quarta-feira, 9 de junho de 2010

2x3+1=7 ou l'impossibilite de nommer les choses


Terceira parte da série de performances de dança/teatro, “2x3+1=7" parte da mise-en-scène do performer. É o encontro de dois mundos individuais é o objeto de investigação, cujo processo se apresenta no 17º Porto Alegre em Cena. Os mundos, ou mônadas (um universo particular, individual, único, e que contém em si características contidas igualmente em outras externas a si) têm suas escrituras assinadas coreograficamente por Biño Sauitzvy e por Luciana Dariano. Uma escritura que toca a pele, como púrpura nas bochechas de uma criança. Memórias furtivas, um passeio pelo campo sensorial.

A dramaturgia está no campo do possível. Primeiramente, há o encontro como um conceito para a construção de uma performance autobiográfica. Depois, o encontro de duas individualidades, duas mônadas numa só situação. Uma dança num teatro vazio. Roupas que colam no corpo: ela, um vestido xadrês e sapatos que remetem à infância. Ele, botas de operário, camiseta de física, calças com suspensório. Um tango incessante e vertiginoso que nunca deixa de oscilar entre a vida e a morte.

Esta pesquisa é a continuação do processo iniciado na construção das performances solo de dança/teatro “La Divina” e H to H”. A partir da busca da criação individual, alimentada pelas influências de outros artistas e de outros processos de formação (prático/artístico/pessoal), o desejo manifestado pelos artistas foi o de criar uma rota progressiva, que se torna a obra em si. Uma obra que está nas idas e vindas do que existe no imaginário pessoal, no que é encontrado na “realidade pronta”. Esse work in process fala do fragmento como forma independente (peça, pedaço, que pode ser parte de outro sistema e, portanto, ser e existir de outra forma).

Então, nada de espetacular (mas, ao mesmo tempo, tudo), nem a sombra da sedução: eles (o homem e a mulher) extenuam-se no palco. Ao espectador fica o sentimento de que algo é arrancado da fonte e transporta: a energia vital de Biño Sauitzvy e Luciana Dariano.

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FICHA TÉCNICA:

Diretor do Espetáculo: Biño Sauitzvy

Elenco: Biño Sauitzvy e Luciana Dariano

Iluminador: Claudia de Bem

Figurinos: Collectif des Yeux

Produção: Claudia de Bem e Collectif des Yeux

Duração do espetáculo: 55 min

terça-feira, 8 de junho de 2010

Final de Partida

Escrito em 1957, “Fim de Partida” sucedeu “Esperando Godot” na dramaturgia do irlandês Samuel Beckett (1906-1989), talvez, o escritor que melhor conseguiu estabelecer o universo trágico na possibilidade contemporânea de vida e morte. Quatro personagens estão reunidos dentro de um espaço. O texto abre condições para pensar numa relação familar entre eles, mas não deixa isso claro. Tampouco como foram parar nesse ambiente. Ou porque não saem. Não sabemos o que acontece lá fora, o que é lá fora, assim como podemos duvidar que estamos realmente dentro de algo. Esse universo de dúvida que prende e que nos obriga a nos conformarmos é o que relaciona a história aos trágicos enredos que envolviam destinos traçados e deuses do Olimpo. Porém, lá a prisão é externa e os grandes heróis se rebelam pagando, depois, o preço. Aqui, em Beckett, há o compromisso em não se individualizar, em não protagonizar, em não haver conflito.

O conflito do fim dessa partida é a interrogação do início dela. Quando começou e de quem é a culpa? O que acontece hoje é a conseqüência de uma causa anterior? Então, diante da tristeza que cresce, o público é levado a refletir sobre seu permanecer. Fica-se no emprego, em relações. Mantém-se os sonhos, as memórias, os planos. Fica-se. Permanece-se. Mas o jogo só termina quando outro começa. Beckett não deixa oportunidade para outro começar e esse universo sempre anterior a algo é seu discurso instigante. Nobel de Literatura em 1969, sem dúvida, é um dos dramaturgos mais ricos do último século.

A montagem que participará do 17º Porto Alegre em Cena é uma das produções mais aplaudidas de Héctor Manrique, um dos mais importantes diretores teatrais da Venezuela. É o diretor do Grupo Actoral 80 e do Centro Latinoamericano de Criação Teatral.

