dia pode ser um ano, um mês, um festival, o tempo que não passa antes do ônibus vir, a ligação telefônica que não se completa, o email que ainda não chegou.

Winnie sorri. Winnie canta. E a frieza beckettiana se torna trágica ao tratar do destino como algo que é superior aos mortais. A chuva que destrói casas sobre morros, o câncer que consome um parente, o candidato não preferido que ganha a eleição. Winnie sorri. Winnie canta. E, assim, ela win. Vence adversidade do boleto que chega, do olhar não retribuído, do taxi perdido no dia de chuva. E vence sem cair na alienação, tampouco na submissão. A brasilidade de Winnie, quem sabe, está na coragem de sorrir e de cantar. E de encarar com gabardia qualquer desafio.

As cores de Bob Wilson estão aprisionadas nos matizes originais. Azul é azul, preto é preto, laranja é laranja. A variação está em nós. O princípio, o meio, o fim e o princípio novamente estão em nós. O artista propõe o mundo. Os mortais o desafiam. Nem sempre vencem. Mas sempre é possível sorrir.

Mesmo dormindo.



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110 minutos (15min de intervalo)

Ficha Técnica:

Texto: Samuel Beckett
Direção, cenário e concepção de luz: Robert Wilson
Assistente: Daniel Schulze
Assistente de Direção: Christoph Schletz
Dramaturgia: Ellen Hammer

Elenco:
Adriana Asti (Winnie)
Yann de Graval (Willie)

Diretor Técnico: Amerigo Varesi
Desenho de Luz: A.J. Weissbard
Supervisão: Marcello Lumac
Figurinos e Maquiagem: Jacques Reynaud

Desenho de Som: Emre Sevindi
Técnico de Som: Paolo Cillerai
Eletricista: Fabio Bozzetta
Diretora de Palco: Sue Jane Stoker/Sara Thaiz Bozano
Técnico de Palco: Antonio Verde
Cabelo e Maquiagem: Jacques Reynaud/Mariarita Parisi
Administração da Companhia: Gaia Scaglione
Direção de Produção: Kristine Grazioli
 Produção: Change Performing Arts e CRT (Milão/Itália) Elisabetta di Mambro e Franco Laera
Fotos: Luciano Romano