"Uno llora, llora, por nada, por no reír -exclama Hamm - y poco a poco, una verdadera tristeza nos invade."

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Ficha Técnica:
Autor: Samuel Beckett
Diretor: Héctor Manrique

Elenco:Juvel Vielma, Daniel Rodríguez, Juan Vicente Pérez, Melissa Wolf

Assistente de Direção: Jesús Cova
Iluminador: José Jiménez
Duração do espetáculo: 1h45min

Electra


Electra espera seu irmão Orestes chegar para, junto ele, darem fim aos assassinos de seu pai Agamenon. Os dois matarão Clitemnestra, sua mãe, e Egisto, amante dela. Electra é sujeito.

Clitemnestra morrerá pela mão de seus filhos. Mesmo confessando que tratara Electra mal durante seus últimos anos para que seu amor maternal não desagradasse o novo marido a ponto de fazer a enteada sofrer em suas mãos, não tendo dos filhos o perdão pelo assassinato de seu ex-marido, é morta. Electra é objeto do destino de sua mãe.

Orestes matará sua mãe e o amante dela ao chegar a Argos vindo da Fócida para onde foi enviado pela irmã Electra. Foi o meio que ela encontrou para salvar o irmão da ira de Egisto, assassino de seu pai. É com a ajuda de quem outrora lhe salvou que consumirá o fato. Electra é adjuvante.

Electra viva se opunha ao governo de Egisto em Micenas. Era um espinho na vida do casal real. Electra é oponente.

Marisa Betancur estreará no 17º Porto Alegre em Cena o espetáculo Electra, tragédia grega escrita no final do século V antes de Cristo. Contada também por Eurípides e por Ésquilo, a produção uruguaia encenará o texto de Sófocles (497-405 a.C.). Mas só Betancur irá dizer qual ponto de vista de Electra o espetáculo realizará entre tantas opções, algumas delas lançadas acima. E é essa a novidade do teatro: sempre há pontos de vista diferentes, o texto é sempre novo.

Atriz e diretora profissional, Betancur é formada pela Escola de Arte Dramática em 1984, desde então, com um currículo vasto em trabalhos e prêmios. Não menos se pode dizer de Gabriela Iribarren, que interpretará a protagonista. A montagem de 2010 sucede “As Troianas”, de Eurípides, que estreou em 2007 e participou do 14º Porto Alegre em Cena.

Chama-se a atenção para o trabalho de Verónica Lagomarsino na construção dos figurinos que vestirão os personagens helênicos trazidos ao palco do nosso festival pelo Uruguai. Uma produção do Instituto de Atuação de Montevideo com quinze atores, um cenário disposto para fazer refletir as oras subidas, ora descidas do universo de Electra, iluminação e trilha sonora a acrescentar valores para a tragédia clássica tantas vezes contada, mas, aqui, de um jeito único. Única.

Recebeu, em junho, o Prêmio MONTEVIDEO CIUDAD TEATRAL, um dos prêmios mais importantes do Uruguai.


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FICHA TÉCNICA
Direção: Marisa Bentancur


Elenco: Gabriela Iribarren, Lucas Barreiro, Rosa Simonelli, Gustavo Bianchi, Virginia Rodriguez, Gabriela Palomera, Victoria Novick, Rosina Carpentieri, María Inés Dutour, Paola Ferreira, Daniela Mosca, Danna Liberman, Gustavo Suarez, Liliana Curto

Iluminação: Martín Blanchet
Trilha Sonora: Sylvia Meyer
Cenografia: Diego Caceres
Figurinos: Verónica Lagomarsino
Duração do espetáculo: 1h20

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Lonesome cowboy

O homem e seu incessante desejo de dominar. O homem e seu senso de ser parte de um time. O homem e sua necessidade de se arriscar, de confrontar-se, de pertencer a um grupo. Philippe Saire (1957), coreógrafo argelino radicado na Suíça, internacionalmente aclamado pelas suas mais de quarenta coreografias assinadas, fundador, em 1986, da Compagnie Philippe Saire, usa uma poderosa dança para dar corpo a essas imagens. As numerosas facetas masculinas identificam o homem quando em oposição à mulher: o espírito de grupo, a solidariedade, o confrontamento, a reconciliação, a evasão são algumas das idéias que o “ser masculino” pode potencializar em sua complexa humanidade. Cinco dançarinos partem dessas sugestões para experimentar, com o corpo, relações físicas que agrupam, que inspiram e concretizam alguns códigos dentro do universo da arte. Em “Lonesome Cowboy”, vemos a linguagem corporal expressa por dançarinos cuja generosidade alcança a exaustão. Inicialmente criada para cinco artistas, a coreografia ganhou mais um bailarino. Hoje, a simetria voltou a ser dispensada. O espetáculo viaja pelo mundo com a idéia original de cinco pessoas em cena.

Questionamentos. Identidade. Força. O espetáculo de dança conversa, propõe e estabelece nada a não ser a proposta de. “Lonesome Cowboy” convida e seu convidar é vivo, é pulsante, é instigante ao convite, externo ao olhar do convidado. Um espetáculo viril em que a sensualidade masculina é explorada e exploradora. Como um todo, sentimos a força do homem dominar a cena e, então, descobre-se o olhar masculino a partir de pontos de vista não fáceis de ser utilizados. Mas reconhecíveis.



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Ficha Técnica:

Coreografia: Philippe Saire e seus dançarinos

Dançarinos:
Philippe Chosson
Pablo Esbert Lilienfeld
Matthieu Guénégou
Mickaël Henrotay Delaunay
Richard Kaboré

Figurinos: Isa Boucharlat
Desenho de Luz: Laurent Junod
Desenho de Som: Christophe Bollondi
Direção de Som: Jérémie Conne
Cenário: Sylvie Kleiber
Direção de Arte: Philippe Weissbrodt
Direção de Palco: Dominique Dardant e Yann Serez
Administração: Didier Michel
Assistente de Produção: Muriel Imbach
Realização: Claude Champion
Parceiros: Tennis-Club Lausanne e Ville de Lausanne, Etat de Vaud, Pro Helvetia – Swiss Arts Council, Loterie Romande.



Duração: 1h
Classificação: 16 anos

Chocolate



“A música é muito saborosa, é como se os sons fossem bocadinhos de chocolate!"

Chocolate é o nome do 12º disco da dupla Maria João e Mário Laginha, músicos portugueses que comemoram vinte e cinco anos de trabalhos em conjunto. O delicioso jazz do disco que será apresentado no show do 17º Porto Alegre em Cena traz, entre canções conhecidas, novidades imperdíveis:

1. I Have a Heart Just Like Yours

2. Goodbye Pork Pie Hat
Dedicada à memória de Lester Young, a música foi composta em 1959 por Charles Mingus sobre um poema de Joni Mitchell, poucos meses após o falecimento de Young, um dos mais importantes e influentes saxofonistas e clarinetistas Americanos.

3. I’ve Grown Accustomed to His Face
Última canção do musical ‘My Fair Lady’ de 1956, e que ilustra a raiva do Professor Henry Higgins ao facto da sua pupila Eliza Doolittle ter saido da sua vida, e o apercebimento crescente do quanto irá sentir a sua falta.

4. Sweet Suite

5. This Time

6. Modern Mode / I’m Old Fashioned
“I’m Old Fashioned”, composta em 1942 por Jerome Kern com letra de Johnny Mercer, foi escrita para o filme ‘You Were Never Lovelier’ com Fred Astaire e Rita Hayworth como protagonistas. A primeira gravação desta música pertence a Fred Astaire com John Scott Trotter e a sua orquestra, nesse mesmo ano.

7. If You Could See Me Now
Um dos primeiros sucessos na carreira de Sarah Vaughan, em 1946.

8. Mati Mati

9. When You Wish Upon a Star
Esta canção, introduzida no filme “Pinóquio” da Disney em 1940, e que foi cantada por Cliff Edwards na personagem de Grilo Falante nos créditos iniciais e finais do filme, ganhou esse ano o Óscar da Academia para Melhor Canção Original, sendo ainda hoje considerada pelo Instituto Americano de Cinema como a melhor canção da Disney e uma das 100 melhores músicas de sempre num filme.
Além da dupla, outros três músicos, também compositores, engrandecem, talvez, uma das atrações mais esperadas da edição desse ano do Festival. Informa Mário Laginha:

“O Alexandre Frazão e o Helge Norbakken são respectivamente o nosso baterista e o nosso percussionista preferidos. Estavam escolhidos à partida. Quanto ao Julian Arguelles e ao Bernardo Moreira, são músicos com quem tenho tocado regularmente ao longo dos anos e que achei que eram ideais para este projeto.”

Maria João, que foi cinturão negro de Aikido antes de se tornar cantora, ao longo de sua carreira já trabalhou com músicos reconhecidos internacionalmente. Entre eles, a pianista Aki Takase e a banda Cal Viva, e Ralph Towner, Dino Saluzzi, Bobby McFerrin, Joe Zawinul e Trilok Gurtu, entre outros. Ao lado de Laginha, para nós, o destaque está no disco “Chorinho Feliz”, gravado em comemoração dos 500 anos da presença portuguesa no Brasil. Nele participam Gilberto Gil e Lenine, Helge A. Norbakken, Toninho Ferragutti e Nico Assumpção.

A voz encorpada e o apurado detalhe musical das interpretações conferem elegância à nossa programação. O repertório traz classe. O jazz traz alegria. “Chocolate” trará, certamente, prazer.


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Ficha Técnica:

Voz: Maria João
Piano: Mario Laginha
Saxofone: Juian Argülles
Contrabaixo: Bernardo Moreira
Percussão: Helge Andreas Norbakken
Bateria: Alexandre Frazão
Duração: 1h30min
Classificação: Livre

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Navalha na carne

Ao lado de “Dois perdidos numa noite suja”, é o texto mais conhecido do dramaturgo paulista Plínio Marcos (1935-1999). Estreou em São Paulo e no Rio de Janeiro no ano de 1967 sendo imediatamente proibido pela censura e só reencenado nos anos oitenta. Cacilda Becker e Tônia Carrero foram as primeiras atrizes a fazer o papel da prostituta Neusa Suely explorada pelo cafetão Vado e roubada por Veludo, faxineiro do bordel. A tríade está completa. Já não é uma dupla, mas já é uma sociedade, um ecossistema.

Dentre as leituras que se pode fazer de Plínio Marcos, e cada um pode fazer a que mais lhe aprouver, o naturalismo é a que mais plenamente pode potencializar as indicações da dramaturgia. Não há personagens bons, nem maus no texto de Plínio Marcos nessa perspectiva. O seu aspecto humano se desenvolve dentro da questão animal em que o instinto, a forte influência do meio e a capacidade de se modificar são bastantes presentes. Os personagens sobrevivem.

Vado sobrevive na sua selvagem luta contra Neusa Suely. Por sua vez, a prostituta depende da importância que ela tem para Vado, essa expressa por seus xingamentos, que não deixam de ser uma forma de expressão. Veludo rouba para manter seu vício às drogas, trabalha para sobreviver, desafia Vado e sua masculinidade para se sobrepor. Não há moral. E a ética é entendida como no seu mais puro conceito: a capacidade do indivíduo de ser fiel às suas próprias crenças.

Essa é a situação em que o diretor Pedro Granato coloca seus três atores no universo triádico de Plínio Marcos: Gero Camilo, Gustavo Machado e Paula Cohen, todos com currículos recheados de produções importantes no cenário nacional, além de prêmios reconhecidos. Uma arena em que as figuras se encontram, duelam, se alteram. O público os sufoca, os prende, os mata para não deixar que saiam do teatro. Talvez nelas, nós nos transformemos na assistência de uma produção assim. O corte dessa navalha é transversal. E é um privilégio ser cortado por mãos tão experientes que sabem o que fazer com o que sai de dentro do corte.


“Nada que vem de fora ajuda um ator a criar seu personagem. Esse tem que nascer de dentro do ator. Nutrido de coisas que estão dentro dele.” (Plínio Marcos – Reflexões sobre a Arte Cênica)


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Ficha Técnica:

Texto – Plínio Marcos
Direção – Pedro Granato

Elenco:
Gero Camilo
Gustavo Machado
Paula Cohen

Iluminação: Alessandra Domingues
Espaço Cênico: Alessandra Domingues e Pedro Granato
Figurino:Tatiana Thomé
Direção de Produção:Helena Weyne
Produção: Macaúba Produções Artísticas
Arte Gráfica: Sato
Fotos: Marie Hippenmeyer
Duração do Espetáculo - 80 minutos
Faixa etária – 16 anos

Partimpim Dois

Partimpim é o heteronômio de Adriana Calcanhotto. É sua personagem infantil, utilizando o apelido de infância da cantora porto-alegrense, brasileira, conhecida já em vários lugares do mundo ao longo desses vinte anos desde a gravação de Enguiço em 1990. Partimpim está no segundo disco, o décimo primeiro de Calcanhotto . O primeiro foi lançado em 2004 e ganhou Disco de Ouro pelas cem mil cópias vendidas. Repetimos: cem mil cópias vendidas para crianças, ou para os heterônomos infantis dos adultos por aí que compram discos e são, por isso, minoria entre os que baixam ou copiam as gravações autorizadas. Imaginemos quantas seriam as vendas se não houvesse essa alternativa?

O show tem direção musical da própria criança Partimpim. Ela imaginou tudo e pediu para a banda viabilizar através de seus talentos únicos e da incrível fluência e sintonia musical. Destaca-se o fato de que os cinco integrantes da banda são compositores, ou seja, suas visões sobre as canções são diferenciadas daquela que os instrumentistas que não compõem podem ter. De um modo geral, os músicos não fazem muita cerimônia em relação `as composições, se apropriando com muita liberdade. Como no primeiro show, alguns brinquedos serão tocados, ruídos eletrônicos serão colhidos de brinquedos e brincadeiras musicais que a própria Partimpim produz. “Uma bagunceira!”.

Hélio Eichbauer volta a assinar o cenário, trabalhando com as ideias que Partimpim trouxe sobre proporção. Móveis e objetos enormes para deixam Partimpim pequena no palco. Os figurinos, no mesmo sentido, atualizam o universo do desenho, do rabisco, das tintas, dos papéis.

O repertório mescla as canções do primeiro CD, do DOIS e do DVD seguindo um critério muito subjetivo de fluência do show. “Foi bem natural, algumas canções pediram pra entrar no roteiro e outras preferiram ficar descansando um pouco.” Segue o repertório que estreou no Festival de Curitiba e que será apresentado no nosso 17º Porto Alegre em Cena:

O Repertório

Baile Partimcundum
Menina, Menino
Saiba
Alface
Ciranda da bailarina
Canção da falsa tartaruga
O Trenzinho do caipira
Borboleta / As Borboletas
O Homem deu nome a todos animais
Alexandre
Um leão está solto nas ruas
Gatinha manhosa
Ringtone de amor
Fico assim sem você
Gato pensa?
Oito anos
Bim Bom
Lig-Lig-Lig-Lé
Lição de baião
Na massa
Baile Partimcundum


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Ficha Técnica:
Criação: Adriana Partimpim
Direção: Adriana Partimpim e Leonardo Netto
Direção Musical: Adriana Partimpim
Diretor de palco: Jorge Ribeiro

Músicos:
Davi Moraes: guitarras e coro
Moreno Veloso: guitarras, baixo, pandeiro, surdo e coro
Alberto Continentino: baixo, baixo synth e coro
Domenico Lancellotti: MPCs , percussões, escaleta e coro
Rafael Rocha: bateria , percussões acústicas e eletrônicas e coro

Cenário: Hélio Eichbauer
Figurinos: Marcelo Pies e Danielle Jensen
Iluminação: César de Ramires

Noite estrelada: Mana Bernardes
Engenheiro P.A: Fabiano Estevão
Engenheiro monitor: Nelson Nuccini
Adereços: José Maçaira e Luiz Amadi
Correias de guitarra Partimpim: bOia Clara Zuñiga
Roadie: Alex Olimpio
Consultoria Técnica Circense: Vanda Jac e Carlos Eduardo Nascimento
Cenotécnico: Alex Corrêa
Produção de Cenografia: Tereza Durante
Confecção dos móveis de cena: Camuflagem Cenografia
Construtor de Maquetes Ferroviárias: Fernando Navarro
Assessoria de imprensa: Factoria Comunicação /Vanessa Cardoso
Arte: Luiz Henrique Sá
Produção executiva: Suely Aguiar
Produção: Hiromi Konishi
Administração: Claudia Moog

Duração: 1h30min

Classificação: Livre

Último tango em Berlin

“Acredito que a música contemporânea tem um estado alternativo de beleza que não veio da límpida lógica computadorizada, mas das performances humanas. Nos grooves contemporâneos e suas histórias cheias de imagem, eu vislumbro arranjos apurados que se inspiram em Ravel e em Debussy. A viagem continua.” (Ute Lemper)

Eis que quem é jovem bate o pé dizendo que a música mais legal da banda X é uma nova composição. Alguém vai e bate o dedo no computador e descobre que a mesma música já fora gravada nos anos 80. Ou 40. Ou ontem, mas em outro ritmo. Junção de frases musicais de várias composições. Batidas que se reconstroem. Se a velocidade crescente do acesso à internet apagou, de forma clara e definitiva, os espaços, por que não também reconhecer que apagou ou pode apagar o tempo? Deixa de haver, assim, músicas velhas e novidades, mas canções que atualizam determinadas épocas ou outras, especificidades técnicas ou outras, realidades significativas ou outras. Se o chiado do vinil foi, um dia, uma ausência de opção, hoje, com certeza, é uma alternativa estética bastante rica.

Ute Lemper é um nome atual que não vê fronteiras nas suas escolhas e traz para o agora nada emergente o gosto de novidade às composições já outras vezes paginadas entre suas inaugurações. É alemã, mas mora em Nova Iorque, em plena Big Apple. Conhece e interpreta os clássicos, mas ganha prêmios por suas participações em musicais da Broadway, de West End, de Berlin. É européia, mas se interessa por tangos argentinos. Grava Kurt Weill, mas participa do 17º Porto Alegre em Cena que traz, além de Brecht, Sara Kane, Bernard Marie Koltèz e Dostoievski.

A lista de nomes que constam no repertório de Lemper expressam seu alcance pelo mundo da música: Andrews Lloyd Weber, Marlene Dietrich, Edith Piaf, Tom Waits, Elvis Costello, Philip Glass, Astor Piazzolla, Nick Cave... O Cabaret Alemão, Paris, Manhattan, as ruas de Buenos Aires. Seu espetáculo conta histórias de sua vida, suas próprias composições, além de reunir os nomes que fizeram dessa cantora uma das mais celebradas pelas diferentes culturas que ela mesma explora e que se deixa conhecer. A viagem continua... 



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UTE LEMPER – Voz

WERNER “VANA” GIERIG – Piano

TITO CASTRO – Bandoneon

Duração: 1h30min
 Classificação: Livre






terça-feira, 1 de junho de 2010

In on it


“In on it” (2000) trata da desconstrução a partir de um olhar construtor. Depois de limpo, o terreno abre-se para a possibilidade de outra construção. Construído o prédio, é permitido pensar na sua reforma. O processo é inquietante porque é humano. O todo construído, nunca pronto e sempre próximo do acabado, mas nunca nele, é também, na dramaturgia de Daniel MacIvor (Canadá, 1962) premiado pelo Obie Award na sua temporada em Nova Iorque, o humano. Os homens constroem homens, discursos, relações. E as desconstroem. Limpam o terreno. Reformam.

No Brasil, o texto ganha a direção de Enrique Diaz, premiado diretor (Mambembe, 1984; Molière, 1991; Shell e Sharp, 1995 e 1996) e fundador da Companhia dos Atores (1990) com interpretação de Emílio de Mello e Fernando Eiras. O espetáculo que estreou em 2009 já colecionou muitas indicações e importantes troféus: Melhor Direção e Melhor Ator (Eiras), no XXII Prêmio Shell de Teatro; e Melhor Espetáculo, Melhor Direção e Melhor Ator (Mello e Eiras) no Prêmio APTR (Associação de Produtores de Teatro do Rio de Janeiro). “In on it”, por isso, é o espetáculo mais premiado da temporada nacional.

Depois de ter dirigido “Ensaio.Hamlet” e “Gaivota – tema para um conto curto”, e ter se apresentado em vários países, a mão de Diaz recai sobre esse texto fragmentado com habilidade e experiência. A narrativa de "In on it" se constrói em espiral abre-se para o público em três níveis bem claros do ponto de vista estética, mas conseqüentes do ponto de vista narrativo. Dois homens escrevem uma peça. Dois homens encenam uma peça. Dois homens vivem uma relação. A peça escrita e a peça encenada falam da relação antes vivida. A relação é ponto de partida para a escrita de um texto teatral e também sua encenação. A apresentação acontece porque antes o texto foi escrito. Só há dois homens em cena e é sobre eles que o espetáculo se constrói. Antigos amantes, atores que amam o teatro e também seu texto. Os diálogos fluem do sutil ao cáustico, do lirismo à simplicidade, da metalinguagem à linguagem. Uma situação vista e revista sob vários pontos de vista. Muda-se o contexto, não o texto: tem-se uma nova perspectiva.

Os laços são o tema desse espetáculo que inaugura a encenação de MacIvor, quase um desconhecido para nós, no Brasil. Seu humor elegante convida para a reflexão, em novos contextos, sobre textos outrora escritos por nós mesmos.


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Ficha Técnica:

Texto: Daniel MacIvor
Tradução: Daniele Ávila
Direção: Enrique Diaz

Elenco:
Emílio de Mello
Fernando Eiras

Iluminação: Maneco Quinderé
Cenografia: Domingos de Alcântara
Figurino: Luciana Cardoso
Trilha sonora: Lucas Marcier
Coreografia: Mabel Tude
Consuloria de movimento: Marcia Rubin
Programação visual: Olívia Ferreira e Pedro Garavaglia
Fotografia: Dalton Valério
Assessoria de Imprensa: Morente Forte Comunicações
Assistente de Direção: Pedro Freire
Direção de Cena: Marcos Lesqueves
Produção: Enrique Diaz




Dr. Jekyll e Mr. Hyde

A história escrita pela primeira vez em 1886, pelo escritor britânico Robert Louis Stevenson (1850-1894), ganha nova abordagem pela dupla de brasileiros radicados em na Europa Roberto Cordovani e Eisenhover Moreno. Únicos em cena, eles interpretam doze personagens e trocam de roupa quarenta e quatro vezes numa encenação com trezentas e vinte mudanças de luz, quarenta movimentos de cenário, trinta e seis inserções musicais, quartorze cenas exibidas em vídeo e dezoito perucas usadas ao longo da história. Tudo isso para construir o universo vitoriano de suspense e sombra que hoje é um clássico da cultura anglo-saxônica. 

Londres, 1800. Gabriel Utterson é o advogado que investiga a suspeitosa relação de amizade entre seu velho amigo, o respeitável Dr. Henry Jekyll, e o estranho rapaz desconhecido, o Sr. Edward Hyde, após os empregados mais chegados notarem uma mudança significativa no comportamento do médico, cada vez mais isolado em seu laboratório. Segundo o advogado, a forma benevolente com que o médico trata seu amigo forasteiro merece atenção. Há, na cidade, o contexto do aparecimento de uma pessoa com atitudes bizarras que vêm assombrando os moradores com sua brutalidade. O assassinato do respeitável Sr. Danvers Carew, um ilustre membro do parlamento britânico, transforma a investigação num caso de polícia. O avançar da história, já conhecido por todos, se dá numa luta pessoal do médico contra si mesmo. Hoje, a história uma vez criada por Stevenson, nos faz pensar nos embates internos que podem acontecer entre nós e nossos profiles virtuais, nós e as muitas esferas discursivas de que participamos. Dentro do ser humano, há muitos seres humanos e isso é o que motiva o leitor de hoje, da novela e do espetáculo teatral, a continuar se interessando pela obra.

Roberto Cordovani é um dos mais conceituados artistas na Europa. Entre os prêmios que já recebeu, estão o Prêmio Compostela de Teatro, Festival de Outono de Madrid, Festival de Edimburgo e o de Melhor Ator em Londres. Morando na Galícia, norte da Espanha, dirige o Teatro Arte Livre na cidade de Vigo. O grupo já esteve em Porto Alegre com o musical Lola.


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Ficha Técnica:

De: Robert Louis Stevenson

Tradução, Adaptação, Direção e Elenco: Eisenhower Moreno e Roberto Cordovani

Figurinos: Roberto Cordovani
Desenho de Luz e Som: Eisenhower Moreno
Efeitos Especiais: Ricardo Spencer
Técnica: Leandro Costa e Bruno Portela
Realização: Encena Produccións Artisticas S.L
Duração: 1h20min
Classificação etária: 12 anos